{"id":2258,"date":"2024-09-14T16:04:50","date_gmt":"2024-09-14T16:04:50","guid":{"rendered":"https:\/\/nalua.in\/notas\/?p=2258"},"modified":"2024-09-15T02:31:38","modified_gmt":"2024-09-15T02:31:38","slug":"parece-bolero","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nalua.in\/notas\/parece-bolero\/","title":{"rendered":""},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/telegra.ph\/Anos-Dourados-09-14\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-size: 8pt;\">parece bolero<\/span><\/a><br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-2119 aligncenter\" src=\"https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/almanaque-1.jpg\" alt=\"\" width=\"542\" height=\"139\" srcset=\"https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/almanaque-1.jpg 542w, https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/almanaque-1-300x77.jpg 300w, https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/almanaque-1-150x38.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 542px) 100vw, 542px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Belo Horizonte, 15 de Setembro de 2024<br \/>\nPrevis\u00e3o do tempo: <em>est\u00e3o nos matando<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\ud83e\udd75<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em <strong>15 de setembro de 1928 <\/strong><span style=\"text-decoration: underline;\">Alexander Fleming<\/span> descobre a penincilina enquanto estudava a bact\u00e9ria staphylococcus, e gra\u00e7as a ele ainda estamos aqui.<strong>\u00a0Em 1935<\/strong> as <span style=\"text-decoration: underline;\">Leis de Nuremberg<\/span> privam os judeus alem\u00e3es da cidadania. A <span style=\"text-decoration: underline;\">Alemanha nazista<\/span> adota uma nova bandeira nacional com a su\u00e1stica. Em <strong>1995<\/strong> estreou o Filme <span style=\"text-decoration: underline;\">Seven &#8211; Os Sete Crimes Capitais<\/span>. Em <strong>15 de setembro nasceram<\/strong>: em <strong>1254<\/strong> <span style=\"text-decoration: underline;\">Marco Polo<\/span>, em <strong>1613<\/strong> <span style=\"text-decoration: underline;\">Fran\u00e7ois de<\/span> <span style=\"text-decoration: underline;\">La Rochefoucauld<\/span>, em <strong>1765<\/strong> <span style=\"text-decoration: underline;\">Bocage<\/span>, em <strong>1890<\/strong> <span style=\"text-decoration: underline;\">Agatha Christie<\/span>, em <strong>1894<\/strong> <span style=\"text-decoration: underline;\">Jean Renoir<\/span>, em <strong>1932<\/strong> <span style=\"text-decoration: underline;\">Ant\u00f4nio Abujamra<\/span>, em <strong>1933<\/strong> <span style=\"text-decoration: underline;\">Rubem Alves<\/span>, em <strong>1938 <\/strong><span style=\"text-decoration: underline;\">Lya Luft<\/span>, em \u00a0<strong>1945<\/strong> <span style=\"text-decoration: underline;\">Carmen Maura<\/span>, em <strong>1946<\/strong> <span style=\"text-decoration: underline;\">Oliver Stone<\/span>. Que dia que nos proporcionou artistas heim? Em 15 de setembro deixaram esse mundo, em <strong>2016<\/strong> <span style=\"text-decoration: underline;\">Domingos Montagner<\/span>, em <strong>2017<\/strong> <span style=\"text-decoration: underline;\">Harry Dean Stanton<\/span>. Em <strong>15 de setembro de 2016<\/strong> <span style=\"text-decoration: underline;\">minha m\u00e3e<\/span> ainda vivia. N\u00e3o existiu penincilina que pudesse salv\u00e1-la.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Nostalgia do Presente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Naquele preciso momento o homem disse:<\/em><br \/>\n<em>\u00abO que eu daria pela felicidade<\/em><br \/>\n<em>de estar ao teu lado na Isl\u00e2ndia<\/em><br \/>\n<em>sob o grande dia im\u00f3vel<\/em><br \/>\n<em>e de repartir o agora<\/em><br \/>\n<em>como se reparte a m\u00fasica<\/em><br \/>\n<em>ou o sabor de um fruto.\u00bb<\/em><br \/>\n<em>Naquele preciso momento<\/em><br \/>\n<em>o homem estava junto dela na Isl\u00e2ndia.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span class=\"x19la9d6 x1fc57z9 x6ikm8r x10wlt62 x19co3pv x1g5zs5t xfibh0p xiy17q3 x1xsqp64 x1lkfr7t xexx8yu x4uap5 x18d9i69 xkhd6sd\"><span class=\"xrtxmta x1bhl96m\">\u2764\ufe0f<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Jorge Luis Borges<\/strong><\/p>\n<hr \/>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone aligncenter\" src=\"https:\/\/almanaque.nalu.in\/saudaademina.jpg\" width=\"499\" height=\"501\" \/><\/p>\n<hr \/>\n<h2>Em 15 de setembro de 1969 Ana Cristina C\u00e9sar escreveu essa carta para seu amado Luiz Augusto:<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Ah a tristeza desse c\u00e9u ah, Deus, por que voc\u00ea botou essa tristeza t\u00e3o acinzentada e calma nesse c\u00e9u, voc\u00ea n\u00e3o precisava encher o espa\u00e7o entre esse c\u00e9u e essa terra com essa n\u00e9voa entristecida. Ah Deus nem p\u00f4r entre o Luiz e eu essa lonjura que n\u00e3o d\u00e1 nem para a gente entender as coisas direito Ah v\u00ea se voc\u00ea ajeita esse c\u00e9u essa terra essa tristeza essa lonjura ah m\u00e9m<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>[&#8230;]\u00c9 \u00e0 noite que acontecem (entre uma cuurva do 2\u00b0 andar do \u00f4nibus vermelho e outra, e pulos) minhas maiores saudades. Ontem era domingo e eu no meu quarto te amando te lembrando (Luiz!) Eu talvez te achasse no meu sono. Deitei com a pregui\u00e7a de sempre, havia um inadvertido frio debaixo dos cobertores; te achei em sonhos precipitados precip\u00edcios sonhados (te vi) (antes mesmo de cair)<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>[&#8230;] e no Inadvertido frio (eu atr\u00e1s do teu calor) n\u00e3o sou mais que um suspiro perdido numa noite de setembro; e nenhuma noite de setembro me engole melhor do que esta que tem sotaque de antes do Inverno; e essas paredes n\u00e3o t\u00eam gosto; e se junta \u00e0 falta tua a falta de um sinal mais vivo que me antecipe vis\u00f5es voos teus e me traga uma m\u00ednima verdade de voc\u00ea, que eu amo; e vou me despersonalizando (sem ti aos poucos)<\/em><br \/>\n<em>&#8220;\u00e0 procura da exata palavra que traga a Impress\u00e3o exata dos momentos mais convulsos, no espelho em busca do rosto depurado em verdade. Na boca um h\u00e1lito oco, no olho uma secura. N\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para se fechar em desespero. Nem se pode chorar os mais ausentes. Na pr\u00f3pria linha do quarto uma linguagem de esquecimento. Adormecem as palpita\u00e7\u00f5es de amor e a linguagem de amor adormece. De ins\u00f4nia em ins\u00f4nia, a parede fria e os estalidos das coisas n\u00e3o humanas.&#8221;<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>Ana Cristina C\u00e9sar &#8211; amor mais que mai\u00fasculo &#8211; cartas a luiz augusto &#8211; Cia das Letras<\/strong><\/p>\n<hr \/>\n<h1 style=\"text-align: center;\">Todos os nossos ontens<\/h1>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-2263 aligncenter\" src=\"https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/seiscopasp.jpg\" alt=\"\" width=\"350\" height=\"621\" srcset=\"https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/seiscopasp.jpg 350w, https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/seiscopasp-169x300.jpg 169w, https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/seiscopasp-150x266.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 350px) 100vw, 350px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>&#8220;Porque, eis que eu crio novos c\u00e9us e nova terra; e n\u00e3o haver\u00e1 mais lembran\u00e7a das coisas passadas, nem mais se recordar\u00e3o<\/em><br \/>\n<strong>Isa\u00edas 65:17<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu preciso dizer algo\u00a0 antes de passar ao arcano dos dias. \u00c9 muito complicado falar de coisas <strong>aparentemente<\/strong> t\u00e3o triviais como tar\u00f4, literatura, cinema, di\u00e1rios, etc., quando o\u00a0 mundo est\u00e1 desmoronando. Eu me sinto \u00e0s vezes e quase sempre (rs) rid\u00edcula, pequena. Fico pensando que importa isso? Que importa isso pra mim? Mas n\u00e3o posso fazer outra coisa, quando a minha conclus\u00e3o \u00e9 que, depois de fazermos o poss\u00edvel para que o mundo ainda tenha uma sobrevida, \u00e9 no pequeno que temos que nos agarrar. \u00c9 o pequeno mundo dos dias que passam que importa, \u00e9 dele que \u00e9 feita a vida. Por isso ainda t\u00f4 escrevendo, mesmo a muito maior custo do que antes. Esse ano o fim do mundo parece muito mais acelerado do que em qualquer ano para tr\u00e1s. Mas enquanto isso, podemos cuidar de n\u00f3s, podemos olhar para a beleza, \u00e9 isso que ainda tento aqui. Ent\u00e3o a\u00ed vai, e <em>prossigam na cultura dos seus dias<\/em> (frase da Juliana Gervason).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O arcano destes dias \u00e9 o <strong>Seis de Copas.<\/strong> Eu amo essa carta, s\u00f3 de olhar para ela eu sinto <strong>nostalgia<\/strong>. E ela \u00e9 nostalgia pura. <strong>N\u00e3o \u00e9 exatamente saudade, nem melancolia<\/strong>.<em> Saudade \u00e9 vontade daquilo que j\u00e1 se sabe que gosta<\/em>. \u00c9 nostalgia, principalmente da inf\u00e2ncia, pois em geral <strong>o estado id\u00edlico que fantasiamos \u00e9 o da inf\u00e2ncia<\/strong>. E dos lugares onde \u00e9ramos felizes, <strong>ainda que s\u00f3 na imagina\u00e7\u00e3o, na idealiza\u00e7\u00e3o<\/strong>. Mas n\u00e3o s\u00f3 a inf\u00e2ncia \u00e9 um lugar nost\u00e1lgico. <strong>A nostalgia \u00e9 a daquele lugar onde havia muita pot\u00eancia<\/strong>, e em geral \u00e9 na juventude que est\u00e1 todo potencial. Se apegar a esse lugar de pot\u00eancia \u00e9 como o conto em que o rei quer comer uma sopa saboreada quando era crian\u00e7a e passa a vida procurando quem consiga preparar aquela sopa com gosto de inf\u00e2ncia e n\u00e3o consegue. <strong>Porque a inf\u00e2ncia n\u00e3o est\u00e1 l\u00e1, a pot\u00eancia da vida quase s\u00f3 pode ser vista em retrocesso, jamais comeremos novamente a sopa da inf\u00e2ncia e da juventude<\/strong>. E l\u00e1, <strong>quando comemos, n\u00e3o sabemos<\/strong>. <strong>O apogeu da vida quase nunca \u00e9 percebido na hora<\/strong>. Na minha idade \u00e9 muito comum ter nostalgia. Do que se viveu e do que se poderia ter vivido, e em geral quem est\u00e1 atravessando ou j\u00e1 atravessou a meia idade tem sua dose de nostalgia. Drummond diz: <em>Tamb\u00e9m temos saudade do que n\u00e3o existiu, e d\u00f3i bastante.<\/em> Isso n\u00e3o quer dizer que pessoas jovens, ou at\u00e9 mesmo crian\u00e7as n\u00e3o sintam nostalgia. <strong>Vontade de voltar ao \u00c9den todos temos<\/strong>. E o Seis de Copas \u00e9 o retrato desse <strong>tempo intocado pela vida, desse tempo onde tudo era perfeito e as \u00e1guas abundantes<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A ensa\u00edsta Meghan Daum tem uma bonita passagem sobre isso, que diz o seguinte:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Agora que quase nunca sou a pessoa mais jovem em qualquer sala, percebo que o que mais sinto falta daquela \u00e9poca \u00e9 a mesma coisa que me deixava t\u00e3o louca quando eu vivia nela. O que sinto falta \u00e9 da sensa\u00e7\u00e3o de que nada come\u00e7ou ainda, que o futuro se eleva sobre o passado, que o presente \u00e9 apenas uma fase de planejamento para a arquitetura brilhante que compor\u00e1 o horizonte do resto da minha vida. Mas o que esque\u00e7o \u00e9 a solid\u00e3o de tudo isso. Se tudo est\u00e1 \u00e0 frente, nada est\u00e1 atr\u00e1s. Voc\u00ea n\u00e3o tem lastro. Voc\u00ea tamb\u00e9m n\u00e3o tem ventos favor\u00e1veis. Voc\u00ea quase nunca sabe o que fazer, porque voc\u00ea quase n\u00e3o fez nada.<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">E \u00e9 essa a paisagem desse arcano. <strong>A tomada de consci\u00eancia que existe esse lugar id\u00edlico atr\u00e1s de n\u00f3s, e a depender da idade que se tem, esse lugar pode estar \u00e0 frente<\/strong>. <strong>Mas este l\u00e1 existiu e existe<\/strong>, e de alguma maneira nos nutre, nos d\u00e1 for\u00e7as para continuar inteiros. Todos n\u00f3s vivemos coisas muito bonitas na vida e todos ocasionalmente sentimos falta de voltar a esse momento. O seis de copas \u00e9 a carta que nos mostra que podemos olhar com carinho para o nosso passado e fazer dele uma <strong>fonte de alegria e significado<\/strong>. A mesma Meghan continua:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Qualquer vest\u00edgio de precocidade que eu j\u00e1 tive est\u00e1 h\u00e1 muito esquecido. N\u00e3o sou e nunca mais serei uma jovem escritora, uma jovem dona de casa, uma jovem professora. Nunca fui uma jovem esposa. A \u00fanica coisa que eu poderia fazer agora pela qual minha juventude seria uma caracter\u00edstica verdadeiramente not\u00e1vel seria morrer. Se eu morresse agora, morreria jovem. Todo o resto, estou fazendo na meia-idade.<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">E sim, \u00e9 verdade, mas <strong>ningu\u00e9m tem o passado que tivemos<\/strong>. Nosso passado \u00e9 um bloco e dele podemos extrair muita <strong>for\u00e7a<\/strong>. \u00c9 claro que para alguns de n\u00f3s o passado tem dor, mas tem beleza tamb\u00e9m e \u00e9 dela que podemos, se quisermos e precisarmos, <strong>extrair pot\u00eancia e vontade de continuar<\/strong>. <strong>Porque nunca existiu outra idade, s\u00f3 existe a idade que a gente tem neste momento<\/strong>. Nesta semana, voltemos \u00e0 <em>aurora da nossa vida, \u00e0 nossa inf\u00e2ncia querida<\/em> e vamos encher nossa jarra da \u00e1gua da vida. Pois estamos precisamos desesperadamente de \u00e1gua, de verde, de chuva, de rios, (e de governantes muito melhores),tudo isso que comp\u00f5e o para\u00edso, nossos <em>infinitos particulares<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Boa semana, e <em>que saudades da professorinha<\/em>.<\/p>\n<table style=\"width: 100%; border-collapse: collapse; background-color: #f7c7bc;\">\n<tbody>\n<tr>\n<td style=\"width: 100%;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-2268 aligncenter\" src=\"https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/sixcupsp.jpg\" alt=\"\" width=\"350\" height=\"572\" srcset=\"https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/sixcupsp.jpg 350w, https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/sixcupsp-184x300.jpg 184w, https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/sixcupsp-150x245.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 350px) 100vw, 350px\" \/><\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\">Seis de Copas<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta carta est\u00e1 associada \u00e0 nostalgia, mem\u00f3rias do passado e conex\u00f5es emocionais. O seis de copas \u00e9 representado por duas crian\u00e7as que est\u00e3o brincando juntas. Elas est\u00e3o cercadas por flores e copas, s\u00edmbolos de amor, emo\u00e7\u00f5es e conex\u00f5es emocionais. A carta evoca uma sensa\u00e7\u00e3o de inoc\u00eancia e nostalgia. Ela nos lembra das mem\u00f3rias felizes da inf\u00e2ncia, dos tempos mais simples e das rela\u00e7\u00f5es que idealizamoss. Quando o seis de copas aparece em uma leitura de Tar\u00f4, ele pode estar indicando que \u00e9 hora de olhar para tr\u00e1s e se reconectar com o passado. Pode ser um lembrete para honrar nossas ra\u00edzes, nossas experi\u00eancias passadas e as pessoas que moldaram quem somos hoje. A carta tamb\u00e9m pode sugerir que estamos presos no passado, lutando para seguir em frente ou presos em padr\u00f5es emocionais antigos. Nostalgia \u00e9 a emo\u00e7\u00e3o associada ao seis de copas. \u00c9 natural sentir saudade do passado, mas tamb\u00e9m \u00e9 importante viver plenamente no momento presente e olhar para o futuro com esperan\u00e7a e otimismo. O seis de copas tamb\u00e9m pode nos lembrar da import\u00e2ncia de manter conex\u00f5es emocionais profundas com os outros. Ele nos convida a refletir sobre as rela\u00e7\u00f5es significativas em nossas vidas e a nutri-las com carinho e aten\u00e7\u00e3o e da import\u00e2ncia de encontrar um equil\u00edbrio saud\u00e1vel entre viver no presente e honrar nossas ra\u00edzes.<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<h2 style=\"text-align: center;\">Dois textos para a nossa Velha Inf\u00e2ncia<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>N\u00e3o sei onde se romperam os fios que me ligam a minha inf\u00e2ncia. Como todo mundo, ou quase, tive um pai e uma m\u00e3e, um penico, uma cama de grades, um chocalho, e mais tarde uma bicicleta que, parece, eu jamais montava sem lan\u00e7ar gritos de terror \u00e0 simples ideia de que fossem querer levantar ou mesmo retirar as duas rodinhas adjacentes que asseguravam minha estabilidade. Como todo mundo, esqueci tudo de meus primeiros anos de exist\u00eancia.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Minha inf\u00e2ncia faz parte daquelas coisas das quais sei que n\u00e3o sei grande coisa. Ela est\u00e1 atr\u00e1s de mim, no entanto, \u00e9 o solo sobre o qual cresci, ela me pertenceu, seja qual for minha tenacidade em afirmar que n\u00e3o me pertence mais. Por muito tempo procurei afastar ou mascarar essas evid\u00eancias, encerrando-me na condi\u00e7\u00e3o inofensiva do \u00f3rf\u00e3o, do n\u00e3o gerado, do filho de ningu\u00e9m. Mas a inf\u00e2ncia n\u00e3o \u00e9 nostalgia, nem terror, nem para\u00edso perdido, nem Tos\u00e3o de Ouro, mas talvez horizonte, ponto de partida, coordenadas a partir das quais os eixos de minha vida poder\u00e3o encontrar seu sentido. Mesmo contando apenas, para escorar minhas lembran\u00e7as improv\u00e1veis, com o apoio de fotos amarelecidas, de testemunhos raros e documentas insignificantes, n\u00e3o tenho outra escolha sen\u00e3o evocar o que por muito tempo insisti em chamar o irrevog\u00e1vel; o que foi, o que se deteve, o que ficou enclausurado: o que foi, sem d\u00favida, para hoje n\u00e3o ser mais, mas o que foi, tamb\u00e9m, para que eu seja ainda.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>Georges Perec &#8211; W ou A Mem\u00f3ria da Inf\u00e2ncia &#8211; Cia das Letras<\/strong><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em grego, retorno se diz <em>n\u00f3stos<\/em>. <em>\u00c1lgos<\/em> significa sofrimento. A nostalgia \u00e9, portanto, o sofrimento causado pelo desejo irrealizado de retornar. Para essa no\u00e7\u00e3o fundamental, a maioria dos europeus pode utilizar uma palavra de origem grega (<em>nostalgie, nostalgia<\/em>), e tamb\u00e9m outras palavras com ra\u00edzes em sua l\u00edngua nacional: <em>a\u00f1oranza<\/em>, dizem os espanh\u00f3is; saudade, dizem os portugueses. Em cada l\u00edngua, essas palavras possuem uma conota\u00e7\u00e3o sem\u00e2ntica diferente. Muitas vezes significam apenas a tristeza provocada pela impossibilidade da volta ao pa\u00eds. Nostalgia do pa\u00eds. Nostalgia da terra natal. Aquilo que em ingl\u00eas se chama <em>homesickness<\/em>. Ou em alem\u00e3o: <em>Heimweh<\/em>. Em holand\u00eas: <em>heimwee<\/em>. Mas essa \u00e9 uma redu\u00e7\u00e3o espacial dessa grande no\u00e7\u00e3o. Uma das mais antigas l\u00ednguas europeias, o island\u00eas, distingue bem dois termos: <em>s\u00f6knudur<\/em>: nostalgia no seu sentido geral; e <em>heimfra<\/em>: nostalgia do pa\u00eds. Os tchecos, al\u00e9m da palavra <em>nostalgia<\/em> de origem grega, t\u00eam para a no\u00e7\u00e3o seu pr\u00f3prio substantivo, <em>stesk<\/em>, e seu pr\u00f3prio verbo; a frase de amor mais comovente em tcheco: <em>styska se mi po tobe<\/em>: sinto nostalgia de voc\u00ea; n\u00e3o posso suportar a dor da sua aus\u00eancia. Em espanhol, <em>a\u00f1oranza<\/em> vem do verbo <em>a\u00f1orar<\/em> (ter nostalgia), que vem do catal\u00e3o <em>enyorar<\/em>, derivado, este, da palavra latina <em>ignorare<\/em> (ignorar). \u00c0 luz dessa etimologia, a nostalgia surge como o sofrimento da ignor\u00e2ncia. Voc\u00ea est\u00e1 longe e n\u00e3o sei o que se passa com voc\u00ea. Meu pa\u00eds est\u00e1 longe, eu n\u00e3o sei o que est\u00e1 acontecendo l\u00e1.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>Milan Kundera &#8211; A Ignor\u00e2ncia &#8211; Cia das Letras<\/strong><\/p>\n<table style=\"width: 100%; border-collapse: collapse; background-color: #f7f3e4;\">\n<tbody>\n<tr>\n<td style=\"width: 100%;\">\n<h2 class=\"quoteText\" style=\"text-align: center;\"><strong>Iluminar para os tolos o caminho que leva ao p\u00f3<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>A nostalgia \u00e9 farta demais em arte, fica muito complicado escolher, eu poderia ficar o resto da vida indicando e falando sobre arte que tem a nostalgia como centro. Mas&#8230; A\u00ed v\u00e3o algumas coisas com a dor melanc\u00f3lica da escolha :o) . Plenamente ciente que ficou um universo inteiro pra tr\u00e1s.<\/strong><\/em><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<h2 style=\"text-align: center;\">Livros<\/h2>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-2274 aligncenter\" src=\"https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/ignorancia.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"432\" srcset=\"https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/ignorancia.jpg 350w, https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/ignorancia-208x300.jpg 208w, https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/ignorancia-150x216.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A Ignor\u00e2ncia &#8211; Milan Kundera. <em>O livro da Nostalgia, com um enredo que gira em torno da no\u00e7\u00e3o de nostalgia. E \u00e9 Kundera, que me fez lembrar na leitura deste livro, porque ele ainda \u00e9 meu autor favorito, aquele que mais conversa comigo. A Ignor\u00e2ncia \u00e9 um livro curtinho, mas que me faz suspirar. \u00c9 lindo, melanc\u00f3lico e nost\u00e1lgico, como quase tudo do Kundera. Amo e recomendo demais, Kundera \u00e9 um autor bom demais para tempos dif\u00edceis, euy sempre sinto que \u00e9 como se ele ensinasse a viver em tempos sombrios. E sendo meu autor favorito da vida, n\u00e3o tenho como recomendar mais.<\/em><\/strong><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste romance sobre a mem\u00f3ria, Milan Kundera subverte a no\u00e7\u00e3o de nostalgia.\u00a0Namorados de adolesc\u00eancia, Josef e Irena passam vinte anos longe de sua terra natal, ele vivendo na Dinamarca, ela em Paris. Irena reencontra Josef por acaso no aeroporto de Paris. Os dois decidem retornar a Praga, reerguida segundo as regras capitalistas depois da queda dos regimes comunistas do Leste europeu, em 1989. Em comum, eles t\u00eam uma hist\u00f3ria de ex\u00edlio e um sentimento profundamente nost\u00e1lgico em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 paisagem tcheca. Reviver essa rela\u00e7\u00e3o de amor significa refazer todo o percurso da separa\u00e7\u00e3o. Neste romance sobre a mem\u00f3ria, Milan Kundera subverte a no\u00e7\u00e3o de nostalgia. O escritor relembra a etimologia da palavra, que em sua origem grega remete ao &#8220;sofrimento causado pelo desejo irrealizado de retornar&#8221;. Esse sentimento liga-se tamb\u00e9m \u00e0 ignor\u00e2ncia: s\u00f3 h\u00e1 nostalgia daquilo de que n\u00e3o temos mais not\u00edcia. Como afirma o narrador, &#8220;acaso&#8221; \u00e9 um outro modo de dizer &#8220;destino&#8221;. O fasc\u00ednio que as coincid\u00eancias e os pequenos retornos exercem \u00e9 aquele da consci\u00eancia do presente e de sua liga\u00e7\u00e3o com o passado. Na mem\u00f3ria, os acasos se harmonizam e ganham beleza.<\/p>\n<hr \/>\n<h3 style=\"text-align: center;\">Um cl\u00e1ssico nacional<\/h3>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-2276 aligncenter\" src=\"https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/memoriasdemarta.jpg\" alt=\"\" width=\"350\" height=\"524\" srcset=\"https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/memoriasdemarta.jpg 350w, https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/memoriasdemarta-200x300.jpg 200w, https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/memoriasdemarta-150x225.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 350px) 100vw, 350px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mem\u00f3rias de Marta &#8211; Julia Lopes de Almeida. <em>Esse livro \u00e9 uma lembran\u00e7a da vida de Marta. Tem nostalgia suficiente, \u00e9 um livro surpreendentemente bom, mas ele est\u00e1 aqui porque todo brasileiro deveria conhecer Julia Lopes de Almeida, da mesma maneira que conhece Jos\u00e9 de Alencar e outros homens que formam nosso pante\u00e3o. J\u00falia est\u00e1 \u00e0 altura de todos eles e \u00e9 incr\u00edvel que ela tenha sido apagada e esquecida da hist\u00f3ria da nossa literatura. Isso est\u00e1 mudando devagar, e que bom, n\u00e3o chegaria a mim que n\u00e3o sou uma estudiosa formal de literatura, nem ao p\u00fablico em geral. Mas \u00e9 isso, experimentem ler J\u00falia Lopes, \u00e9 surpreendente, mesmo com alguns problemas do seu tempo.<\/em><\/strong><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Mem\u00f3rias de Martha&#8221; \u00e9 uma autobiografia ficcional escrita por Julia Lopes de Almeida. Acompanhamos a trajet\u00f3ria de Martha desde sua inf\u00e2ncia. Sua vida em um corti\u00e7o carioca, no fim do s\u00e9culo XIX, e as dificuldades pelas quais passa com sua m\u00e3e, vi\u00fava, que precisa trabalhar para sustentar a filha. O livro chama aten\u00e7\u00e3o para a situa\u00e7\u00e3o da mulher naquele per\u00edodo e exalta a import\u00e2ncia da educa\u00e7\u00e3o para a conquista de novas oportunidades. S\u00e3o mem\u00f3rias de uma personagem mulher, escritos por mulher, algo extraordin\u00e1rio no tempo em que o romance foi escrito. Foi publicado em 1899 e \u00e9 o primeiro livro da autora.<\/p>\n<hr \/>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-2277 aligncenter\" src=\"https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/foiumpessimodia.jpg\" alt=\"\" width=\"350\" height=\"511\" srcset=\"https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/foiumpessimodia.jpg 350w, https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/foiumpessimodia-205x300.jpg 205w, https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/foiumpessimodia-150x219.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 350px) 100vw, 350px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Foi um p\u00e9ssimo dia &#8211; Natalia Borges Polesso. <em>Eu realmente poderia continuar at\u00e9 muito tempo, pois o que n\u00e3o falta \u00e9 uma imensa lista de livros sobre o tema. Mas vou falar s\u00f3 de mais um, um nacional contempor\u00e2neo, LGBTQIAP+ de uma escritora conceituada, e que eu li para essa carta. \u00c9 um livro curt\u00edssimo, quase um conto grande, parece ser autobiogr\u00e1fico e \u00e9 bem bonito. Escorrega um pouco no didatismo, mas n\u00e3o compromete o livro.\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span class=\"a-text-bold\">\u201cEra o final dos anos 80, e tudo isso era normal. Pessoas levavam a filha das outras para casa sem avisar, crian\u00e7as passeavam na ca\u00e7amba dos carros, ningu\u00e9m usava cinto de seguran\u00e7a, ansiedade era coisa que se curava com chinelada e\/ou benzedura. E o mais maluco de tudo: existia uma bala assassina, a terr\u00edvel e deliciosa bala Soft.\u201d<\/span>Nesse universo t\u00e3o real quanto imaginativo, Natalia Borges Polesso apresenta duas hist\u00f3rias que trazem um olhar sens\u00edvel sobre a passagem da sua pr\u00f3pria inf\u00e2ncia para a adolesc\u00eancia. A rela\u00e7\u00e3o com o irm\u00e3o mais novo, o poss\u00edvel div\u00f3rcio dos pais, os afetos pelas amigas e at\u00e9 a melhor forma de manejar um tchaku: tudo pode rapidamente se transformar em dilemas e inseguran\u00e7as. \u00c0 medida que as situa\u00e7\u00f5es v\u00eam \u00e0 tona, a pequena Natalia vai descobrindo que compreender sentimentos \u00e9 tatear no escuro e que aprender a tratar das pr\u00f3prias complexidades pode ser justamente o que faz ecoar a individualidade.<\/p>\n<hr \/>\n<h3 style=\"text-align: center;\">HQ<\/h3>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-2278 aligncenter\" src=\"https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/acasa.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"291\" srcset=\"https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/acasa.jpg 400w, https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/acasa-300x218.jpg 300w, https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/acasa-150x109.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A Casa &#8211; Paco Roca. <em>Uma das mais bonitas e melanc\u00f3licas HQs que eu li. Al\u00e9m de linda visualmente, conta uma hist\u00f3ria muito, muito tocante, e que desperta uma nostalgia funda na gente. Eu fiquei engasgada v\u00e1rias vezes durante a leitura. Recomendo demais, mas demais mesmo.<\/em><\/strong><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tr\u00eas irm\u00e3os retornam para casa de f\u00e9rias onde passaram sua inf\u00e2ncia acompanhados de suas fam\u00edlias com a inten\u00e7\u00e3o de limpar o im\u00f3vel e coloc\u00e1-la \u00e0 venda. Mas enquanto a poeira \u00e9 varrida e o lixo \u00e9 levado para a ca\u00e7amba, feridas emocionais de d\u00e9cadas atr\u00e1s rapidamente preenchem a casa vazia.\u00a0Roca, atrav\u00e9s de uma narrativa emocionante, prop\u00f5e uma reflex\u00e3o: o que acontece com irm\u00e3os e irm\u00e3s quando a \u00fanica pessoa que mantem a fam\u00edlia unida se foi? A casa \u00e9 um trabalho extremamente pessoal de Paco Roca (dedicado a seu falecido pai) ao mesmo tempo que aborda temas universais.<\/p>\n<hr \/>\n<h3 style=\"text-align: center;\"><strong>Filmes<\/strong><\/h3>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-2280 aligncenter\" src=\"https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/cinemaparadiso.jpg\" alt=\"\" width=\"350\" height=\"495\" srcset=\"https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/cinemaparadiso.jpg 350w, https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/cinemaparadiso-212x300.jpg 212w, https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/cinemaparadiso-150x212.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 350px) 100vw, 350px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Cinema Paradiso &#8211; Giuseppe Tornatore &#8211; 1988. E<em>u imagino que todo mundo que me l\u00ea j\u00e1 viu esse filme, pra mim o mais emocionante filme sobre nostalgia que eu j\u00e1 vi. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 sobre nostalgia, \u00e9 sobre o amor ao cinema tamb\u00e9m. Se voc\u00ea n\u00e3o viu, eu recomendo esse filme mais do que qualquer outra arte indicada aqui hoje. \u00c9 lindo, lindo, um dos filmes mais emocionantes da hist\u00f3ria do cinema. Vejam.\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s receber uma importante liga\u00e7\u00e3o de sua m\u00e3e, o cineasta de sucesso Salvatore Di Vita decide fazer uma viagem ao passado, \u00e0 sua terra natal e \u00e0 origem do seu amor pelos filmes.\u00a0Amor que teve in\u00edcio quando o cineasta ainda era pequeno e respondia pelo apelido de Tot\u00f3, frequentava o &#8216;Cinema Paradiso&#8217; e passava a maior parte do tempo ao lado de um projecionista: seu amigo, quase pai, Alfredo.\u00a0Dirigido por Giuseppe Tornatore, Cinema Paradiso (1988) \u00e9 conhecido por ser uma obra emocionante que, antes de mais nada, existe para homenagear os filmes e as rela\u00e7\u00f5es criadas a partir deles.\u00a0Vencedor do Oscar de melhor filme internacional.<\/p>\n<hr \/>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-2281 aligncenter\" src=\"https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/meianoitemparis.jpg\" alt=\"\" width=\"350\" height=\"467\" srcset=\"https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/meianoitemparis.jpg 350w, https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/meianoitemparis-225x300.jpg 225w, https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/meianoitemparis-150x200.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 350px) 100vw, 350px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Meia Noite em Paris &#8211; Woody Allen 2011. <em>Mais um filme, porque esse \u00e9 uma joia da nostalgia tamb\u00e9m, e al\u00e9m disso \u00e9 bem did\u00e1tico (risos). Ele nos ensina sobre nostalgia, sobre tentar reviver o que nunca existiu. Acredito que todo mundo por aqui j\u00e1 viu esse filme, mas se n\u00e3o viram, \u00e9 uma oportunidade na semana do seis de copas.<\/em><\/strong><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gil (Owen Wilson) \u00e9 um escritor e roteirista americano que vai com a noiva Inez e a fam\u00edlia dela a Paris, cidade que idolatra. Ele realiza v\u00e1rios passeios noturnos sozinho e descobre que, surpreendentemente, ao badalar da meia-noite, \u00e9 transportado para a Paris de 1920, \u00e9poca e lugar que considera os melhores de todos. Nessas &#8220;viagens&#8221;, Gil vai a v\u00e1rias festas onde conhece in\u00fameros intelectuais e artistas que admira e que frequentavam a cidade-luz naquela \u00e9poca, como F. Scott Fitzgerald, Gertrude Stein, Ernest Hemingway, Salvador Dali, e outros, at\u00e9 que tenta acabar o seu romance com Inez, pois se apaixonou por Adriana (Marion Cotillard), uma bela mo\u00e7a do passado, e \u00e9 for\u00e7ado a confrontar a ilus\u00e3o de que uma vida diferente (a &#8220;\u00e9poca de ouro&#8221; francesa) \u00e9 melhor do que a atualidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>Eu podia indicar muito mais filmes, Conta Comigo, Era Uma Vez em T\u00f3quio, Adeus Lenin! Vidas Passadas &#8211; recent\u00edssimo e lind\u00edssimo, Aftersun (maravilhoso!), 45 anos e tantos outros, mas ficaria aqui por muito tempo. Escolhi os que me fizeram doer de verdade o cora\u00e7\u00e3o de nostalgia. Mas tem muito muito filme, a nostalgia \u00e9 sempre um tema muito bom pra se fazer cinema.<\/strong><\/em><\/p>\n<hr \/>\n<h3 style=\"text-align: center;\">S\u00e9rie<\/h3>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-2283 aligncenter\" src=\"https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/anosincriveis.jpg\" alt=\"\" width=\"350\" height=\"525\" srcset=\"https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/anosincriveis.jpg 350w, https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/anosincriveis-200x300.jpg 200w, https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/anosincriveis-150x225.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 350px) 100vw, 350px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Anos Incr\u00edveis &#8211; Carol Black, Neal Marlens. 1988 &#8211; 1993. <em>Ah, essa s\u00e9rie, ah meus dias de jovem em que eu assistia tendo que esperar sair algum epis\u00f3dio, esperando pra ver o pr\u00f3ximo&#8230; Eu era t\u00e3o jovem, tinha tanto pela frente, quase tanto quanto os personagens jovens dessa s\u00e9rie, que \u00e9 linda em TODOS os epis\u00f3dios, que \u00e9 uma del\u00edcia de ver, de rever, de se cansar sem nunca se fartar de ver. Recomendo demais, vejam, est\u00e1 dispon\u00edvel em algum streaming por a\u00ed.<\/em><\/strong><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\">Criada por Carol Black e Neal Marlens, a s\u00e9rie durou por seis temporadas, totalizando 115 epis\u00f3dios. No Brasil, o programa foi exibido pela primeira vez na TV Cultura, em meados da d\u00e9cada de 1990, obtendo enorme sucesso. Mais tarde a Bandeirantes, o Multishow, e a Rede 21 tamb\u00e9m exibiram a s\u00e9rie, at\u00e9 ela voltar \u00e0 TV Cultura.\u00a0The Wonder Years apresentou as quest\u00f5es sociais e os eventos hist\u00f3ricos do final dos anos 1960 e in\u00edcio dos anos 1970, atrav\u00e9s dos olhos do protagonista Kevin Arnold (Fred Savage), que vive os assuntos da adolesc\u00eancia, com seu grande amigo Paul e sua paquera Winnie Cooper, tamb\u00e9m com diversas situa\u00e7\u00f5es familiares e outros assuntos relacionados a \u00e9poca. Enquanto se passam as hist\u00f3rias, os acontecimentos s\u00e3o narrados por um Kevin mais velho e experiente, que descreve o que acontece e conta o que aprendeu de suas experi\u00eancias. Cada ano da s\u00e9rie ocorre exatamente 20 anos antes da exibi\u00e7\u00e3o (na hist\u00f3ria, 1968 a 1973; exibi\u00e7\u00e3o, 1988 a 1993).\u00a0O programa centra-se em Kevin Arnold, retratando a sua vida social e familiar em uma fam\u00edlia de classe m\u00e9dia suburbana americana t\u00edpica dos anos 60 e 70. Kevin \u00e9 filho de Jack e Norma Arnold. Seu pai trabalha na NORCOM, empresa de defesa, enquanto a m\u00e3e \u00e9 dona de casa. Kevin tamb\u00e9m tem um irm\u00e3o mais velho, Wayne, e uma irm\u00e3 mais velha, Karen. Kevin mora na mesma rua que seu melhor amigo Paul Pfeiffer, e sua paquera, Gwendolyn &#8220;Winnie&#8221; Cooper. As hist\u00f3rias s\u00e3o narradas atrav\u00e9s das reflex\u00f5es de Kevin quando adulto, com cerca de 30 anos.<\/p>\n<hr \/>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/upload.wikimedia.org\/wikipedia\/pt\/3\/39\/Logotipo_de_Anos_Dourados.png\" alt=\"Anos Dourados \u2013 Wikip\u00e9dia, a enciclop\u00e9dia livre\" width=\"305\" height=\"229\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><em>Essa s\u00e9rie \u00e9 linda, nacional e nost\u00e1lgica pra caramba.<\/em><\/strong><\/p>\n<hr \/>\n<h3 style=\"text-align: center;\">\u266b Playlist<\/h3>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Anos dourados \u2013 Tom Jobim e Chico Buarque<\/em><br \/>\n<em>House of the rising sun \u2013 Animals<\/em><br \/>\n<em>Retrato em branco e preto \u2013 Tom Jobim<\/em><br \/>\n<em>Blackbird \u2013 Beatles<\/em><br \/>\n<em>Sun Bleached Flies \u2013 Ethel Cain<\/em><br \/>\n<em>Atr\u00e1s da porta \u2013 Chico Buarque<\/em><br \/>\n<em>Meus Tempos De Crian\u00e7a \u2013 Ataulfo Alves<\/em><br \/>\n<em>Onde anda voc\u00ea \u2013 Toquinho e Vin\u00edcius<\/em><br \/>\n<em>Saudade \u2013 Christian &amp; Ralf<\/em><br \/>\n<em>Saco de Feij\u00e3o \u2013 Beth Carvalho<\/em><br \/>\n<em>Faz parte do meu show \u2013 Cazuza<\/em><br \/>\n<em>Don&#8217;t Smoke in Bed \u2013 Nina Simone<\/em><br \/>\n<em>Journey Through The Past \u2013 Neil Young<\/em><br \/>\n<em>Como nossos pais \u2013 Elis Regina<\/em><br \/>\n<em>Velha Inf\u00e2ncia \u2013 Tribalistas<\/em><br \/>\n<em>Mem\u00f3rias \u2013 Pitty<\/em><br \/>\n<em>Epit\u00e1fio \u2013 Tit\u00e3s<\/em><br \/>\n<em>Wish You Were Here \u2013 Pink Floyd<\/em><br \/>\n<em>Chandelier \u2013 Sia<\/em><br \/>\n<em>Budapest \u2013 George Ezra<\/em><br \/>\n<em>O Div\u00e3 \u2013 Roberto Carlos<\/em><br \/>\n<em>Shallow \u2013 (feat. Bradley Cooper) Lady Gaga<\/em><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">a minha inf\u00e2ncia tem o som do sabi\u00e1 laranjeira<\/span><\/p>\n<table style=\"width: 100%; border-collapse: collapse; background-color: #bbf2f2;\">\n<tbody>\n<tr>\n<td style=\"width: 100%;\">\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Casa \u00e9 aquela regi\u00e3o juvenil na qual uma crian\u00e7a \u00e9 o \u00fanico habitante real. Pais, irm\u00e3os e vizinhos s\u00e3o apari\u00e7\u00f5es misteriosas que v\u00eam, v\u00e3o e fazem coisas estranhas e insond\u00e1veis em torno da crian\u00e7a e com ela, o \u00fanico cidad\u00e3o emancipado da regi\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Maya Angelou<\/strong><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Post com a colabora\u00e7\u00e3o de\u00a0<a href=\"http:\/\/instagram.com\/laismeralda\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">@laismeralda, que \u00e9 a<em>\u00a0melhor cartomante do peda\u00e7o, marque sua consulta com ela.<\/em><\/a><\/span><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Se voc\u00ea leu at\u00e9 aqui, obrigada! Esse \u00e9 o meu almanaque particular. Um peda\u00e7o do meu di\u00e1rio, da minha arca da velha, um registro de pequenas efem\u00e9rides, de coisas que quero guardar, do tempo, do vento, do c\u00e9u e do cheiro da chuva. Os Vest\u00edgios do Dia, meus dias. Aqui s\u00f3 tem refer\u00eancias, pois \u00e9 disso que sou feita.<\/em><\/p>\n<table style=\"width: 100%; border-collapse: collapse; background-color: #f7cbcb;\">\n<tbody>\n<tr>\n<td style=\"width: 100%; text-align: center;\">\u00a9 Nalua \u2013 Caderninho pessoal, bauzinho de trapos coloridos, nos morros de Minas Gerais. Estamos sendo sufocados em plena luz do dia.<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-size: 8pt;\">15 de setembro \u00e9 o 258.\u00ba dia do ano no calend\u00e1rio gregoriano (259.\u00ba em anos bissextos). Faltam 107 dias para acabar o ano.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>parece bolero Belo Horizonte, 15 de Setembro de 2024 Previs\u00e3o do tempo: est\u00e3o nos matando \ud83e\udd75 Em 15 de setembro de 1928 Alexander Fleming descobre [&#8230;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9,13,10,5,12],"tags":[],"class_list":["post-2258","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-almanaque","category-carta-semanal","category-jardim","category-newsletter","category-oraculo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2258","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2258"}],"version-history":[{"count":25,"href":"https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2258\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2271,"href":"https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2258\/revisions\/2271"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2258"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2258"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2258"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}