{"id":2352,"date":"2024-11-02T20:53:42","date_gmt":"2024-11-02T20:53:42","guid":{"rendered":"https:\/\/nalua.in\/notas\/?p=2352"},"modified":"2024-11-03T02:55:00","modified_gmt":"2024-11-03T02:55:00","slug":"apenas-a-materia-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nalua.in\/notas\/apenas-a-materia-vida\/","title":{"rendered":""},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/telegra.ph\/Cajuina-11-02\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-size: 8pt;\">apenas a mat\u00e9ria vida era t\u00e3o fina<\/span><\/a><br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-2119 aligncenter\" src=\"https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/almanaque-1.jpg\" alt=\"\" width=\"542\" height=\"139\" srcset=\"https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/almanaque-1.jpg 542w, https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/almanaque-1-300x77.jpg 300w, https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/almanaque-1-150x38.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 542px) 100vw, 542px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Belo Horizonte, 03 de novembro de 2024<\/strong><\/p>\n<div class=\"info\">\n<div class=\"temp\" style=\"text-align: center;\"><strong> <span class=\"x19la9d6 x1fc57z9 x6ikm8r x10wlt62 x19co3pv x1g5zs5t xfibh0p xiy17q3 x1xsqp64 x1lkfr7t xexx8yu x4uap5 x18d9i69 xkhd6sd\"><span class=\"xrtxmta x1bhl96m\">\u2614<\/span><\/span><span class=\"low\">19\u00b0-\u00a0 <\/span>27\u00b0<\/strong><\/div>\n<div>\n<hr \/>\n<div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><strong>3 de novembro<\/strong> \u00e9 o Dia da institui\u00e7\u00e3o do direito de voto da mulher no Brasil.\u00a0 Em <strong>1793<\/strong> a dramaturga, ativista pol\u00edtica, feminista e abolicionista francesa <span style=\"text-decoration: underline;\">Olympe de Gouges<\/span> foi guilhotinada. Em <strong>1930<\/strong> <span style=\"text-decoration: underline;\">Get\u00falio Vargas<\/span> tomou posso como Presidente do Brasil. Em <strong>1953<\/strong> estreou um dos mais belos e importantes filmes da hist\u00f3ria do cinema, <span style=\"text-decoration: underline;\">Era Uma Vez em T\u00f3quio<\/span>, dirigido por Yasujir\u014d Ozu. Em <strong>1957<\/strong> a cachorrinha <span style=\"text-decoration: underline;\">Laika<\/span> foi lan\u00e7ada ao espa\u00e7o pela Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica se tornando o primeiro ser vivo no espa\u00e7o. Infelizmente n\u00e3o era previsto que a pobrezinha voltasse. Em <strong>1993<\/strong> estreou a s\u00e9rie\/sitcom <span style=\"text-decoration: underline;\">The Nanny<\/span> (algu\u00e9m lembra? Eu via e gostava). Em <strong>1998<\/strong> estreou o filme vencedor do Oscar <span style=\"text-decoration: underline;\">Shakespeare Apaixonado<\/span>. Em <strong>1928<\/strong> nasceu <span style=\"text-decoration: underline;\">Osamu Tezuka<\/span>, em <strong>1959<\/strong> <span style=\"text-decoration: underline;\">Hal Hartley<\/span>. Em <strong>1867<\/strong> morreu <span style=\"text-decoration: underline;\">Domitila de Castro Canto e Melo<\/span> e em <strong>2023<\/strong> partiu <span style=\"text-decoration: underline;\">Eliz\u00e2ngela<\/span><\/div>\n<div>\n<hr \/>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-2353 aligncenter\" src=\"https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/tirinha492.png\" alt=\"\" width=\"352\" height=\"866\" srcset=\"https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/tirinha492.png 500w, https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/tirinha492-122x300.png 122w, https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/tirinha492-416x1024.png 416w, https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/tirinha492-150x369.png 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 352px) 100vw, 352px\" \/><\/p>\n<\/div>\n<div>\n<hr \/>\n<div><\/div>\n<div style=\"text-align: center;\"><em>Quando me perguntam<\/em><br \/>\n<em>como comecei a escrever poesia,<\/em><br \/>\n<em>eu falo da indiferen\u00e7a da natureza.<\/em><br \/>\n<em>Foi logo depois que minha m\u00e3e faleceu,<\/em><br \/>\n<em>um brilhante dia de junho<\/em><br \/>\n<em>no qual tudo florescia.<\/em><br \/>\n<em>Sentei-me em um banco de pedra acinzentado<\/em><br \/>\n<em>em um jardim carinhosamente cultivado,<\/em><br \/>\n<em>mas os l\u00edrios eram t\u00e3o surdos<\/em><br \/>\n<em>quanto os b\u00eabados adormecidos<\/em><br \/>\n<em>e as rosas encurvadas para dentro.<\/em><br \/>\n<em>Nada estava enlutado ou quebrado,<\/em><br \/>\n<em>nem uma folha caiu<\/em><br \/>\n<em>e o sol ressoava infindos comerciais<\/em><br \/>\n<em>de f\u00e9rias de ver\u00e3o.<\/em><br \/>\n<em>Sentei-me em um banco de pedra acinzentado<\/em><br \/>\n<em>cercado das ing\u00eanuas faces<\/em><br \/>\n<em>das rosas e das n\u00e3o-me-toques brancas<\/em><br \/>\n<em>e depositei minha dor<\/em><br \/>\n<em>na boca da linguagem,<\/em><br \/>\n<em>a \u00fanica coisa que sofreria comigo.<\/em><\/div>\n<div style=\"text-align: center;\"><span class=\"x19la9d6 x1fc57z9 x6ikm8r x10wlt62 x19co3pv x1g5zs5t xfibh0p xiy17q3 x1xsqp64 x1lkfr7t xexx8yu x4uap5 x18d9i69 xkhd6sd\" style=\"font-size: 18pt;\"><span class=\"xrtxmta x1bhl96m\">\u2660\ufe0f<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: center;\">\n<hr \/>\n<\/div>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">No dia 3 de novembro de 1977, alguns dias ap\u00f3s a morte de sua m\u00e3e, Roland Barthes escreveu em seu di\u00e1rio do luto:<\/h2>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"text-decoration: underline;\"><strong>3 de novembro<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Por um lado, ela me pede tudo, todo o luto, seu absoluto\u00a0(mas ent\u00e3o n\u00e3o \u00e9 ela, sou eu que a encarrego de me pedir isso).\u00a0E, por outro lado (sendo ent\u00e3o de fato ela mesma), ela me recomenda\u00a0a leveza, a vida, como se me dissesse ainda: &#8220;v\u00e1, saia,\u00a0distraia-se &#8230; &#8220;<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>Roland Barthes &#8211; Di\u00e1rio de Luto &#8211; Ed, Martins Fontes<\/strong><\/p>\n<hr \/>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>O bom nome \u00e9 melhor do que um perfume fin\u00edssimo, e o dia da morte \u00e9 melhor do que o dia do nascimento.<\/em><br \/>\n<strong>Eclesiastes 7:1<\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n<h2 style=\"text-align: center;\">O Sal\u00e1rio do Pecado<\/h2>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-2354 aligncenter\" src=\"https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/9deespadasp.jpg\" alt=\"\" width=\"350\" height=\"626\" srcset=\"https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/9deespadasp.jpg 350w, https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/9deespadasp-168x300.jpg 168w, https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/9deespadasp-150x268.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 350px) 100vw, 350px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hoje \u00e9 domingo, 3 de novembro de 2024. Um dia depois do dia de Finados. E para hoje eu <strong>escolhi<\/strong> essa carta. Ela j\u00e1 tinha sa\u00eddo como or\u00e1culo num dia em que por motivo diverso eu n\u00e3o pude postar. E como \u00e9 em geral uma carta assustadora, resolvi deixar para o domingo seguinte ao Dia de Finados. Ou seja, <strong>n\u00e3o \u00e9 uma carta sobre a sorte da semana, n\u00e3o foi realmente sorteada<\/strong>, embora sempre possamos contar com a dimens\u00e3o m\u00e1gica do tar\u00f4. O que significa dizer que <strong>n\u00e3o \u00e9 a sua \u201csorte da semana\u201d<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa carta \u00e9 uma das mais famigeradas do tar\u00f4, o Nove de Espadas. Para o momento <strong>o luto \u00e9 a reflex\u00e3o desta carta<\/strong>, embora ela tenha alguns outros significados. \u00c9 sobre essa condi\u00e7\u00e3o que existe a reflex\u00e3o desde ontem, ainda que na dimens\u00e3o coletiva, social. \u00c9 o momento para <strong>refletir sobre as pessoas que perdemos durante nossa vida<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Todas as culturas ou quase todas, t\u00eam rituais para a lembran\u00e7a e honra dos mortos<\/strong>. <strong>Todas as religi\u00f5es s\u00e3o negocia\u00e7\u00f5es com nosso medo da morte<\/strong>. <strong>Erigimos civiliza\u00e7\u00f5es inteiras, modos de vida, arte, cultura ci\u00eancia etc, tudo por causa do nosso medo da morte<\/strong>. E perder algu\u00e9m nos confronta com a realidade inescap\u00e1vel da Indesejada das Gentes, para al\u00e9m da dor da pr\u00f3pria perda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Perder algu\u00e9m que amamos \u00e9 uma das piores experi\u00eancias da exist\u00eancia<\/strong>, e muito dificilmente algu\u00e9m chega \u00e0 idade adulta sem ter perdido ningu\u00e9m importante. <strong>E o luto \u00e9 essa onda avassaladora que nos atordoa e dita toda nossa experi\u00eancia quando chega<\/strong>. <strong>O luto<\/strong>, como bem disse uma amiga, <strong>n\u00e3o \u00e9 um momento, o luto \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o<\/strong>. Que vai acompanhar a nossa restante vida. O luto pode ser destruidor, muitas pessoas n\u00e3o conseguem se recuperar dessa condi\u00e7\u00e3o. E \u00e0 parte os preceitos que dizem que o luto nos torna melhores, que \u00e9 um aprendizado etc., (todos preferir\u00edamos n\u00e3o passar por esse aprendizado) <strong>o luto realmente reorganiza o que somos, o que fazemos e o que pensamos<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma pessoa amada quando morre, parece enterrar com ela toda hist\u00f3ria que viveu conosco que ficamos, pensamos que esse peda\u00e7o da nossa hist\u00f3ria seria acabado com o momento em que a outra pessoa finda. Mas como disse Hemingway numa carta bel\u00edssima, <em>ningu\u00e9m que amamos realmente est\u00e1 morto<\/em>. <strong>A hist\u00f3ria que vivemos est\u00e1 em n\u00f3s, est\u00e1 conosco<\/strong>. Outra frase muito famosa e muito certeira \u00e9 a que foi escrita pelo psiquiatra Colin Murray Parkes: <em>O luto \u00e9 o pre\u00e7o do amor<\/em>. Se o luto \u00e9 imenso \u00e9 porque o amor e a hist\u00f3ria que temos com aquela pessoa tamb\u00e9m foi imenso. O sofrimento acontece tamb\u00e9m por toda a hist\u00f3ria que n\u00e3o teremos mais com aquela pessoa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Falo do luto pelas pessoas amadas, mas ele n\u00e3o se limita a isso, sabemos. Existem v\u00e1rios lutos, e todos s\u00e3o dolorosos e nos jogam em outra dimens\u00e3o, mas o foco em seguida ao Dia de Finados, s\u00e3o as pessoas amadas que se foram. Ou as pessoas que, se n\u00e3o eram amadas, representaram um papel importante na nossa hist\u00f3ria. E em geral, a <strong>nossa pr\u00f3pria hist\u00f3ria fica muito importante no momento do luto<\/strong>, \u00e9 uma esquina rumo ao desconhecido que \u00e9 dobrada, <strong>entramos no luto e n\u00e3o sabemos como vamos sair<\/strong>. Podemos sair mais fortes ou com uma hist\u00f3ria melhor. J\u00e1 dizia Hannah Arend, <em>\u201cToda dor pode ser suportada se sobre ela puder ser contada uma hist\u00f3ria\u201d<\/em>. <strong>\u00c9 a\u00ed que pode estar uma das viradas do sofrimento atroz do luto, quando entendemos que os mortos vivem em n\u00f3s e n\u00e3o se acabam enquanto viverem na lembran\u00e7a de algu\u00e9m, que h\u00e1 uma hist\u00f3ria sobre eles e sobre n\u00f3s<\/strong>. Essa vida na lembran\u00e7a \u00e9 uma vida ativa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Nove de Espadas, entre outras coisas \u00e9 essa dor atroz da perda de um ser amado. <strong>\u00c9 nosso confronto com a mortalidade. \u00c9 o fim de um mundo como conhec\u00edamos<\/strong>. Ele \u00e9 o lamento sobre nossas perdas. A reflex\u00e3o de hoje \u00e9 sobre isso. <strong>\u00c9 sobre saber encontrar dentro de si tudo que foi vivido com a pessoa que se foi<\/strong>. Porque essa hist\u00f3ria vivida n\u00e3o n\u00e3o morre. <strong>As pessoas que amamos est\u00e3o vivas em n\u00f3s, sempre<\/strong>. <strong>E reconfiguram a nossa hist\u00f3ria quando se v\u00e3o<\/strong>, ainda que pare\u00e7a que o nosso novo estado \u00e9 um estado quebrado, roto, incompleto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Muito j\u00e1 foi dito e escrito sobre o luto, o luto realmente \u00e9 esse abismo, esse toque no que \u00e9 transcendente, n\u00e3o precisamos nos alongar mais, al\u00e9m de honrar o 9 de espadas e dizer que ele pede uma reflex\u00e3o sobre os lutos de nossa estrada, \u00e9 um bom momento para isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Existe vida pela frente quando perdemos algu\u00e9m, ainda precisamos nos reorganizar para seguir em frente. E se o sofrimento \u00e9 atroz, a hist\u00f3ria de cada um de n\u00f3s fica mais rica.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Boa semana, <a href=\"https:\/\/telegra.ph\/Encontro-em-Samarra-11-02\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">nos vemos em Samarra<\/a> qualquer dia destes.<\/p>\n<table style=\"width: 100%; border-collapse: collapse; background-color: #f7f4e1;\">\n<tbody>\n<tr>\n<td style=\"width: 100%;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-2355 aligncenter\" src=\"https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/9despadasp.jpg\" alt=\"\" width=\"350\" height=\"582\" srcset=\"https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/9despadasp.jpg 350w, https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/9despadasp-180x300.jpg 180w, https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/9despadasp-150x249.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 350px) 100vw, 350px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A carta de tar\u00f4 9 de espadas \u00e9 frequentemente associada ao luto e \u00e0 tristeza. Ela representa a ang\u00fastia, a preocupa\u00e7\u00e3o e a dor emocional que acompanham a perda de algu\u00e9m querido. Quando essa carta aparece em uma leitura de tar\u00f4, ela sugere que a pessoa est\u00e1 passando por um per\u00edodo de profundo sofrimento e tristeza. A perda de algu\u00e9m pr\u00f3ximo pode desencadear uma s\u00e9rie de emo\u00e7\u00f5es intensas, como tristeza, raiva, culpa e desespero. O 9 de espadas reflete essa intensidade emocional e a sensa\u00e7\u00e3o de estar sobrecarregado pela dor. Embora o 9 de espadas represente um momento de profunda tristeza e luto, ele tamb\u00e9m oferece uma mensagem de prosseguimento. Assim como todas as cartas do tar\u00f4, essa carta \u00e9 um lembrete de que as emo\u00e7\u00f5es s\u00e3o inevit\u00e1veis e que o sofrimento eventualmente dar\u00e1 lugar \u00e0 cura. O luto \u00e9 um processo dif\u00edcil, mas com o tempo e o apoio adequado, \u00e9 poss\u00edvel encontrar significado com a sua passagem. Durante esse per\u00edodo desafiador, \u00e9 fundamental permitir-se sentir todas as emo\u00e7\u00f5es que surgem, e lembrar que n\u00e3o h\u00e1 receita nem prescri\u00e7\u00e3o, cada luto \u00e9 um abismo pr\u00f3prio que \u00e9 preciso enfrentar por si. Nosso alento \u00e9 que essa n\u00e3o \u00e9 a carta da semana, a n\u00e3o ser como reflex\u00e3o.<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<h2 style=\"text-align: center;\">S\u00f3 perdemos o que n\u00e3o temos<\/h2>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: center;\"><strong>A posse do ontem<\/strong><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\"><em>Sei que perdi tantas coisas que eu n\u00e3o poderia cont\u00e1-las e que essas perdas s\u00e3o agora o que \u00e9 meu. Sei que perdi o amarelo e o preto e penso nessas imposs\u00edveis cores. Como n\u00e3o pensam os que v\u00eaem. O meu pai morreu e est\u00e1 sempre a meu lado. Quando quero escandir os versos de Swinburne, fa\u00e7o-o, dizem-me, com a voz dele. Il\u00edon passou, mas Il\u00edon perdura do hex\u00e1gono a que chora. Israel aconteceu quando era uma antiga nostalgia. Todo o poema, com o tempo, \u00e9 uma elegia. Nossas s\u00e3o as mulheres que nos deixaram, j\u00e1 n\u00e3o sujeitos \u00e0 v\u00e9spera, que \u00e9 ang\u00fastia e aos alarmes e terrores da esperan\u00e7a. N\u00e3o h\u00e1 outros para\u00edsos que n\u00e3o sejam para\u00edsos perdidos.<\/em><\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: center;\"><span class=\"x19la9d6 x1fc57z9 x6ikm8r x10wlt62 x19co3pv x1g5zs5t xfibh0p xiy17q3 x1xsqp64 x1lkfr7t xexx8yu x4uap5 x18d9i69 xkhd6sd\"><span class=\"xrtxmta x1bhl96m\">\u2660\ufe0f<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: center;\"><strong>Jorge Luis Borges\u00a0<\/strong><\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<\/div>\n<table style=\"width: 100%; border-collapse: collapse; background-color: #f2d7f7;\">\n<tbody>\n<tr>\n<td style=\"width: 100%;\">\n<h2 style=\"text-align: center;\">\u00a0Toda nossa arte \u00e9 uma tentativa de escapar do luto<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>Eu me interesso muito sobre literatura e luto, cinema e luto. Tenho uma lista que est\u00e1 um pouco desatualizada, com cerca de 100 livros sobre luto, livros que li e livros que quero ler. <a href=\"https:\/\/ler.nalu.in\/literatura-e-luto\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Est\u00e1 aqui<\/a>. A arte sobre o luto \u00e9 maravilhosa, talvez porque esse seja o sentimento mais abissal que experimentamos e precisamos saber, e jamais saberemos.<\/strong><\/em><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<h3 style=\"text-align: center;\">Livros<\/h3>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-2356 aligncenter\" src=\"https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/de-amor-e-trevas.jpg\" alt=\"\" width=\"297\" height=\"425\" srcset=\"https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/de-amor-e-trevas.jpg 454w, https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/de-amor-e-trevas-210x300.jpg 210w, https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/de-amor-e-trevas-150x215.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 297px) 100vw, 297px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>De Amor e Trevas &#8211; Am\u00f3s Oz.<em> Esse livro est\u00e1 entre os 5 livros que eu mais amo. \u00c9 a hist\u00f3ria que am\u00f3s Oz conta sobre a morte da sua m\u00e3e, e conta em paralelo com a hist\u00f3ria dos judeus na Europa. \u00e9 a hist\u00f3ria de uma m\u00e3e que se mata e que deixa num filho pequeno uma marca indel\u00e9vel, uma tristeza incomensur\u00e1vel e que faz com que ele leve mais de 70 anos para conseguir falar sobre. \u00c9 muito bonito, obviamente bem escrito, \u00e9 Oz. \u00c9 hist\u00f3rico. E triste. Mas vale demais a leitura, n\u00e3o tenho como recomendar mais.<\/em><\/strong><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre a autobiografia e o romance, De amor e trevas \u00e9 a extraordin\u00e1ria recria\u00e7\u00e3o dos caminhos percorridos por Israel no s\u00e9culo XX. O livro extrai sua grandeza da simplicidade de um gesto narrativo que faz do olhar de um menino o fio condutor de uma hist\u00f3ria vigorosa e bela da constitui\u00e7\u00e3o da identidade de um garoto e uma na\u00e7\u00e3o. Essa conflu\u00eancia \u00e9 sintetizada em cenas que marcaram a mem\u00f3ria do escritor. Confrontado com o suic\u00eddio da m\u00e3e aos doze anos, tr\u00eas anos depois Oz declara sua independ\u00eancia e volta as costas para o mundo em que crescera a fim de assumir uma nova identidade num novo lugar: o kibutz Hulda, na fronteira com o mundo \u00e1rabe.<\/p>\n<hr \/>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-2357 aligncenter\" src=\"https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/sonhei.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"450\" srcset=\"https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/sonhei.jpg 667w, https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/sonhei-200x300.jpg 200w, https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/sonhei-150x225.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p><strong>Sonhei que a neve fervia &#8211; Fal Azevedo. <em>\u00c9 um dos meus preferidos tamb\u00e9m, e \u00e9 um livro que fez uma revolu\u00e7\u00e3o dentro de mim. Eu j\u00e1 li mais de uma vez e toda vez fico igualmente emocionada. Recomendo demais.\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cN\u00e3o deixe que a dor cale suas palavras\u201d, dizia o e-mail que a escritora e tradutora Fal Azevedo recebeu dias ap\u00f3s a morte do marido, Alexandre, em agosto de 2007. Mas como continuar depois uma perda como essa? Como acordar, escovar os dentes, trabalhar? A incredulidade, a raiva e a tristeza, e tamb\u00e9m o relato do amor de uma vida e da solidariedade e carinhos oferecidos por amigos e desconhecidos est\u00e3o em Sonhei que a neve fervia, novo livro da autora de Min\u00fasculos assassinatos e alguns copos de leite.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E em meio \u00e0 dor, Fal (re)encontrou sua voz \u2013 culta, engra\u00e7ada, ferina, auto-depreciativa, mas, ao mesmo tempo, brutalmente honesta e transparente. \u00c9 pela escrita \u2013 seja por meio de textos publicados em seu blog, o popular \u201cDrops da Fal\u201d, reflex\u00f5es, e-mails e mensagens de amigos e seguidores do site \u2013 que o leitor acompanha a jornada da autora. \u00c0s vezes, impotente diante da impossibilidade de mitigar um sofrimento t\u00e3o al\u00e9m do que parece ser poss\u00edvel; outras, com um sorriso no rosto e uma gargalhada ao ler um coment\u00e1rio espirituoso. Entre detalhes do cotidiano, como os transtornos causados por um cano furado, e reflex\u00f5es sobre o luto e a luta, Fal Azevedo deixa um testamento de sua hist\u00f3ria \u2013 a hist\u00f3ria de um grande amor. Por isso mesmo t\u00e3o singular, e t\u00e3o universal.<\/p>\n<hr \/>\n<h3 style=\"text-align: center;\">Filme<\/h3>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-2358 aligncenter\" src=\"https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/libazul.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"419\" srcset=\"https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/libazul.jpg 382w, https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/libazul-215x300.jpg 215w, https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/libazul-150x209.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A Liberdade \u00e9 Azul &#8211; Krzysztof Kie\u015blowski &#8211; 1993. <em>Um dos filmes mais bonitos que voc\u00ea vai ver na sua vida. O meu favorito sobre luto, sobre perda. Lindo, triste, tocante demais. Uma obra prima. Tamb\u00e9m \u00e9 dos que est\u00e3o no meu Olimpo.\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<hr \/>\n<div class=\"wDYxhc\" data-md=\"50\" data-hveid=\"CCMQAA\" data-ved=\"2ahUKEwiYrfWgvr6JAxWlK7kGHcz8JvcQkCl6BAgjEAA\">\n<div class=\"PZPZlf hb8SAc IFvyDb\" data-attrid=\"description\" data-hveid=\"CCMQAQ\" data-ved=\"2ahUKEwiYrfWgvr6JAxWlK7kGHcz8JvcQziAoAHoECCMQAQ\">\n<div>\n<div>\n<div class=\"kno-rdesc\">\n<div class=\"css-dykg55 ebxtm6017\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Julie perde sua filha e o marido compositor em um tr\u00e1gico acidente de carro. Agora sozinha, ela abandona sua antiga identidade e explora sua nova liberdade. Por\u00e9m, descobre que est\u00e1 ligada a outros humanos, incluindo a amante do marido, cuja exist\u00eancia ela nunca suspeitou.<\/p>\n<hr \/>\n<h3 style=\"text-align: center;\">S\u00e9rie<\/h3>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"wDYxhc\" data-attrid=\"kc:\/film\/film:theatrical region aware release date\" data-md=\"1001\" data-hveid=\"CCAQAA\" data-ved=\"2ahUKEwiYrfWgvr6JAxWlK7kGHcz8JvcQkCl6BAggEAA\">\n<div class=\"Z1hOCe\">\n<div class=\"zloOqf PZPZlf\" data-ved=\"2ahUKEwiYrfWgvr6JAxWlK7kGHcz8JvcQyxMoAHoECCAQAQ\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-2360 aligncenter\" src=\"https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/0298185.webp\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"420\" srcset=\"https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/0298185.webp 426w, https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/0298185-214x300.webp 214w, https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/0298185-150x210.webp 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\" data-ved=\"2ahUKEwiYrfWgvr6JAxWlK7kGHcz8JvcQyxMoAHoECCAQAQ\"><strong>After Life &#8211; 2019-2022 &#8211; Ricky Gervais. <em>J\u00e1 indiquei essa s\u00e9rie. Gosto demais dela, \u00e9 uma grande hist\u00f3ria sobre luto, sobre o abismo que \u00e9 o luto.\u00a0<\/em><\/strong><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\" data-ved=\"2ahUKEwiYrfWgvr6JAxWlK7kGHcz8JvcQyxMoAHoECCAQAQ\">\n<hr \/>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;After Life&#8221;, a s\u00e9rie, parte do ponto cinza em que luto se inicia: sobreviver a uma grande perda. Ao longo de 18 epis\u00f3dios, obedece o vai e vem dos ciclos ca\u00f3ticos do processo, temperados pelo humor \u00e1cido, a raiva e o desencanto com a vida do personagem central, Tony, cuja mulher, Lisa, morreu, v\u00edtima de um c\u00e2ncer. <i>After Life<\/i>\u00a0se desenvolve em torno de Tony, cuja vida \u00e9 virada de cabe\u00e7a para baixo depois que sua esposa morre de\u00a0c\u00e2ncer de mama. Ele contempla o\u00a0suic\u00eddio, mas decide viver o suficiente para punir o mundo pela morte de sua esposa, dizendo e fazendo o que der na telha. Embora ele pense nisso como seu &#8220;superpoder&#8221;, seu plano \u00e9 prejudicado quando todos ao seu redor tentam torn\u00e1-lo uma pessoa melhor<\/p>\n<hr \/>\n<h3 style=\"text-align: center;\">HQ<\/h3>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-2361 aligncenter\" src=\"https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/diariodomeupai.jpg\" alt=\"\" width=\"350\" height=\"498\" srcset=\"https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/diariodomeupai.jpg 350w, https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/diariodomeupai-211x300.jpg 211w, https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/diariodomeupai-150x213.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 350px) 100vw, 350px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Di\u00e1rio do Meu Pai &#8211; Jiro Taniguchi. Uma HQ delicada e nost\u00e1lgica. Uma reflex\u00e3o sobre o luto e o remorso. Uma bonita mensagem sobre o estrago que a incomunicabilidade causa e sobre as consequ\u00eancias do ser tarde demais.<\/strong><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span class=\"a-text-bold\">Premiado no Festival de Angoul\u00eame e pelo restante da Europa, conhe\u00e7a um dos maiores cl\u00e1ssicos de Jiro Taniguchi! Um mang\u00e1 po\u00e9tico e comovente sobre fam\u00edlia, ra\u00edzes e a necessidade de redescobrirmos nossas pr\u00f3prias mem\u00f3rias.\u00a0<\/span>Yoichi Yamashita se distanciou do pr\u00f3prio pai. Absorvido pelo trabalho e remoendo o rancor de algumas mem\u00f3rias turvas, ele n\u00e3o o visita h\u00e1 mais de uma d\u00e9cada e guarda poucas lembran\u00e7as boas sobre a conviv\u00eancia entre eles. Por isso, quando recebe a not\u00edcia da morte do pai pelo telefone e se v\u00ea obrigado a viajar para Tottori, sua terra natal, para o vel\u00f3rio, Yoichi n\u00e3o sabe muito bem como se sentir&#8230; nem o que esperar. Mas conversando com familiares e pessoas que o conheceram, ele aos poucos descobre um homem totalmente diferente do que se lembrava. \u00c0 medida que rememora imagens de um inc\u00eandio que devastou a cidade, uma dif\u00edcil separa\u00e7\u00e3o, e a chegada de uma nova \u201cm\u00e3e\u201d, aquele que antes lhe parecera somente uma figura paterna ausente e fria come\u00e7a a se tornar um personagem mais complexo.Essa HQ foi vencedora do Pr\u00eamio do J\u00fari no Festival de Angoul\u00eame; considerada o Melhor Cl\u00e1ssico no Festival Amadora, em Portugal; ganhou o pr\u00eamio Attilio Micheluzzi, na It\u00e1lia; o Sproing, na Noruega; foi indicada ao Eisner como Melhor Publica\u00e7\u00e3o Estrangeira nos EUA e, na Espanha, venceu o Haxtur, a Feira Internacional de Quadrinhos de Madrid e o Sal\u00e3o Internacional de Quadrinhos de Barcelona.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\">\u266b Playlist<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Ne me quitte pas \u2013 Nina Simone<\/em><br \/>\n<em>O Div\u00e3 \u2013 Roberto Carlos<\/em><br \/>\n<em>Noites Trai\u00e7oeiras \u2013 Pe. Marcelo Rossi<\/em><br \/>\n<em>Tears in Heaven \u2013 Eric Clapton<\/em><br \/>\n<em>Cora\u00e7\u00e3o de Luto \u2013 Teixeirinha<\/em><br \/>\n<em>The Scientist \u2013 Coldplay<\/em><br \/>\n<em>Love In The Afternoon \u2013 Legi\u00e3o Urbana<\/em><br \/>\n<em>Naquela Mesa \u2013 Nelson Gon\u00e7alves<\/em><br \/>\n<em>Black \u2013 Pearl Jam<\/em><br \/>\n<em>Vento No Litoral \u2013 Legi\u00e3o Urbana<\/em><br \/>\n<em>Hurt \u2013 Johnny Cash<\/em><br \/>\n<em>Canto Para a Minha Morte \u2013 Raul Seixas<\/em><br \/>\n<em>N\u00e3o tenho medo da morte \u2013 Gilberto Gil<\/em><br \/>\n<em>Epit\u00e1fio \u2013 Tit\u00e3s<\/em><br \/>\n<em>Grief \u2013 Nick Cave<\/em><br \/>\n<em>Death With Dignity \u2013 Sufjan Stevens<\/em><br \/>\n<em>Like a Stone \u2013 Audioslave<\/em><br \/>\n<em>Beloved \u2013 Mumford &amp; Sons<\/em><br \/>\n<em>Morte de um poeta \u2013 Alcione<\/em><br \/>\n<em>Aonde Quer que eu V\u00e1 \u2013 Paralamas do Sucesso<\/em><br \/>\n<em>The Scientist \u2013 Coldplay<\/em><br \/>\n<em>American Pie \u2013 Don McLean<\/em><\/p>\n<hr \/>\n<h3 style=\"text-align: center;\">Link<\/h3>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/videosaude.icict.fiocruz.br\/filmes\/lacos-e-nos-tecendo-historias-do-luto-por-suicidio\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Um document\u00e1rio sobre o luto de pessoas que se suicidaram<\/a><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>A dor pela morte de uma pessoa amada, quando chega, n\u00e3o se parece nada com o que esper\u00e1vamos. N\u00e3o foi o que senti quando meus pais morreram: meu pai morreu quando faltavam poucos dias para seu anivers\u00e1rio de oitenta e cinco anos, e minha m\u00e3e um m\u00eas antes de completar noventa e um, ambos depois de v\u00e1rios anos de crescente debilidade. O que senti em ambas as ocasi\u00f5es foi tristeza, solid\u00e3o (a solid\u00e3o do filho abandonado, qualquer que seja a idade), pesar pelo tempo perdido, pelas coisas n\u00e3o ditas, pela minha incapacidade de compartilhar ou at\u00e9 mesmo de admitir de forma real, no fim, a dor, a impot\u00eancia e a humilha\u00e7\u00e3o f\u00edsica que ambos experimentaram. Eu entendia que a morte dos dois era inevit\u00e1vel. Tinha passado a vida esperando (temendo, antecipando, imaginando) aquelas mortes. Quando por fim chegaram, permaneceram a certa dist\u00e2ncia, separadas do cotidiano da minha vida. Depois da morte de minha m\u00e3e, recebi uma carta de um amigo de Chicago, um antigo sacerdote Maryknoll, que intuiu com precis\u00e3o o que eu sentia. A morte de um dos progenitores, escreveu ele, \u201capesar de estarmos preparados e, na verdade, apesar de nossa idade, desloca coisas profundas em n\u00f3s, desencadeia rea\u00e7\u00f5es que nos surpreendem e que podem libertar mem\u00f3rias e sentimentos que julg\u00e1vamos h\u00e1 muito esquecidos. No per\u00edodo indeterminado que chamamos de luto, \u00e9 como se estiv\u00e9ssemos em um submarino, em sil\u00eancio sobre o leito do oceano, sentindo a carga da profundidade, ora perto ora longe, a\u00e7oitados por recorda\u00e7\u00f5es.\u201d<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>O Ano do Pensamento M\u00e1gico &#8211; Joan Didion<\/strong><\/p>\n<table style=\"width: 100%; border-collapse: collapse; background-color: #bdf2da;\">\n<tbody>\n<tr>\n<td style=\"width: 100%; text-align: center;\"><em>Se algu\u00e9m perguntar<\/em><br \/>\n<em>aonde foi Sokan<\/em><br \/>\n<em>diga apenas:<\/em><br \/>\n<em>\u201cTinha coisas a fazer<\/em><br \/>\n<em>no outro mundo\u201d.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Yamazaki Sokan <\/strong><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<div id=\"post-wrapper\" class=\"post-wrapper\">\n<article id=\"post-917\" class=\"post-917 post type-post status-publish format-standard hentry category-almanaque category-carta-semanal category-jardim category-newsletter category-oraculo\">\n<div class=\"entry-content\">\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Post com a colabora\u00e7\u00e3o de\u00a0<a href=\"http:\/\/instagram.com\/laismeralda\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">@laismeralda, que \u00e9 a<em>\u00a0melhor cartomante do peda\u00e7o, marque sua consulta com ela.<\/em><\/a><\/span><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Se voc\u00ea leu at\u00e9 aqui, obrigada! Esse \u00e9 o meu almanaque particular. Um peda\u00e7o do meu di\u00e1rio, da minha arca da velha, um registro de pequenas efem\u00e9rides, de coisas que quero guardar, do tempo, do vento, do c\u00e9u e do cheiro da chuva. Os Vest\u00edgios do Dia, meus dias. Aqui s\u00f3 tem refer\u00eancias, pois \u00e9 disso que sou feita.<\/em><\/p>\n<table style=\"width: 100%; border-collapse: collapse; background-color: #f5d3d3;\">\n<tbody>\n<tr>\n<td style=\"width: 99.9475%; text-align: center;\">\u00a9 Nalua \u2013 Caderninho pessoal, bauzinho de trapos coloridos, nos morros de Minas Gerais. Primavera e muita gente estranha.<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-size: 8pt;\">3 de novembro\u00a0\u00e9 o 307.\u00ba dia do ano no calend\u00e1rio gregoriano (308.\u00ba em anos bissextos). Faltam 58 dias para acabar o ano.<\/span><\/p>\n<\/div>\n<\/article>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>apenas a mat\u00e9ria vida era t\u00e3o fina Belo Horizonte, 03 de novembro de 2024 \u261419\u00b0-\u00a0 27\u00b0 3 de novembro \u00e9 o Dia da institui\u00e7\u00e3o do [&#8230;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-2352","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-almanaque"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2352","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2352"}],"version-history":[{"count":12,"href":"https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2352\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2373,"href":"https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2352\/revisions\/2373"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2352"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2352"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2352"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}