"Os homens dizem amar a liberdade, mas, de posse dela, são tomados por um grande medo e fogem para abrigos seguros. A liberdade dá medo. Os homens são pássaros que amam o vôo, mas têm medo dos abismos. Por isso abandonam o vôo e se trancam em gaiolas. Somos assim:sonhamos o vôo mas tememos a altura . Para voar é preciso ter coragem para enfrentar o terror do vazio. Porque é só no vazio que o vôo acontece. O vazio é o espaço da liberdade, a ausência de certezas. Mas é isso o que tememos: o não ter certezas. Por isso trocamos o vôo por gaiolas. As gaiolas são o lugar onde as certezas moram.
É um engano pensar que os homens seriam livres se pudessem, que eles não são livres porque um estranho os engaiolou, que eles voariam se as portas estivessem abertas. A verdade é oposto. Não há carcereiros. Os homens preferem as gaiolas aos vôos. São eles mesmos que constroem as gaiolas em que se aprisionam…”
Rubem Alves
Grande Sertão: Veredas está fazendo 50 anos. E eu pensei pela milésima vez que esta seria uma excelente época para eu terminar de ler esse livro. Tem uns 4 anos que eu comecei. Aí peguei de novo, abri, recomecei. Mas a verdade é que eu não consigo. Esse livro dói em mim. Cada frase dele é como uma ferida. Não sei porque, nunca tive essa relação com nenhum outro livro. alguns eu amei desde o início, não queria terminar de ler, não queria gastar o livro. Mas Grande Sertão é diferenre, ele me causa sensações físicas, não consigo explicar, eu fico literalmente nervosa. É um desgaste emocional, de tanto que eu me envolvo naquelas frases, é como se eu fosse o próprio pensamento de Riobaldo, ou o seu sentimento sobre seu pensamento, é confuso, não sei explicar direito.
