{"id":1630,"date":"2023-11-25T15:03:58","date_gmt":"2023-11-25T15:03:58","guid":{"rendered":"https:\/\/nalua.in\/notas\/?p=1630"},"modified":"2023-11-26T00:37:04","modified_gmt":"2023-11-26T00:37:04","slug":"e-junto-a-mim-me-sinto-outra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nalua.in\/notas\/e-junto-a-mim-me-sinto-outra\/","title":{"rendered":""},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/telegra.ph\/Louca-11-25\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-size: 8pt;\">e junto a mim me sinto outra<\/span><\/a><br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-1635 aligncenter\" src=\"https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/logo.jpg\" alt=\"\" width=\"639\" height=\"353\" srcset=\"https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/logo.jpg 639w, https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/logo-300x166.jpg 300w, https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/logo-150x83.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 639px) 100vw, 639px\" \/><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Belo Horizonte, 26 de novembro de 2023<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><em>Falta menos de um m\u00eas para o natal<\/em> <span class=\"fe5nidar khvhiq1o r5qsrrlp i5tg98hk f9ovudaz przvwfww gx1rr48f gfz4du6o r7fjleex nz2484kf svot0ezm dcnh1tix sxl192xd t3g6t33p\"><span class=\"mpj7bzys xzlurrtv\">\ud83d\ude31<\/span><\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>\u263c 20\u00b0 &#8211; 28\u00b0<\/strong><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 26 de novembro de\u00a0 <strong>1764<\/strong>, certamente tarde demais, a <span style=\"text-decoration: underline;\">Companhia de Jesus<\/span> foi proibida na Fran\u00e7a. O livro <span style=\"text-decoration: underline;\">Alice no Pa\u00eds das Maravilhas<\/span> foi publicado pela primeira vez em <strong>1865<\/strong>. Num dia como este, no ano de <strong>1922<\/strong> a tumba de <span style=\"text-decoration: underline;\">Tutancamon<\/span> foi aberta pela primeira vez a arqueologia nunca mais foi a mesma. Em <strong>1940<\/strong> a Alemanha nazista come\u00e7ou a isolar o <span style=\"text-decoration: underline;\">Gueto de Vars\u00f3via<\/span>. Em <strong>1930\u00a0<\/strong> o <span style=\"text-decoration: underline;\">Minist\u00e9rio do Trabalho<\/span> foi criado no Brasil. Em <strong>1909<\/strong> nasceu <span style=\"text-decoration: underline;\">Eugene Ionesco<\/span>, em <strong>1951<\/strong> <span style=\"text-decoration: underline;\">Cicciolina<\/span>. Em <strong>1993<\/strong> nos deixou <span style=\"text-decoration: underline;\">Grande Otelo<\/span> e em <strong>2018<\/strong> se foi <span style=\"text-decoration: underline;\">Bernardo Bertolucci<\/span>.<\/p>\n<hr \/>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-1637 aligncenter\" src=\"https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/cabecabertazzi.jpg\" alt=\"\" width=\"448\" height=\"527\" srcset=\"https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/cabecabertazzi.jpg 729w, https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/cabecabertazzi-255x300.jpg 255w, https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/cabecabertazzi-150x177.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 448px) 100vw, 448px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span class=\"fe5nidar khvhiq1o r5qsrrlp i5tg98hk f9ovudaz przvwfww gx1rr48f gfz4du6o r7fjleex nz2484kf svot0ezm dcnh1tix sxl192xd t3g6t33p\" style=\"font-size: 8pt;\"><span class=\"mpj7bzys xzlurrtv\">\u2764\ufe0f Galv\u00e3o Bertazzi<\/span><\/span><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><em>Os Loucos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>H\u00e1 v\u00e1rios tipos de louco.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>O hitleriano, que barafusta.<\/em><br \/>\n<em>O sol\u00edcito, que dirige o tr\u00e2nsito.<\/em><br \/>\n<em>O man\u00edaco fala-s\u00f3.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>O idiota que se baba,<\/em><br \/>\n<em>explicado pelo psiquiatra gago.<\/em><br \/>\n<em>O legat\u00e1rio de outros,<\/em><br \/>\n<em>o que nos governa.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>O depressivo que salva<\/em><br \/>\n<em>o mundo. Aqueles que o destroem.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>E h\u00e1 sempre um<\/em><br \/>\n<em>(o mais intrat\u00e1vel) que n\u00e3o desiste<\/em><br \/>\n<em>e escreve versos.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>N\u00e3o gosto destes loucos.<\/em><br \/>\n<em>(Torturados pela escurid\u00e3o, pela morte?)<\/em><br \/>\n<em>Gosto desta velha senhora<\/em><br \/>\n<em>que ri, manso, pela rua, de felicidade.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span class=\"fe5nidar khvhiq1o r5qsrrlp i5tg98hk f9ovudaz przvwfww gx1rr48f gfz4du6o r7fjleex nz2484kf svot0ezm dcnh1tix sxl192xd t3g6t33p\"><span class=\"mpj7bzys xzlurrtv\">\u2663\ufe0f<\/span><\/span><\/p>\n<h3 style=\"text-align: center;\">Ant\u00f3nio Os\u00f3rio<\/h3>\n<table style=\"width: 100%; border-collapse: collapse; background-color: #fff2e0;\">\n<tbody>\n<tr>\n<td style=\"width: 100%;\">\n<p style=\"text-align: center;\"><em>\u00a0Porque a loucura de Deus \u00e9 mais s\u00e1bia que a sabedoria humana, e a fraqueza de Deus \u00e9 mais forte que a for\u00e7a do homem.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>1Cor\u00edntios 1:22-25<\/strong><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><span style=\"text-align: justify; font-size: 18pt;\">Em 26 de novembro de 1959 escreveu Maura Lopes Can\u00e7ado em seu di\u00e1rio:<\/span><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Se algu\u00e9m perguntar por mim<\/em><br \/>\n<em>n\u00e3o perten\u00e7o a ningu\u00e9m<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Devo escrever sempre no princ\u00edpio de cada p\u00e1gina do meu di\u00e1rio que sou uma psicopata. Talvez essa afirma\u00e7\u00e3o venha despertar-me, mostrando a dura realidade que parece tremular entre esta n\u00e9voa longa e dif\u00edcil que envolve meus dias, me obrigando a marchar, dura e sacudida \u2013 e sem recuos.<\/em><br \/>\n<em>O hosp\u00edcio \u00e9 \u00e1rido e atentamente acordado. Em cada canto, olhos cor-de-rosa e frios espiam sem piscar. Os dias neutros. As tardes opacas, vazias, quando um ru\u00eddo assusta, como vida, surgida r\u00e1pida, logo apagada \u2013 extinta. As mulheres presas no p\u00e1tio deixam as se\u00e7\u00f5es quase vazias; poucas permanecem, como eu, aqui dentro o dia todo. N\u00e3o frequento o p\u00e1tio e isto me d\u00e1, ainda aqui, e usando o uniforme do hospital, a sensa\u00e7\u00e3o de estar \u00e0 margem. Algumas mulheres son\u00e2mbulas andam vagas pelos corredores cinzentos. Outras, sentadas no cimento fresco, olham nada, perdendo-se em dist\u00e2ncias incomensur\u00e1veis \u2013 brancas. \u00c0s vezes uma guarda sobe a escada, entra na se\u00e7\u00e3o conduzindo uma mulher rasgada e sangrando: \u201cBrigou no p\u00e1tio\u201d. Diz com indiferen\u00e7a. Ando pelo corredor. Meu rosto busca quieto. Des\u00e7o as escadas. Embaixo algumas mulheres falam alto, discutem ou cantam. Nada encontro e volto. Um rosto p\u00e1lido me olha, longo, sem falar. De c\u00f3coras, no corredor, ela tem o infinito nos olhos. Por um momento quase indago, mas me limito a sorrir-lhe. Continua longe, sem se mover. Meus p\u00e9s descal\u00e7os pisam o cimento dos corredores \u2013 em busca. Que posso encontrar aqui? Me pergunto, branca e limpa de fazer d\u00f3. Os dormit\u00f3rios vazios e impessoais s\u00e3o cemit\u00e9rios, onde se guardam passado e futuro de tantas vidas. Cemit\u00e9rios sem flor e sem piedade: cada leito mudo \u00e9 um t\u00famulo, e eu existo entre o c\u00e9u e esta dorm\u00eancia calada.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>Maura Lopes Can\u00e7ado &#8211; <em>Hosp\u00edcio \u00e9 Deus<\/em> &#8211; Editora Aut\u00eantica<\/strong><\/p>\n<hr \/>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-1643 aligncenter\" src=\"https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/aloucaloucaP.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"631\" srcset=\"https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/aloucaloucaP.jpg 400w, https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/aloucaloucaP-190x300.jpg 190w, https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/aloucaloucaP-150x237.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>[&#8230;] para mim, pessoas mesmo s\u00e3o os loucos, os que est\u00e3o loucos para viver, loucos para falar, loucos para serem salvos, que querem tudo ao mesmo tempo, aqueles que nunca bocejam e jamais dizem coisas comuns, mas queimam, queimam, queimam como fabulosos fogos de artif\u00edcio, explodindo como constela\u00e7\u00f5es em cujo centro fervilhante \u2014 pop \u2014 pode-se ver um brilho azul e intenso at\u00e9 que todos \u201caaaaaaah!\u201d<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Jack Kerouac<\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Louco. \u00c9 a carta da semana. <strong>Quem, a esta altura do campeonato, n\u00e3o ficou meio louco est\u00e1 de parab\u00e9ns<\/strong>! Quem passou e saiu vivo dos \u00faltimos anos sem enlouquecer um pouco merece todo respeito. Eu n\u00e3o conheci ainda tal pessoa, mas <em>vai que<\/em>?\u00a0<strong>Golpe, governos das trevas, pandemia, cat\u00e1strofe clim\u00e1tica<\/strong>, s\u00f3 para falar das loucuras coletivas. <strong>O mundo est\u00e1 de cabe\u00e7a para baixo<\/strong> e n\u00f3s tentamos nos equilibrar \u00e0 beira do abismo. <strong>N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel e nem \u00e9 saud\u00e1vel se manter ileso num cen\u00e1rio destes<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A carta do louco tem muitos significados. Ela \u00e9 uma carta complexa e cheia de nuances. Significa muitas coisas e <strong>n\u00e3o significa<\/strong> v\u00e1rias outras, vamos lembrar. A interpreta\u00e7\u00e3o das cartas do tar\u00f4 tem limites, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel, por pregui\u00e7a de estudar, sair atribuindo significados tirados sabe-se de onde, \u00e0s cartas. Esse arcano, que ora \u00e9 o primeiro, ora o 22\u00b0, ora o 21\u00b0, significa, dependendo do contexto, <strong>liberdade, in\u00edcios, ingenuidade, infantilidade, pureza,<\/strong> <strong>novos come\u00e7os<\/strong>\u00a0etc., etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas hoje, em vista da <em>insanidade<\/em> que temos presenciado dia ap\u00f3s dia, vamos falar de seu significado <strong>primordial<\/strong>, do <strong>significado mais antigo<\/strong>, aquele que vinha antes da Ordem Golden Dawn entrar na brincadeira. Vamos falar sobre a <strong>loucura<\/strong> mesmo, a loucura em si, (que nem existe, mas me d\u00eaem uma<em> licen\u00e7a po\u00e9tica<\/em>) aquela que nos fizeram <strong>temer e recha\u00e7ar<\/strong>, aquela que \u00e9 raz\u00e3o de <strong>exclus\u00e3o<\/strong>, de <strong>interna\u00e7\u00e3o<\/strong> e de <strong>pavor<\/strong>.\u00a0 A nossa cultura configurou um <strong>padr\u00e3o muito estreito de normalidade<\/strong>. Nossa <strong>norma social<\/strong> \u00e9 pequena e dela foram exclu\u00eddos in\u00fameros corpos, in\u00fameros modos de estar no mundo. Em nossa conforma\u00e7\u00e3o social <strong>ningu\u00e9m enlouquece pelos seus pr\u00f3prios des\u00edgnios<\/strong>, mas o faz segundo a <strong>norma social.<\/strong> A loucura \u00e9 o que foge do quadro cultural, <strong>cada sociedade cria seu modelo de loucura<\/strong>. E azar daquela subjetividade que atravessa esse modelo. Azar porque <strong>n\u00e3o somos gentis com os dissonantes<\/strong>, e os loucos s\u00e3o os grandes discordantes. E s\u00e3o loucos porque dissonantes. E vice-versa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nossas sociedades criam um grande problema para a experi\u00eancia humana, que \u00e9 <strong>a falta da integra\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios outros modos de existir<\/strong>, sendo a loucura um deles. N\u00e3o bastasse todo o restante tratamento que damos \u00e0 loucura, exclui-la da conviv\u00eancia <strong>empobrece demais a vida<\/strong>. E \u00e9 tamb\u00e9m um problema de comunica\u00e7\u00e3o, no mundo moderno <strong>n\u00e3o h\u00e1 mais uma comunica\u00e7\u00e3o plena com os chamados loucos, como observou um autor chamado Frayze Pereira<\/strong>. Mas os modos dissonantes de existir, de expressar a subjetividade continuam a\u00ed, <strong>sempre estar\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com isso em mente, essa semana o tar\u00f4 nos convida a refletir sobre a <strong>loucura<\/strong>, no seu sentido comum. Tanto a loucura dos loucos, dos enclausurados, banidos, dos que fogem \u00e0 norma social, quanto a <strong>nossa pr\u00f3pria loucura, nossos pontos malucos, sem l\u00f3gica, nosso temor da loucura, a <em>pira\u00e7\u00e3o<\/em> que aparece antes de dormir e nos assusta<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A loucura \u00e9 imensamente criativa<\/strong>, como mostram as in\u00fameras obras de artes dos chamados loucos. \u00c0s vezes <strong>a loucura pode ser excesso de criatividade<\/strong>, criatividade n\u00e3o liberada e por a\u00ed vai. \u00c0s vezes \u00e9 excesso de imagina\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m. Eu lembro a mim mesma que <strong>toda cartomante \u00e9 meio doida<\/strong>, tem que ser, para exercer um of\u00edcio com tal l\u00f3gica desafinada, ou falta de l\u00f3gica. Tem loucura em toda atividade, em toda parte, <em>de perto ningu\u00e9m \u00e9 normal<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Nesta semana podemos enlouquecer um pouco<\/strong>. Mas antes disso \u00e9 permitido sermos criativos tamb\u00e9m. <strong>Exercer a criatividade \u00e9 sempre um chamado do tar\u00f4<\/strong>. Podemos escrever poemas, dan\u00e7ar, pintar e bordar. Construir coisas bonitas ou feias, pensar em solu\u00e7\u00f5es il\u00f3gicas para nossos problemas. \u00c9 simples, como toda instru\u00e7\u00e3o dos arcanos: para a semana vamos refletir sobre a loucura, vamos lembrar que <strong>nosso irm\u00e3o &#8220;louco&#8221; pode ter somente um modo diferente de existir<\/strong>, vamos apoiar a luta antimanicomial, vamos ser loucamente criativos, vamos recordar que o nosso louco de agora e daqui \u00e9 <strong>o xam\u00e3, o iluminado, o profeta de outro tempo e lugar.<\/strong> \u00a0Celebremos os loucos que ainda moram em n\u00f3s, talvez eles nos ajudem a manter a sanidade. Lembrem-se:<em> sua casa n\u00e3o te define, sua carne n\u00e3o te define, voc\u00ea \u00e9 seu pr\u00f3prio lar<\/em>, mesmo que o lar seja a loucura.<\/p>\n<p>Boa semana doidinhos, enloque\u00e7am depressa e voltem devagar.<\/p>\n<table style=\"width: 100%; border-collapse: collapse; background-color: #fcddd2;\">\n<tbody>\n<tr>\n<td style=\"width: 100%;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-1639 aligncenter\" src=\"https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/alouca1p.jpg\" alt=\"\" width=\"350\" height=\"638\" srcset=\"https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/alouca1p.jpg 350w, https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/alouca1p-165x300.jpg 165w, https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/alouca1p-150x273.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 350px) 100vw, 350px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A carta de tar\u00f4 &#8220;O Louco&#8221; \u00e9 uma das cartas mais complexas e enigm\u00e1ticas do baralho de tar\u00f4. Ela representa a energia da liberdade, da espontaneidade e da aventura. O Louco na representa\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica, \u00e9 simbolizado por um jovem alegre e despreocupado, carregando uma pequena bolsa nas costas e um cachorro ao seu lado. Esta carta est\u00e1 associada ao in\u00edcio de uma jornada, um novo come\u00e7o ou uma mudan\u00e7a significativa na vida de algu\u00e9m. Ela nos lembra que \u00e0s vezes \u00e9 necess\u00e1rio arriscar para alcan\u00e7ar o crescimento pessoal e a realiza\u00e7\u00e3o de nossos objetivos. O Louco tamb\u00e9m fala sobre confiar em nossa intui\u00e7\u00e3o e seguir nosso cora\u00e7\u00e3o, mesmo que isso signifique enfrentar o desconhecido. Ele nos lembra que a vida \u00e9 cheia de surpresas e que devemos estar abertos para aproveitar as oportunidades que surgem em nosso caminho. No entanto, \u00e9 importante saber que a energia do Louco tamb\u00e9m pode ser um aviso para evitar comportamentos impulsivos ou irrespons\u00e1veis. Embora seja encorajado buscar novas experi\u00eancias, \u00e9 essencial agir com cautela, tomar as provid\u00eancias necess\u00e1rias para sair em viagem com toda seguran\u00e7a. A presen\u00e7a da carta do Louco pode indicar que \u00e9 hora de tomar um risco calculado ou explorar novas possibilidades em nossa vida. O Louco representa a energia da liberdade, da aventura e do novo come\u00e7o. Ela nos diz que devemos abra\u00e7ar as oportunidades que a vida nos oferece e confiar em nossa intui\u00e7\u00e3o ao tomar decis\u00f5es. Prepare-se para uma jornada que pode come\u00e7ar nesta semana.<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<h2 style=\"text-align: center;\">Um texto para n\u00f3s, que somos s\u00e3os<\/h2>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"font-size: 10pt;\"><strong>CARTA AOS M\u00c9DICOS-CHEFES DOS MANIC\u00d4MIOS<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Senhores,<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>As leis e os costumes vos concedem o direito de medir o esp\u00edrito. Essa jurisdi\u00e7\u00e3o soberana e tem\u00edvel \u00e9 exercida com vossa raz\u00e3o. Deixai-nos rir. A credulidade dos povos civilizados, dos s\u00e1bios, dos governos, adorna a psiquiatria de n\u00e3o sei que luzes sobrenaturais. O processo da vossa profiss\u00e3o j\u00e1 recebeu seu veredito. N\u00e3o pretendemos discutir aqui o valor da vossa ci\u00eancia nem a duvidosa exist\u00eancia das doen\u00e7as mentais. Mas para cada cem supostas patogenias nas quais se desencadeia a confus\u00e3o da mat\u00e9ria e do esp\u00edrito, para cada cem classifica\u00e7\u00f5es das quais as mais vagas ainda s\u00e3o as mais aproveit\u00e1veis, quantas s\u00e3o as tentativas nobres de chegar ao mundo cerebral onde vivem tantos dos vossos prisioneiros? Quantos, por exemplo, acham que o sonho do demente precoce, as imagens pelas quais ele \u00e9 possu\u00eddo, s\u00e3o algo mais que uma salada de palavras?<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>N\u00e3o nos surpreendemos com vosso despreparo diante de uma tarefa para a qual s\u00f3 existem uns poucos predestinados. No entanto nos rebelamos contra o direito concedido a homens \u2013 limitados ou n\u00e3o \u2013 de sacramentar com o encarceramento perp\u00e9tuo suas investiga\u00e7\u00f5es no dom\u00ednio do esp\u00edrito.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>E que encarceramento! Sabe-se \u2013 n\u00e3o se sabe o suficiente \u2013 que os hosp\u00edcios, longe de serem asilos, s\u00e3o pavorosos c\u00e1rceres onde os detentos fornecem uma m\u00e3o de obra gratuita e c\u00f4moda, onde os supl\u00edcios s\u00e3o a regra, e isso \u00e9 tolerado pelos senhores. O hosp\u00edcio de alienados, sob o manto da ci\u00eancia e da justi\u00e7a, \u00e9 compar\u00e1vel \u00e0 caserna, \u00e0 pris\u00e3o, \u00e0 masmorra.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>N\u00e3o levantaremos aqui a quest\u00e3o das interna\u00e7\u00f5es arbitr\u00e1rias, para vos poupar o trabalho dos desmentidos f\u00e1ceis. Afirmamos que uma grande parte dos vossos pensionistas, perfeitamente loucos segundo a defini\u00e7\u00e3o oficial, est\u00e3o, eles tamb\u00e9m, arbitrariamente internados. N\u00e3o admitimos que se freie o livre desenvolvimento de um del\u00edrio, t\u00e3o leg\u00edtimo e l\u00f3gico quanto qualquer outra sequ\u00eancia de ideias e atos humanos. A repress\u00e3o dos atos antissociais \u00e9 t\u00e3o ilus\u00f3ria quanto inaceit\u00e1vel no seu fundamento. Todos os atos individuais s\u00e3o antissociais. Os loucos s\u00e3o as v\u00edtimas individuais por excel\u00eancia da ditadura social; em nome dessa individualidade intr\u00ednseca ao homem, exigimos que sejam soltos esses encarcerados da sensibilidade, pois n\u00e3o est\u00e1 ao alcance das leis prender todos os homens que pensam e agem.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Sem insistir no car\u00e1ter perfeitamente genial das manifesta\u00e7\u00f5es de certos loucos, na medida da nossa capacidade de avali\u00e1-las, afirmamos a legitimidade absoluta da sua concep\u00e7\u00e3o de realidade e de todos os atos que dela decorrem.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Que tudo isso seja lembrado amanh\u00e3 pela manh\u00e3, na hora da visita, quando tentarem conversar sem dicion\u00e1rio com esses homens sobre os quais, reconhe\u00e7am, os senhores s\u00f3 t\u00eam a superioridade da for\u00e7a.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>Antonin Artaud &#8211; <em>Escritos de Antonin Artaud<\/em> &#8211; Ed. L&amp;PM<\/strong><\/p>\n<table style=\"width: 100%; border-collapse: collapse; background-color: #f4e1fc;\">\n<tbody>\n<tr>\n<td style=\"width: 100%; text-align: center;\">\n<h2>Ars longa &amp; sana<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>A loucura tamb\u00e9m \u00e9 respons\u00e1vel por um n\u00famero imenso de arte, de filosofia. \u00c9 um tema que compreensivelmente ocupa o pensamento humano desde onde nem se pode medir. Os loucos, a loucura, a sanidade, o enlouquecer. A disson\u00e2ncia, essa palavra que est\u00e1 t\u00e3o n\u00e3 moda. Por isso tamb\u00e9m existe um infinito de arte sobre o tema. Tem material para um sem n\u00famero de posts, de analogias, de estudo. Como sempre, e inevitavelmente, separei o que primeiro veio \u00e0 minha mente sobre a loucura.<\/strong><\/em><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<h3 style=\"text-align: center;\">Livro<\/h3>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-1645 aligncenter\" src=\"https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/hospicioedeusp.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"438\" srcset=\"https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/hospicioedeusp.jpg 350w, https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/hospicioedeusp-205x300.jpg 205w, https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/hospicioedeusp-150x219.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Hosp\u00edcio \u00e9 Deus &#8211; Maura Lopes Can\u00e7ado. <em>Esse livro \u00e9 muito bom. Maura tem uma rela\u00e7\u00e3o bastante peculiar com o que \u00e9 dito sua pr\u00f3pria loucura. Mo\u00e7a de fam\u00edlia rica, parte da alta sociedade de Belo Horizonte, jornalista, bonita, inteligente, jovem, ela se intena por conta pr\u00f3pria e conta o que passou nos dias de loucura e interna\u00e7\u00e3o. Nas p\u00e1ginas desse di\u00e1rio lemos uma prosa bel\u00edssima, muito sens\u00edvel e com uma percep\u00e7\u00e3o muito agu\u00e7ada de si mesmo, do mundo, da vida. \u00c9 um livro muito bom, que merecia ser muito mais conhecido e lido. Eu fiquei apaixonada pela mo\u00e7a mineira dos anos 50 que tanta lucidez tinha, apesar de taxada de louca. A hist\u00f3ria pessoal de Maura tamb\u00e9m \u00e9 tr\u00e1gica e triste, comove como o diabo.<\/em><\/strong><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hosp\u00edcio e Deus \u00e9 um livro de Maura Lopes Can\u00e7ado, uma escritora brasileira que viveu parte de sua vida em institui\u00e7\u00f5es psiqui\u00e1tricas. O livro \u00e9 um di\u00e1rio que narra suas experi\u00eancias no hosp\u00edcio, sua rela\u00e7\u00e3o com a loucura, a literatura e a f\u00e9. Maura escreve com uma linguagem po\u00e9tica, sens\u00edvel e cr\u00edtica, revelando as contradi\u00e7\u00f5es e os desafios de conviver com a doen\u00e7a mental em uma sociedade que a marginaliza e a oprime. Ela tamb\u00e9m reflete sobre o sentido da exist\u00eancia, a busca por Deus e a esperan\u00e7a de cura.\u00a0O livro \u00e9 um testemunho impressionante e emocionante de uma mulher que lutou contra o estigma, a viol\u00eancia e a solid\u00e3o, mas que nunca deixou de se expressar atrav\u00e9s da arte. Maura Lopes Can\u00e7ado \u00e9 uma das vozes mais originais e importantes da literatura brasileira, que merece ser lida e reconhecida por sua coragem e talento.<\/p>\n<hr \/>\n<h3 style=\"text-align: center;\">Falat\u00f3rios<\/h3>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1652 aligncenter\" src=\"https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/falatorios.jpg\" alt=\"\" width=\"451\" height=\"365\" srcset=\"https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/falatorios.jpg 866w, https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/falatorios-300x242.jpg 300w, https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/falatorios-768x621.jpg 768w, https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/falatorios-150x121.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 451px) 100vw, 451px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>Stella do Patroc\u00ednio era uma empregada dom\u00e9stica, carioca, negra, de 21 anos quando foi parada pela pol\u00edcia nas ruas do Rio e presa por vadiagem. Foi jogada na Col\u00f4nia Juliano Moreira onde permaneceu at\u00e9 a morte. No final dos anos 80 a professora Carla Guagliardi promoveu oficinas de arte na Col\u00f4nia e ali entrou em contato com a poesia de Stella. A produ\u00e7\u00e3o de Stella n\u00e3o era escrita, ela falava, falava e falava, e essas falas, que foram gravadas e s\u00e3o cheias de poesia, de prosa liter\u00e1ria, de filosofia e sabedoria foram chamadas de Falat\u00f3rios. Elas foram recuperadas e agora est\u00e3o <a href=\"https:\/\/dspace.unila.edu.br\/handle\/123456789\/6465\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">dispon\u00edveis para serem baixadas no site da UNILA<\/a>. \u00a0Stella, descobriu-se, era uma pessoa de conhecimento profundo, de letramento, de grande poesia e de uma singularidade extremamente rica. Mas infelizmente permaneceu encarcerada a vida toda, pelo simples fato de ser um corpo negro e feminino em circula\u00e7\u00e3o no Rio dos anos 60.<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>Eu ouvi alguns \u00e1udios e s\u00e3o maravilhosos, emocionam, encantem e assombram pela for\u00e7a e pela hist\u00f3ria de Stela. Como \u00e9 que algo assim n\u00e3o est\u00e1 no pante\u00e3o da arte nacional? Enfim, uma pergunta que fazemos demais neste pa\u00eds, especialmente quando o artista \u00e9 negro, \u00e9 mulher. E se for considerado louco ainda&#8230; Os \u00e1udios est\u00e3o dispon\u00edveis aqui. Existem livros e teses sobre Stella, \u00e9 s\u00f3 procurar, a hist\u00f3ria dela \u00e9 fascinante demais, conhe\u00e7am. Tem um epis\u00f3dio sobre ela no podcast Res\u00edduos, do <a href=\"https:\/\/globoplay.globo.com\/residuo\/t\/NbR2hXVZF6\/temporadas\/1\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Canal Brasil, na Globoplay<\/a>. <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=ftD6PPBQj-U\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">E tem esse epis\u00f3dio de podcast, excelente, da 451<\/a>.<\/strong><\/em><\/p>\n<hr \/>\n<h3 style=\"text-align: center;\">Document\u00e1rio<br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-1646 aligncenter\" src=\"https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/2022-2824-estamira-para-todos-e-ninguem-poster.webp\" alt=\"\" width=\"343\" height=\"508\" srcset=\"https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/2022-2824-estamira-para-todos-e-ninguem-poster.webp 362w, https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/2022-2824-estamira-para-todos-e-ninguem-poster-203x300.webp 203w, https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/2022-2824-estamira-para-todos-e-ninguem-poster-150x222.webp 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 343px) 100vw, 343px\" \/><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Estamira &#8211; Marcos Prado &#8211; 2005. <em>Estamira \u00e9 assombroso. Estamira \u00e9 assombrosa. Que document\u00e1rio excelente. Eu tamb\u00e9m fiquei muito tocada com o document\u00e1rio e com sua personagem. Com a l\u00f3gica irretoc\u00e1vel dentro da matriz louca, Estamira, uma catadora de papel que em qualquer outro lugar e tempo seria uma gande xam\u00e3, uma grande profeta, uma paj\u00e9, uma sacerdotisa iluminada. Uma mulher que foi contornando a vida, contornando a loucura e seguiu sua vida de uma maneira incr\u00edvel. Vale demais cada minuto. <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=-wHISEEXMh4\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Pode ser visto, numa c\u00f3pia n\u00e3o t\u00e3o boa, aqui.<\/a><\/em><\/strong><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\">O document\u00e1rio Estamira, dirigido por Marcos Prado, retrata a vida de uma mulher que trabalhou por mais de 20 anos no aterro sanit\u00e1rio de Jardim Gramacho, no Rio de Janeiro. Estamira \u00e9 uma personagem complexa e intrigante, que possui uma vis\u00e3o de mundo muito peculiar e controversa.\u00a0O document\u00e1rio apresenta a hist\u00f3ria de Estamira de forma n\u00e3o linear, mesclando trechos de entrevistas com ela e com outras pessoas que a conheceram, imagens do aterro sanit\u00e1rio e cenas do cotidiano da personagem. Al\u00e9m disso, o filme tamb\u00e9m aborda temas como sa\u00fade mental, pobreza e exclus\u00e3o social.\u00a0Estamira \u00e9 uma figura emblem\u00e1tica da sociedade brasileira, que muitas vezes ignora a exist\u00eancia de pessoas como ela. O document\u00e1rio nos faz refletir sobre a import\u00e2ncia de dar voz \u00e0s pessoas marginalizadas e sobre a necessidade de uma pol\u00edtica p\u00fablica mais efetiva para lidar com quest\u00f5es sociais t\u00e3o complexas.<\/p>\n<hr \/>\n<h3 style=\"text-align: center;\">Holocausto Brasileiro &#8211; Livro e\/ou document\u00e1rio<\/h3>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-1647 aligncenter\" src=\"https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/holocaustobrasileirop.jpg\" alt=\"\" width=\"350\" height=\"512\" srcset=\"https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/holocaustobrasileirop.jpg 350w, https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/holocaustobrasileirop-205x300.jpg 205w, https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/holocaustobrasileirop-150x219.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 350px) 100vw, 350px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Holocausto Brasileiro &#8211; Daniela Arbex &#8211;\u00a0 livro. Holocausto Brasileiro &#8211; Armando Mendz, Daniela Arbex, 2016 &#8211; document\u00e1rio.\u00a0<em>Eu estive em Barbacena no final dos anos 80. Ainda funcionava normalmente. Por que eu estive em tal lugar? respondo a quem um dia me perguntou estranhando. Porque eu fazia faculdade de Direito na \u00e9poca e era parte da mat\u00e9ria Direito Penal I ou II, n\u00e3o me lembro mais. Fomos a sala toda, para Barbacena e depois seguimos para Bangu, no RJ. Foi o pior lugar onde estive em toda minha vida e me lembro que n\u00e3o conseguir ficar o tempo todo dentro do lugar, de achar irrespir\u00e1vel. Lembro de relatos de adminstradoras da \u00e9poca, sobre uma mulher que chegou s\u00e3 e foi enlouquecida l\u00e1 dentro, sendo, naquele momento da nossa visita, tida como &#8220;irrecuper\u00e1vel&#8221;. Era um lugar tenebroso, apavorante, com um mau cheiro que nunca tinha sentido antes nem senti depois. Por isso quando saiu este livro eu quis ler imediatamente. E \u00e9 um \u00f3timo livro, a reportagem de Daniela Arbex \u00e9 muito bem feita, o livro \u00e9 muito bem escrito e evoca todo pavor que senti l\u00e1 dentro e ainda mais, claro, o relato \u00e9 todo horroroso, pois os fatos eram terr\u00edveis. Esse lugar \u00e9 uma aberra\u00e7\u00e3o que nunca devia ter existido, mas infelizmente n\u00e3o \u00e9, nem foi, nenhuma exce\u00e7\u00e3o. O Document\u00e1rio pode ser visto em \u00f3tima resolu\u00e7\u00e3o, no <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=jIentTu8nc4\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">YouTube, neste link<\/a>.\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em reportagem consagrada, Daniela Arbex denuncia um dos maiores genoc\u00eddios do Brasil, no hospital Col\u00f4nia, em Minas Gerais.\u00a0No Centro Hospitalar Psiqui\u00e1trico de Barbacena, conhecido apenas por Col\u00f4nia, ocorreu uma das maiores barb\u00e1ries da hist\u00f3ria do Brasil. O centro recebia diariamente, al\u00e9m de pacientes com diagn\u00f3stico de doen\u00e7a mental, homossexuais, prostitutas, epil\u00e9ticos, m\u00e3es solteiras, meninas problem\u00e1ticas, mulheres engravidadas pelos patr\u00f5es, mo\u00e7as que haviam perdido a virgindade antes do casamento, mendigos, alco\u00f3latras, melanc\u00f3licos, t\u00edmidos e todo tipo de gente considerada fora dos padr\u00f5es sociais.\u00a0Essas pessoas foram maltratadas e mortas com o consentimento do Estado, m\u00e9dicos, funcion\u00e1rios e sociedade. Apesar das den\u00fancias feitas a partir da d\u00e9cada de 1960, mais de 60 mil internos morreram e um n\u00famero incont\u00e1vel de vidas foi marcado de maneira irrevers\u00edvel.\u00a0 Daniela Arbex entrevistou ex-funcion\u00e1rios e sobreviventes para resgatar de maneira detalhada e emocionante as hist\u00f3rias de quem viveu de perto o horror perpetrado por uma institui\u00e7\u00e3o com um prop\u00f3sito de limpeza social compar\u00e1vel aos regimes mais abomin\u00e1veis do s\u00e9culo XX. Um relato essencial e um marco do jornalismo investigativo no pa\u00eds, relan\u00e7ado pela Intr\u00ednseca com novo projeto gr\u00e1fico e posf\u00e1cio in\u00e9dito da autora.<\/p>\n<hr \/>\n<h3 style=\"text-align: center;\">Filme<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-1648 aligncenter\" src=\"https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/ahistoriadeadeleh.jpg\" alt=\"\" width=\"350\" height=\"523\" srcset=\"https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/ahistoriadeadeleh.jpg 350w, https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/ahistoriadeadeleh-201x300.jpg 201w, https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/ahistoriadeadeleh-150x224.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 350px) 100vw, 350px\" \/><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A Hist\u00f3ria de Ad\u00e8le H &#8211; Fran\u00e7ois Truffaut &#8211; 1975. <em>Eu gostei tanto, tanto deste filme, quando vi que meu <\/em>nick <em>(ainda se usa esse termo?) na internet h\u00e1 muitos anos era Adele H. E foi com esse apelido que conheci o Akio, h\u00e1 mais de 23 anos. \u00c9 um filme muito bom para ilustrar a loucura de que falamos. Uma loucura comum ainda hoje, a loucura de uma mulher talentosa e apaixonada, e que vai sendo enlouquecida e adoecida aos poucos, mas n\u00e3o devagar, pela sociedade que a cerca. Al\u00e9m disso tem a mais bela de todas, Isabelle Adjani e \u00e9 um Truffaut, s\u00f3 isso j\u00e1 bastaria. E eu assisiti quando minha alma ainda era nova, ing\u00eanua e boba. N\u00e3o tinha como n\u00e3o ter sido marcada por ele.<\/em><\/strong><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\">O filme A Hist\u00f3ria de Ad\u00e8le H, de Fran\u00e7ois Truffaut, \u00e9 um drama biogr\u00e1fico baseado no di\u00e1rio de Ad\u00e8le Hugo, filha do famoso escritor franc\u00eas Victor Hugo. O filme conta a hist\u00f3ria do amor obsessivo e n\u00e3o correspondido que Ad\u00e8le sente pelo tenente Albert Pinson, um oficial ingl\u00eas que a seduziu e depois a abandonou. Ad\u00e8le vive em busca de Pinson, usando nomes falsos e se envolvendo em situa\u00e7\u00f5es perigosas. Ela perde a raz\u00e3o e a vontade de viver, sofrendo de alucina\u00e7\u00f5es e del\u00edrios. O filme \u00e9 uma obra-prima de Truffaut, que retrata com sensibilidade e profundidade a ang\u00fastia e a loucura de Ad\u00e8le. A atriz Isabelle Adjani tem uma atua\u00e7\u00e3o impressionante, que lhe rendeu indica\u00e7\u00f5es ao Oscar e ao C\u00e9sar de melhor atriz. Ela transmite com expressividade e emo\u00e7\u00e3o a paix\u00e3o desesperada e a dor de Ad\u00e8le. O filme tamb\u00e9m tem uma bela fotografia e uma trilha sonora envolvente. A Hist\u00f3ria de Ad\u00e8le H \u00e9 um filme que mostra o poder e o perigo do amor, que pode levar \u00e0 felicidade ou \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o. \u00c9 um filme que fala sobre a liberdade e a pris\u00e3o, sobre a vida e a morte, sobre a arte e a loucura.<\/p>\n<hr \/>\n<h3 style=\"text-align: center;\">S\u00e9rie<\/h3>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-1651 aligncenter\" src=\"https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/manicomio.jpg\" alt=\"\" width=\"350\" height=\"481\" srcset=\"https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/manicomio.jpg 350w, https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/manicomio-218x300.jpg 218w, https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/manicomio-150x206.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 350px) 100vw, 350px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>American Horror Story &#8211; Segunda Temporada &#8211; Ryan Murphy e Brad Falchuk &#8211; 2013. <em>Terminei essa temporada n\u00e3o faz nem um m\u00eas. \u00c9 muito divertida. N\u00e3o \u00e9 engra\u00e7ada, nem nada, \u00e9 sombria esquisita e bizarra, mas \u00e9 muito ilustrativa do que eram e ainda s\u00e3o os manic\u00f4mios, de como as coisas funcionam num lugar assim, mesmo com toda caricatura. E mostra bem como \u00e9 o enlouquecer, como \u00e9 ser enlouquecido, socialmente enlouquecido. Al\u00e9m do elenco sensacional, Jessica Lange e sua majestade. Adorei e acho que mostra bem essa faceta da carta do louco em a\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<hr \/>\n<p>A hist\u00f3ria segue os pacientes, m\u00e9dicos e freiras que ocupam a Institui\u00e7\u00e3o Mental de Briarcliff, em Massachusetts,\u00a0Estados Unidos, no ano de 1964. A institui\u00e7\u00e3o \u00e9 comandada pela Irm\u00e3 Jude Martin, com sua capacho fiel, Irm\u00e3 Mary Eunice McKee. Briarcliff foi fundada pelo monsenhor Timothy Howard para tratar de criminosos insanos. O psiquiatra Dr. Oliver Thredson e o cientista Dr. Arthur Arden tratam os pacientes dentro das instala\u00e7\u00f5es. Os pacientes, muitos dos quais afirmam ser internados injustamente, incluem a jornalista l\u00e9sbica Lana Winters, o acusado de ser um serial killer, Kit Walker, e uma suposta assassina, Grace Bertrand.<\/p>\n<hr \/>\n<h2 style=\"text-align: center;\">Vale tamb\u00e9m conhecer<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1670 aligncenter\" src=\"https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/antoninartaudlouco.jpg\" alt=\"\" width=\"250\" height=\"424\" srcset=\"https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/antoninartaudlouco.jpg 848w, https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/antoninartaudlouco-177x300.jpg 177w, https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/antoninartaudlouco-603x1024.jpg 603w, https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/antoninartaudlouco-768x1303.jpg 768w, https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/antoninartaudlouco-150x255.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 250px) 100vw, 250px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-size: 8pt;\"><em>Carta do baralho Tar\u00f4 dos Fil\u00f3sofos<\/em><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span class=\"fe5nidar khvhiq1o r5qsrrlp i5tg98hk f9ovudaz przvwfww gx1rr48f gfz4du6o r7fjleex nz2484kf svot0ezm dcnh1tix sxl192xd t3g6t33p\"><span class=\"mpj7bzys xzlurrtv\">\u2660\ufe0f<\/span><\/span><\/p>\n<ul>\n<li style=\"text-align: justify;\"><strong><em>Camille Claudel, conhecer a vida e a obra de outra g\u00eania que foi enlouquecida e confinada, teve cr\u00e9ditos roubados, e viveu uma hist\u00f3ria de loucura trist\u00edssima. O filme Camille Claudel tamb\u00e9m \u00e9 maravilhoso, novamente, tem Adjani. Se puderem ver as esculturas dela, que s\u00e3o a coisa mais linda que j\u00e1 vi na vida, eu sonho com elas at\u00e9 hoje, mais de 25 anos depois, nunca olhei nada t\u00e3o lindo de perto. Elas j\u00e1 estiveram no Brasil algumas vezes.<\/em><\/strong><\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\"><strong><em>Arthur Bispo do Ros\u00e1rio &#8211; Esse \u00e9 um artista que todo brasileiro devia conhecer, assim como conhecemos Portinari, Aleijadinho, Di Cavalcanti, etc. No museu virtual tem o panorama da vida e obra dele. <a href=\"https:\/\/museubispodorosario.com\/arthur-bispo-do-rosario\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Aqui<\/a>. <\/em><\/strong><\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\"><strong><em>Ler o Di\u00e1rio do Hosp\u00edcio, do Lima Barreto. Lima nunca foi taxado de louco, mas era um discordante, pois alco\u00f3latra e escreveu esse di\u00e1rio maravilhoso. A lucidez de Lima Barreto \u00e9 tocante demais.<\/em><\/strong><\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\"><strong><em> Os escritos de Antonin Artaud, e de outras pessoas for\u00e7adas a se internarem,\u00a0 confinadas, e adoecidas. A loucura produz muita beleza tamb\u00e9m.\u00a0<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-size: 10pt;\"><strong>Post com a colabora\u00e7\u00e3o de\u00a0<a href=\"http:\/\/instagram.com\/laismeralda\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">@laismeralda, que \u00e9 a<em>\u00a0melhor cartomante do peda\u00e7o, marque sua consulta com ela.<\/em><\/a><\/strong><\/span><\/p>\n<hr \/>\n<div class=\"flex-1 overflow-hidden\">\n<div class=\"react-scroll-to-bottom--css-ktnpy-79elbk h-full dark:bg-gray-800\">\n<div class=\"react-scroll-to-bottom--css-ktnpy-1n7m0yu\">\n<div class=\"flex flex-col text-sm dark:bg-gray-800\">\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-size: 8pt;\">26 de novembro \u00e9 o 330.\u00ba dia do ano no calend\u00e1rio gregoriano (331.\u00ba em anos bissextos). Faltam 35 dias para acabar o ano.<\/span><\/p>\n<table style=\"width: 100%; border-collapse: collapse; background-color: #d7f7e9;\">\n<tbody>\n<tr>\n<td style=\"width: 100%;\">\n<p id=\"NTUyODMz\" class=\"frase fr\" style=\"text-align: center;\"><em>A loucura \u00e9 vizinha da mais cruel sensatez. Engulo a loucura porque ela me alucina calmamente.<\/em><\/p>\n<div class=\"autor\">\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><span class=\"author-name\">Clarice Lispector<\/span>\u00a0<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<hr \/>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"absolute bottom-0 left-0 w-full border-t md:border-t-0 dark:border-white\/20 md:border-transparent md:dark:border-transparent md:bg-vert-light-gradient bg-white dark:bg-gray-800 md:!bg-transparent dark:md:bg-vert-dark-gradient pt-2 md:pl-2 md:w-[calc(100%-.5rem)]\">\n<form class=\"stretch mx-2 flex flex-row gap-3 last:mb-2 md:mx-4 md:last:mb-6 lg:mx-auto lg:max-w-2xl xl:max-w-3xl\" enctype=\"application\/x-www-form-urlencoded\" method=\"get\">\n<div class=\"relative flex h-full flex-1 items-stretch md:flex-col\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Se voc\u00ea leu at\u00e9 aqui, obrigada! Esse \u00e9 o meu almanaque particular. Um peda\u00e7o do meu di\u00e1rio, da minha arca da velha, um registro de pequenas efem\u00e9rides, de coisas que quero guardar, do tempo, do vento, do c\u00e9u e do cheiro da chuva. Os Vest\u00edgios do Dia, meus dias. Aqui s\u00f3 tem refer\u00eancias, pois \u00e9 disso que sou feita.<\/em><\/p>\n<table style=\"width: 100%; border-collapse: collapse; background-color: #fcdede;\">\n<tbody>\n<tr>\n<td style=\"width: 100%; text-align: center;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a9 Nalua \u2013 Caderninho pessoal, bauzinho de trapos coloridos, nos morros de Minas Gerais. Primavera infernal.<\/span><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<\/div>\n<\/form>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: center;\">Esta \u00e9 a 35\u00aa de 78 p\u00e1ginas que ter\u00e1 este almanaque.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>e junto a mim me sinto outra Belo Horizonte, 26 de novembro de 2023 Falta menos de um m\u00eas para o natal \ud83d\ude31 \u263c 20\u00b0 [&#8230;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9,13,5,12],"tags":[],"class_list":["post-1630","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-almanaque","category-carta-semanal","category-newsletter","category-oraculo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1630","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1630"}],"version-history":[{"count":33,"href":"https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1630\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1680,"href":"https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1630\/revisions\/1680"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1630"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1630"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/nalua.in\/notas\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1630"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}