{"id":2431,"date":"2025-02-09T18:08:20","date_gmt":"2025-02-09T18:08:20","guid":{"rendered":"https:\/\/nalua.in\/notas\/?p=2431"},"modified":"2025-02-09T18:27:30","modified_gmt":"2025-02-09T18:27:30","slug":"2431-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nalua.in\/notas\/2431-2\/","title":{"rendered":""},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/telegra.ph\/O-Calhambeque-02-09\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-size: 8pt;\">como vou viver sem meu carango<\/span><\/a><br \/>\n<img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/almanaque-1.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Belo Horizonte, 09 de fevereiro de 2025<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><span class=\"x19la9d6 x1fc57z9 x6ikm8r x10wlt62 x19co3pv x1g5zs5t xfibh0p xiy17q3 x1xsqp64 x1lkfr7t xexx8yu x4uap5 x18d9i69 xkhd6sd\"><span class=\"xrtxmta x1bhl96m\">\ud83c\udf26\ufe0f 20\u00ba- 29\u00ba<\/span><\/span><\/strong><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>09 de Fevereiro<\/strong> \u00e9 Dia do Frevo em Pernambuco. Em <strong>1964<\/strong> aconteceu a primeira apari\u00e7\u00e3o dos <span style=\"text-decoration: underline;\">Beatles<\/span> ao vivo, dando in\u00edcio a Beatlemania.\u00a0 Em <strong>1986<\/strong> o <span style=\"text-decoration: underline;\">Cometa Halley<\/span> apareceu. Em <strong>2021<\/strong> come\u00e7ou o segundo julgamento de impeachment da <span style=\"text-decoration: underline;\">Desgra\u00e7a Laranja<\/span>. Em 09 de fevereiro nasceram <span style=\"text-decoration: underline;\">Carolina Nabuco, Carmen Miranda, Andr\u00e9 Gorz, Thomas Bernhard, J. M. Coetzee, Carole King, Alice Walker e Mia Farrow<\/span>.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Estranho que por mim passas! n\u00e3o sabes com que <\/em><em>anseio meus olhos te fitam.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Porque \u00e9s aquele que eu procuro, aquela que eu <\/em><em>procuro (como se fora um sonho),<\/em><br \/>\n<em>Tenho a certeza que, nalguma parte, alegremente <\/em><em>vivi contigo,<\/em><br \/>\n<em>Recordo, ao nos cruzarmos, tudo, fluido, afectuoso, <\/em><em>casto, calmo,<\/em><br \/>\n<em>Cresceste comigo, foste comigo um rapaz, comigo <\/em><em>foste rapariga,<\/em><br \/>\n<em>Comi contigo, dormi contigo, o teu corpo n\u00e3o ficou s\u00f3 <\/em><em>teu, nem o meu corpo s\u00f3 meu,<\/em><br \/>\n<em>Deste-me o prazer dos teus olhos, do rosto, da carne, <\/em><em>ao nos cruzarmos levas da minha<\/em><br \/>\n<em>barba, peito, m\u00e3os, em troca.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>N\u00e3o me cumpre falar-te, eu sou quem existe para <\/em><em>pensar em ti, quando fico sozinho<\/em><br \/>\n<em>ou de noite acordo,<\/em><br \/>\n<em>Eu sou quem deve esperar, seguro de voltar a <\/em><em>encontrar-te,<\/em><br \/>\n<em>Eu sou quem deve cuidar de te n\u00e3o perder para <\/em><em>sempre.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span class=\"x19la9d6 x1fc57z9 x6ikm8r x10wlt62 x19co3pv x1g5zs5t xfibh0p xiy17q3 x1xsqp64 x1lkfr7t xexx8yu x4uap5 x18d9i69 xkhd6sd\"><span class=\"xrtxmta x1bhl96m\">\u2666\ufe0f<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Walt Whitman &#8211;\u00a0 tradu\u00e7\u00e3o de Jorge de Sena<\/strong><\/p>\n<hr \/>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-2441 aligncenter\" src=\"https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/169871317765404e59b449e_1698713177_10x3_xl.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"150\" srcset=\"https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/169871317765404e59b449e_1698713177_10x3_xl.jpg 1200w, https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/169871317765404e59b449e_1698713177_10x3_xl-300x90.jpg 300w, https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/169871317765404e59b449e_1698713177_10x3_xl-1024x307.jpg 1024w, https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/169871317765404e59b449e_1698713177_10x3_xl-768x230.jpg 768w, https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/169871317765404e59b449e_1698713177_10x3_xl-150x45.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/p>\n<hr \/>\n<h2>Em 9 de fevereiro de 1924 Virginia Woolf escreveu em seu di\u00e1rio a seguinte entrada:<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Portanto, nossos sentimentos em rela\u00e7\u00e3o aos nossos amigos mudam. Corte-me em qualquer lugar, e eu sangro muito profusamente. A vida criou muita \u201csensa\u00e7\u00e3o\u201d de algum tipo em mim. Ent\u00e3o (estou t\u00e3o cansada com pacotes etc. que n\u00e3o consigo me concentrar), Marjorie p\u00f4s brincos nas orelhas e abandonou Joad. Pobre fedelha! Tem 24 anos. Eu estava em Fitzroy naquela \u00e9poca, e tamb\u00e9m infeliz como um diabo. Ela encontrou uma carta, abandonou a casa \u2013 mora num por\u00e3o. \u00c9 um melodrama, mas foi for\u00e7ada a ele por Cyril, presumo. Eu estou trabalhando n\u2019As horas, e o considero uma tentativa muito interessante; posso ter encontrado minha mina desta vez, eu acho. Posso retirar dela todo o meu ouro. A grande coisa \u00e9 nunca se sentir entediada com a sua pr\u00f3pria escrita. Esse \u00e9 o sinal para uma mudan\u00e7a \u2013 n\u00e3o importa qual, contanto que traga interesse. E o meu veio de ouro est\u00e1 nas profundezas, em canais muito tortos. Para apanh\u00e1-lo devo abrir caminho com um martelo, me inclinar e tatear.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>Virginia Woolf &#8211; Os Di\u00e1rios de Virginia Woolf &#8211; Uma Sele\u00e7\u00e3o 1897 &#8211; 1941 &#8211; Ed. Rocco<\/strong><\/p>\n<hr \/>\n<h2>Em 9 de fevereiro de 1943 foi a vez de Miguel Torga registrar:<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Tr\u00eas passos, e cuidei que tinha atravessado o Mar\u00e3o. Sensa\u00e7\u00e3o estranha, esta de recome\u00e7ar a vida! O covarde do corpo hesita entre o dec\u00fabito c\u00f3modo da sepultura e a verticalidade dolorosa de existir.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>Miguel Torga &#8211; Di\u00e1rio II &#8211; Ed. Coimbra<\/strong><\/p>\n<hr \/>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-2434 aligncenter\" src=\"https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/ocarrop.jpg\" alt=\"\" width=\"350\" height=\"609\" srcset=\"https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/ocarrop.jpg 350w, https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/ocarrop-172x300.jpg 172w, https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/ocarrop-150x261.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 350px) 100vw, 350px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Quem confia em si mesmo \u00e9 um tolo<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Prov\u00e9rbios 28:26<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nestes tempo tem sido dif\u00edcil fazer esse almanaque. N\u00e3o porque faltem refer\u00eancias, porque as cartas n\u00e3o tenham nada a dizer, porque falte vontade. Parece que a cada dia o entorno vai se tornando mais opressor, mais nebuloso e cinza, e que qualquer tentativa de escape seja v\u00e3, ou f\u00fatil, ou desavisada. <strong>O que estamos vivendo \u00e9 algo muito s\u00e9rio, estamos vendo a ascens\u00e3o de algo muito podre, muito danoso e seremos todos v\u00edtimas do que vem por a\u00ed<\/strong>. Assim, como escrever sobre cartas de tar\u00f4 quando a perspectiva \u00e9 de ver ao vivo o exterm\u00ednio de um povo, de uma classe de pessoas, do mundo como o conhec\u00edamos e que t\u00ednhamos no imagin\u00e1rio? E \u00e9 justamente por causa disso que eu<strong> tento me agarrar ao que em mim organizam as cartas<\/strong>. Para al\u00e9m de qualquer dimens\u00e3o sobrenatural, na qual n\u00e3o eu n\u00e3o acredito, apesar da jovem m\u00edstica que fui e da velha quase m\u00edstica que sou, as cartas s\u00e3o instrumentos que <strong>ajudam a organizar a nossa vida interior<\/strong>. Elas servem, entre outras coisa para<strong> arranjar a narrativa da vida, para nos dar um senso provis\u00f3rio de coer\u00eancia<\/strong>, sem que isso necessariamente implique em sobrenaturalidade (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bastante desolada com todo esse clima no mundo, preocupada como sempre sou, estava pensando na In\u00eas um dia destes e vi meu pai, um senhor de 86 anos e muit\u00edssima vida atr\u00e1s de si sentado placidamente lendo um livro cl\u00e1ssico da literatura russa, completamente envolvido na leitura daquele volume, alheio a todo barulho e caos que se faziam ao seu redor, por horas e horas. Imediatamente eu me lembrei de uma noite muito insone em que olhei para minha pequena rec\u00e9m-nascida que dormia na mesma placidez, apenas existindo e pensei que aquilo poderia ser, caso eu alcan\u00e7asse, a cura para ins\u00f4nia atroz que me visita sempre. <strong>Que estar em si, daquela maneira t\u00e3o inteira e despreocupada era o n\u00facleo da vida. Que para viver era preciso <em>n\u00e3o viver<\/em> por alguns momentos. Estar t\u00e3o imerso em algo ou t\u00e3o completamente absorvido na pr\u00f3pria exist\u00eancia sem consci\u00eancia que o sentido se apresenta <em>de per si<\/em>.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E com estas duas imagens em mente eu fui transportada quase <em>sobrenaturalmente<\/em> (ha ha ha) para a carta da semana, que estava ali e eu n\u00e3o encontrava palavras para escrever sobre ela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 a carta O Carro. Esse arcanos que tradicionalmente representa a vit\u00f3ria sobre si, mas que \u00e9 <strong>o meio que nos dirige ao pleno espa\u00e7o\/tempo de n\u00f3s mesmos<\/strong>. \u00c9 claro que estar em si, que vestir a pr\u00f3pria pele com conforto, aproveitar o momento, tudo isso tem a ver com esse <em>estar em si<\/em>. Mas \u00e9 um pouco mais, e <em>os olhos podem n\u00e3o conseguir perceber de imediato<\/em>. Essa faceta do carro se apresenta naquele momento em que toda inseguran\u00e7a acaba, em que estamos de tal forma \u00e0 vontade na vida que n\u00e3o \u00e9 preciso nada mais. E n\u00e3o \u00e9 um movimento deliberado, como nas pr\u00e1ticas de mindfulness, ou das pr\u00e1ticas de estar presente no agora. \u00c9 mais que isso. <strong>\u00c9 o momento em que o Carro nos entregou ao nosso destino, ao que viemos fazer neste mundo. E o que viemos fazer \u00e9 simplesmente estar em n\u00f3s mesmos, nada mais \u00e9 necess\u00e1rio<\/strong>. Inclusive para conseguir sair dessa roda viva <strong>\u00e9 o Carro que nos vai\u00a0 levar para onde nasce o Sol<\/strong>. <strong>\u00c9 essa carta que inaugura as jornadas, e inaugura o ser em n\u00f3s.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estar em si mesmo \u00e9 mais que um estado passageiro ou ego\u00edsta; \u00e9 uma pr\u00e1tica de habitar o pr\u00f3prio ser, como quem encontra ref\u00fagio em um lugar sagrado. \u00c9 <strong>um movimento interno de retorno ao que \u00e9 essencial<\/strong>, onde a voz do mundo exterior fica mais baixa e os ru\u00eddos externos diminuem, deixando paisagens \u00edntimas a serem exploradas. Nesse espa\u00e7o a vida ganha novas camadas, uma conex\u00e3o aut\u00eantica com quem se \u00e9. \u00c9 como desembara\u00e7ar os fios de uma tape\u00e7aria: pensamento, mem\u00f3ria, sonho e ferida comp\u00f5em um padr\u00e3o que s\u00f3 faz sentido observado de dentro. \u00c9 o momento em que \u00a0surge a coragem de viver a partir de uma verdade pessoal, mesmo que imperfeita.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 um perigo fazer dessa carta um passaporte para um modo de viver ego\u00edsta e autocentrado. S\u00f3 seremos plenos e teremos um lugar sabendo que tudo est\u00e1 conectado. <strong><em>Que todos os seres sejam felizes<\/em>, este \u00e9 o objetivo<\/strong>. E quando aterrissamos, mesmo que por uma fra\u00e7\u00e3o de segundo, o mundo volta ao lugar. Chegamos em n\u00f3s para percebermos o todo, os outros, o Outro, o diverso. <strong>Sem isso n\u00e3o estamos<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se voc\u00ea recebeu esse presente do carro, voc\u00ea ser\u00e1 sim, nesta semana, um ser privilegiado.<\/p>\n<p><strong>Boa semana, dirijam com seguran\u00e7a e cheguem bem.<\/strong><\/p>\n<table style=\"width: 100%; border-collapse: collapse; background-color: #d2f7fc;\">\n<tbody>\n<tr>\n<td style=\"width: 100%;\">\n<h2 style=\"text-align: center;\">O Carro<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-2437 aligncenter\" src=\"https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/carrop.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"490\" srcset=\"https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/carrop.jpg 350w, https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/carrop-184x300.jpg 184w, https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/carrop-150x245.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A carta de tar\u00f4 O Carro simboliza movimento, progresso e controle. Representa a capacidade de avan\u00e7ar em dire\u00e7\u00e3o aos objetivos com determina\u00e7\u00e3o e nos lembra que somos os condutores de nossas pr\u00f3prias vidas, e que temos o poder de sonhar em direcionar nosso destino. A vit\u00f3ria sobre si mesmo \u00e9 um dos maiores triunfos que podemos alcan\u00e7ar. Significa encontrar a for\u00e7a e a coragem necess\u00e1rias para seguir em frente, mesmo quando as circunst\u00e2ncias parecem desfavor\u00e1veis. \u00c9 um processo que nos permite alcan\u00e7ar um estado de equil\u00edbrio e harmonia interior. Quando combinamos a energia da carta O Carro com a vit\u00f3ria sobre si mesmo, obtemos uma poderosa mensagem de supera\u00e7\u00e3o e realiza\u00e7\u00e3o. L<span style=\"font-family: inherit; font-size: inherit;\">embre-se sempre do poder que voc\u00ea tem dentro de si para conduzir sua pr\u00f3pria jornada e alcan\u00e7ar suas metas. Tenha coragem para enfrentar seus medos e d\u00favidas, e saiba que a verdadeira vit\u00f3ria come\u00e7a quando voc\u00ea volta para o seu lugar.<\/span><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<h2 style=\"text-align: center;\">Um Texto Carruagem<\/h2>\n<h3>Epistola in carcere et vinculis Reading<\/h3>\n<h3><em>Pris\u00e3o de Sua Majestade<\/em><\/h3>\n<h3><em>Caro Bosie,<\/em><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Tenho muito mais pela frente. Tenho montanhas muito mais \u00edngremes a escalar, vales muito mais escuros a atravessar. E tenho de extrair tudo de mim. Nem a Religi\u00e3o, a Moral ou a Raz\u00e3o poder\u00e3o servir-me de ajuda.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>A Moral n\u00e3o me ajuda. Nasci antin\u00f3mico; sou um dos que foram feitos para as excep\u00e7\u00f5es e n\u00e3o para as leis. Mas se percebo que n\u00e3o h\u00e1 nada de errado naquilo que fazemos, vejo tamb\u00e9m que pode haver naquilo em que nos tornamos. E \u00e9 bom ter aprendido isto.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>A Religi\u00e3o n\u00e3o me ajuda. A f\u00e9 que os outros depositam no que n\u00e3o v\u00eaem, eu deposito no que pode ser tocado e observado. Os meus deuses habitam templos feitos com m\u00e3os, e o meu credo torna-se perfeito e completo no c\u00edrculo da experi\u00eancia real; talvez demasiado completo, pois como muitos ou todos os que situaram o seu C\u00e9u neste mundo, eu encontrei nele n\u00e3o apenas a beleza dos C\u00e9us, mas tamb\u00e9m os horrores do Inferno. Quando sucede pensar em religi\u00e3o, sinto que gostaria de fundar uma ordem para aqueles que\u00a0n\u00e3o\u00a0acreditam: a Confraria dos Sem-Pai, como poderia ser chamada, onde num altar onde nenhum c\u00edrio ardesse, um sacerdote em cujo cora\u00e7\u00e3o nenhuma paz encontrasse morada pudesse celebrar com p\u00e3o n\u00e3o consagrado e um c\u00e1lice vazio de vinho. Para ser verdadeira, uma coisa tem de se tornar uma religi\u00e3o. E o agnosticismo, como a f\u00e9, deveria ter o seu ritual. Semeou os seus m\u00e1rtires, deveria colher os seus santos, e louvar Deus diariamente por se ter ocultado ao homem. Mas seja f\u00e9 ou agnosticismo, n\u00e3o pode ser nada exterior a mim. Os seus s\u00edmbolos devem ser de minha lavra. S\u00f3 \u00e9 espiritual o que cria a sua pr\u00f3pria forma. E se n\u00e3o for capaz de encontrar o seu segredo em mim mesmo, ent\u00e3o nunca o encontrarei. Se n\u00e3o o possuir j\u00e1, ent\u00e3o nunca vir\u00e1 a mim.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>A Raz\u00e3o n\u00e3o me ajuda. Diz-me que as leis pelas quais fui condenado s\u00e3o erradas e injustas, e que o sistema no qual sofri \u00e9 errado e injusto. Mas de alguma forma tenho de tornar ambas as coisas justas e certas para mim. E exactamente como na arte s\u00f3 nos preocupa o que uma determinada coisa \u00e9 para n\u00f3s num determinado momento, assim \u00e9 na evolu\u00e7\u00e3o \u00e9tica do nosso car\u00e1cter. Tenho de tornar bom para mim tudo o que me aconteceu. [&#8230;]<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Quero chegar ao ponto em que serei capaz de dizer, com simplicidade e sem afecta\u00e7\u00e3o, que os dois grandes pontos de viragem da minha vida foram quando o meu pai me mandou para Oxford e a sociedade para a pris\u00e3o. N\u00e3o direi que a pris\u00e3o \u00e9 a melhor coisa que poderia ter-me acontecido, pois essa frase teria um travo de excessivo azedume em rela\u00e7\u00e3o a mim. Preferiria dizer, ou que de mim fosse dito, que fui t\u00e3o tipicamente um filho do meu tempo que na minha perversidade, e por causa dela, transformei as coisas boas da minha vida em coisas m\u00e1s e as m\u00e1s em boas. Contudo, aquilo que por mim ou por outros \u00e9 dito importa pouco. O que importa, o que se ergue no meus caminhos, o que tenho de fazer se n\u00e3o quiser permanecer, no que ainda resta dos meus dias, corrompido, desfigurado, e incompleto, \u00e9 absorver na minha natureza tudo o que me fizeram, torn\u00e1-lo parte de mim, aceit\u00e1-lo sem queixumes, medo ou relut\u00e2ncia. A superficialidade \u00e9 o supremo v\u00edcio. Tudo aquilo de que tomamos consci\u00eancia \u00e9 bom.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Assim que fui preso, algumas pessoas aconselharam-me a tentar esquecer quem era. Eram um conselho desastroso. S\u00f3 apercebendo-me do que sou pude encontrar alguma esp\u00e9cie de conforto. Agora outras aconselham-me, quando for libertado, a esquecer que estive na pris\u00e3o. Sei que isso seria igualmente fatal. Significaria que eu seria perpetuamente atormentado por uma sensa\u00e7\u00e3o intoler\u00e1vel de desgra\u00e7a, e aquelas coisas a que tenho tanto direito como qualquer outra pessoa \u2013 a beleza do sol e da lua, o cortejo das esta\u00e7\u00f5es, a melodia da aurora e o sil\u00eancio das grandes noites, a chuva a cair por entre as folhas, ou a geada a deslizar pela relva, tornando-a prateada \u2013 tudo isso estaria manchado, e perderia o seu poder curativo e o seu poder de comunicar alegria. Lamentar as nossas experi\u00eancias \u00e9 travar o nosso desenvolvimento; \u00e9 transformar a nossa pr\u00f3pria vida numa mentira. E \u00e9 tamb\u00e9m uma nega\u00e7\u00e3o da alma.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>Oscar Wilde &#8211; De Profundis<\/strong><\/p>\n<table style=\"width: 100%; border-collapse: collapse; background-color: #faf7eb;\">\n<tbody>\n<tr>\n<td style=\"width: 100%;\">\n<h2 style=\"text-align: center;\">Transporte do Ser<\/h2>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><em>O carro que nos leva para esse lugar dentro de si pode muito bem ser a arte, como sempre.<\/em><\/strong><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<h3 style=\"text-align: center;\">Livro<\/h3>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-2438 aligncenter\" src=\"https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/cristine.jpg\" alt=\"\" width=\"299\" height=\"468\" srcset=\"https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/cristine.jpg 796w, https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/cristine-191x300.jpg 191w, https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/cristine-653x1024.jpg 653w, https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/cristine-768x1204.jpg 768w, https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/cristine-150x235.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 299px) 100vw, 299px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Christine &#8211;\u00a0 Stephen King. <em>Esse foi o \u00fanico livro que me fez sentir medo numa leitura, at\u00e9 hoje. Indico porque \u00e9 uma divers\u00e3o muito boa pra quem curte o g\u00eanero, e porque a despeito de tudo, o Rei Estev\u00e3o \u00e9 um contador de hist\u00f3rias muito competente. Tem o filme tamb\u00e9m, mas n\u00e3o me marcou tanto quanto o livro.<\/em><\/strong><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\">Christine \u00e9 um romance de horror estadunidense com toques de suspense, escrito por Stephen King e publicado em 1983. Conta a hist\u00f3ria de um carro &#8211; um Plymouth Fury 1958 chamado Christine &#8211; que, aparentemente, possui vida pr\u00f3pria.<\/p>\n<hr \/>\n<h3 style=\"text-align: center;\">Filme<\/h3>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-2439 aligncenter\" src=\"https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/missdaisy.jpg\" alt=\"\" width=\"299\" height=\"431\" srcset=\"https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/missdaisy.jpg 350w, https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/missdaisy-208x300.jpg 208w, https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/missdaisy-150x216.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 299px) 100vw, 299px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Conduzindo Miss Daisy &#8211; 1993 &#8211; Bruce Beresford. <em>Um carro que leva dois personagens a um lugar distinto do que tinham ao se conhecerem, Um dos filmes que marcaram minha juventude, e que na \u00e9poca me pareceu bonito, delicado, bem interpretado. Adorei. E\u00a0 o tema tem muito a ver com a carta da semana. \u00c9 um filme que vale \u00e0 pena demais.<\/em><\/strong><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\">No sul dos Estados Unidos, senhora judia de 72 anos reluta em contratar um motorista negro mas, com o passar dos anos e a conviv\u00eancia di\u00e1ria, eles se tornam grandes amigos.<\/p>\n<hr \/>\n<h3 style=\"text-align: center;\">S\u00e9rie<\/h3>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-2440 aligncenter\" src=\"https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/4058780.webp\" alt=\"\" width=\"299\" height=\"444\" srcset=\"https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/4058780.webp 520w, https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/4058780-202x300.webp 202w, https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/4058780-150x222.webp 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 299px) 100vw, 299px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Poder e a Lei. 2022. <em>Essa vai porque o carro leva o personagem principal em sua redescoberta pela vida, em uma segunda chance. \u00c9 uma s\u00e9rie divertida, gostosinha de ver, serve pra dar aquela fritadinha b\u00e1sica no c\u00e9rebro enquanto descansamos.<\/em><\/strong><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\">O famoso advogado Mickey Haller assume os casos mais pol\u00eamicos e complicados da cidade de Los Angeles. Mas sua ambi\u00e7\u00e3o e seus clientes o levam a tramas perigosas e conspira\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<hr \/>\n<h3 style=\"text-align: center;\">\u266b\u00a0Playlist<\/h3>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Drive My Car \u2013 Beatles<\/em><br \/>\n<em>Roberto Carlos \u2013 O Calhambeque<\/em><br \/>\n<em>Pelados em Santos \u2013 Mamonas Assassinas<\/em><br \/>\n<em>Fusc\u00e3o Preto \u2013 Trio Parada Dura<\/em><br \/>\n<em>Mercedes-Benz \u2013 Janis Joplin<\/em><br \/>\n<em>Born To Be Wild \u2013 Steppenwolf<\/em><br \/>\n<em>Ouro de Tolo \u2013 Raul Seixas<\/em><br \/>\n<em>O Bom \u2013 Erasmo Carlos<\/em><br \/>\n<em>The Clash \u2013 Brand New Cadillac<\/em><br \/>\n<em>Kraftwerk \u2013 Autobahn<\/em><br \/>\n<em>Vital e sua moto \u2013 Paralamas do Sucesso<\/em><br \/>\n<em>Rua Augusta \u2013 Ronnie Cord<\/em><\/p>\n<hr \/>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-2449 aligncenter\" src=\"https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/carrogbp.jpg\" alt=\"\" width=\"350\" height=\"347\" srcset=\"https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/carrogbp.jpg 350w, https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/carrogbp-300x297.jpg 300w, https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/carrogbp-150x149.jpg 150w, https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/carrogbp-96x96.jpg 96w\" sizes=\"auto, (max-width: 350px) 100vw, 350px\" \/><\/p>\n<table style=\"width: 100%; border-collapse: collapse; background-color: #cdf7ee;\">\n<tbody>\n<tr>\n<td style=\"width: 100%; text-align: center;\"><em>Que \u00e9 da minha realidade, que s\u00f3 tenho a vida?<\/em><br \/>\n<em>Que \u00e9 de mim, que sou s\u00f3 quem existo?<\/em><br \/>\n<em>Quantos C\u00e9sares fui!<\/em><br \/>\n<em>Na alma, e com alguma verdade;<\/em><br \/>\n<em>Na imagina\u00e7\u00e3o, e com alguma justi\u00e7a;<\/em><br \/>\n<em>Na intelig\u00eancia, e com alguma raz\u00e3o \u2014<\/em><br \/>\n<em>Meu Deus! Meu Deus! Meu Deus!<\/em><br \/>\n<em>Quantos C\u00e9sares fui!<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span class=\"x19la9d6 x1fc57z9 x6ikm8r x10wlt62 x19co3pv x1g5zs5t xfibh0p xiy17q3 x1xsqp64 x1lkfr7t xexx8yu x4uap5 x18d9i69 xkhd6sd\"><span class=\"xrtxmta x1bhl96m\">\u2666\ufe0f<\/span><\/span><br \/>\n<strong>\u00c1lvaro de Campos<\/strong><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Post com a colabora\u00e7\u00e3o de <a href=\"http:\/\/instagram.com\/laismeralda\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">@laismeralda, que \u00e9 a<em>\u00a0melhor cartomante do peda\u00e7o, marque sua consulta com ela.<\/em><\/a><\/span><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Se voc\u00ea leu at\u00e9 aqui, obrigada! Esse \u00e9 o meu almanaque particular. Um peda\u00e7o do meu di\u00e1rio, da minha arca da velha, um registro de pequenas efem\u00e9rides, de coisas que quero guardar, do tempo, do vento, do c\u00e9u e do cheiro da chuva. Os Vest\u00edgios do Dia, meus dias. Aqui s\u00f3 tem refer\u00eancias, pois \u00e9 disso que sou feita.<\/em><\/p>\n<table style=\"width: 100%; border-collapse: collapse; background-color: #fad7d7;\">\n<tbody>\n<tr>\n<td style=\"width: 100%; text-align: center;\">\u00a9 Nalua \u2013 Caderninho pessoal, bauzinho de trapos coloridos, nos morros de Minas Gerais. Ainda chove, n\u00e3o gra\u00e7as a n\u00f3s.<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>como vou viver sem meu carango Belo Horizonte, 09 de fevereiro de 2025 \ud83c\udf26\ufe0f 20\u00ba- 29\u00ba 09 de Fevereiro \u00e9 Dia do Frevo em Pernambuco. 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