{"id":35,"date":"2022-03-21T18:23:27","date_gmt":"2022-03-21T18:23:27","guid":{"rendered":"http:\/\/cartas.nalu.in\/?p=35"},"modified":"2022-03-21T18:23:27","modified_gmt":"2022-03-21T18:23:27","slug":"21-de-marco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nalua.in\/cartas\/2022\/03\/21\/21-de-marco\/","title":{"rendered":"21 de mar\u00e7o"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-7\" src=\"http:\/\/nalu.in\/nalua\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/49869603621_8f38d97422_k-1024x1013.jpg\" alt=\"\" width=\"426\" height=\"422\" \/>Hoje, aqui no hemisf\u00e9rio sul \u00e9 solst\u00edcio de inverno.<br \/>\nIsso \u00e9 suficiente para me deixar contente; \u00e9 a promessa de dias mais suaves.<br \/>\nPensar no solst\u00edcio me lembra de pensar nas estrelas, na imensid\u00e3o do universo; e que quanto mais o mundo se mostra imenso, menores ficamos n\u00f3s.<br \/>\nPensar na vastid\u00e3o do universo \u00e0s vezes me leva a Carl Sagan. Eu me lembro do \u201cp\u00e1lido ponto azul\u201d. O <a href=\"https:\/\/www.skoob.com.br\/palido-ponto-azul-12234ed860292.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">livro<\/a>, do qual s\u00f3 li trechos mas quero ler inteiro, e o v\u00eddeo, que \u00e9 maravilhoso, e todo mundo j\u00e1 deve conhecer, mas n\u00e3o custa rever. Hoje \u00e9 um \u00f3timo dia para isso. Os nossos dias pedem por coisas assim. Os meus, pelo menos. Vivemos uma <a href=\"https:\/\/news.un.org\/pt\/story\/2022\/03\/1783532\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">cat\u00e1strofe clim\u00e1tica<\/a>, e este p\u00e1lido ponto azul \u00e9 a \u00fanica casa que temos, parece que nunca \u00e9 demais lembrar, porque afinal n\u00e3o lembramos o suficiente.<br \/>\nMas al\u00e9m disso, esse v\u00eddeo serve tamb\u00e9m para dar uma pausa no <a href=\"http:\/\/manancial.nalu.in\/o-lento-cancelamento-do-futuro\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">fim do mundo<\/a> e fazer recordar que ainda estamos aqui, vivos. Que <em>somos<\/em> num ponto infinitamente pequeno, mas dentro do qual existe tanta coisa. Se n\u00e3o fosse por nenhum motivo mais, a pr\u00f3pria beleza dessa vastid\u00e3o j\u00e1 seria suficiente.<br \/>\nEstas coisas eu digo a mim mesma, tentando lembrar que h\u00e1 motivos para continuar respirando, num mundo em que tudo parece ruir. N\u00e3o estamos quase todos querendo lembrar que <em>faz sentido<\/em>?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Feliz Ano Novo!<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O v\u00eddeo tem 3 minutos e meio, \u00e9 lindo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><iframe loading=\"lazy\" title=\"YouTube video player\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/SHDelUDudbU\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Inspirado neste v\u00eddeo tem o poema incr\u00edvel da Maya Angelou, e ele \u00e9 <strong>o poema do dia<\/strong>, para o ano nascer feliz.<\/p>\n<p>~~<\/p>\n<h3><strong>Uma verdade corajosa e surpreendente<\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>Maya Angelou<\/strong><\/p>\n<p><em>N\u00f3s, esse povo, num planeta pequeno e solit\u00e1rio<\/em><br \/>\n<em>Viajando casualmente pelo espa\u00e7o<\/em><br \/>\n<em>Passando por estrelas desinteressadas, pelo caminho de s\u00f3is indiferentes<\/em><br \/>\n<em>Para um destino onde todos os sinais nos dizem que<\/em><br \/>\n<em>\u00c9 poss\u00edvel e imperativo aprender<\/em><br \/>\n<em>Uma verdade corajosa e surpreendente.<\/em><br \/>\n<em>E quando chegarmos a isso<\/em><br \/>\n<em>Ao dia de pacifica\u00e7\u00e3o<\/em><br \/>\n<em>Quando soltarmos nossos dedos<\/em><br \/>\n<em>Dos punhos da hostilidade<\/em><br \/>\n<em>Quando chegarmos a isso<\/em><br \/>\n<em>Quando a cortina cair sobre o espet\u00e1culo de menestr\u00e9is do \u00f3dio<\/em><br \/>\n<em>E os rostos sujos de esc\u00e1rnio forem esfregados<\/em><br \/>\n<em>Quando os campos de batalha e o coliseu<\/em><br \/>\n<em>J\u00e1 n\u00e3o rastelarem nossos filhos e filhas \u00fanicos e particulares<\/em><br \/>\n<em>Junto com a grama pisada e ensanguentada<\/em><br \/>\n<em>Para deit\u00e1-los em covas id\u00eanticas em solo estrangeiro<\/em><br \/>\n<em>Quando o ataque ganancioso das igrejas<\/em><br \/>\n<em>E a extors\u00e3o barulhenta dos templos tiverem cessado<\/em><br \/>\n<em>Quando as fl\u00e2mulas balan\u00e7arem alegremente<\/em><br \/>\n<em>Quando as bandeiras do mundo tremerem<\/em><br \/>\n<em>Por uma boa, leve brisa<\/em><br \/>\n<em>Quando chegarmos a isso<\/em><br \/>\n<em>Quando os rifles ca\u00edrem de nossos ombros<\/em><br \/>\n<em>E nossos filhos puderem vestir suas bonecas com bandeiras de tr\u00e9gua<\/em><br \/>\n<em>Quando as minas terrestres da morte forem removidas<\/em><br \/>\n<em>E os idosos puderem caminhar em noites de paz<\/em><br \/>\n<em>Quando os rituais religiosos n\u00e3o forem perfumados<\/em><br \/>\n<em>Por incensos de carne queimando<\/em><br \/>\n<em>E os sonhos de inf\u00e2ncia n\u00e3o forem bruscamente acordados<\/em><br \/>\n<em>Por pesadelos de abuso sexual<\/em><br \/>\n<em>Quando chegarmos a isso<\/em><br \/>\n<em>Ent\u00e3o, admitiremos que n\u00e3o s\u00e3o as Pir\u00e2mides<\/em><br \/>\n<em>Com suas pedras colocadas em perfei\u00e7\u00e3o misteriosa<\/em><br \/>\n<em>Nem os Jardins da Babil\u00f4nia Pendurados em beleza eterna<\/em><br \/>\n<em>Na nossa mem\u00f3ria coletiva<\/em><br \/>\n<em>Nem o Grande C\u00e2nion<\/em><br \/>\n<em>Aceso em cores deliciosas<\/em><br \/>\n<em>Pelos entardeceres do Oeste<\/em><br \/>\n<em>Nem o Dan\u00fabio, derramando sua alma azul na Europa<\/em><br \/>\n<em>Nem o pico sagrado do Monte Fuji<\/em><br \/>\n<em>Se esticando ao Sol Nascente<\/em><br \/>\n<em>Nem o Pai Amazonas nem a M\u00e3e Mississippi que, sem distin\u00e7\u00e3o,<\/em><br \/>\n<em>Alimentam todas as criaturas das profundezas e das margens<\/em><br \/>\n<em>Essas n\u00e3o s\u00e3o as \u00fanicas maravilhas do mundo<\/em><br \/>\n<em>Quando chegarmos a isso<\/em><br \/>\n<em>N\u00f3s, esse povo, nesse min\u00fasculo globo<\/em><br \/>\n<em>Que diariamente recorre a bombas, a l\u00e2minas e a adagas<\/em><br \/>\n<em>E que ainda assim pede sinais de paz no escuro<\/em><br \/>\n<em>N\u00f3s, esse povo, nesse cisco de mat\u00e9ria<\/em><br \/>\n<em>Em cujas bocas habitam palavras corrosivas<\/em><br \/>\n<em>Que desafiam nossa pr\u00f3pria exist\u00eancia<\/em><br \/>\n<em>Mas dessas mesmas bocas<\/em><br \/>\n<em>Podem vir tamb\u00e9m sons de do\u00e7ura t\u00e3o requintadas<\/em><br \/>\n<em>Que fazem o cora\u00e7\u00e3o vacilar no seu trabalho<\/em><br \/>\n<em>E o corpo se acalmar em rever\u00eancia<\/em><br \/>\n<em>N\u00f3s, este povo, neste planeta pequeno e \u00e0 deriva<\/em><br \/>\n<em>Cujas m\u00e3os podem atacar com tanto desembara\u00e7o<\/em><br \/>\n<em>Que, num piscar de olhos, a vida \u00e9 extra\u00edda de um ser vivo<\/em><br \/>\n<em>Entretanto essas mesmas m\u00e3os ainda podem tocar com ternura t\u00e3o terap\u00eautica e irresist\u00edvel,<\/em><br \/>\n<em>Que o pesco\u00e7o soberbo fica feliz em se curvar<\/em><br \/>\n<em>E as costas orgulhosas t\u00eam prazer em se dobrar<\/em><br \/>\n<em>Em meio a tanto caos, em meio a tanta contradi\u00e7\u00e3o<\/em><br \/>\n<em>N\u00f3s aprendemos que n\u00e3o somos nem anjos nem dem\u00f4nios<\/em><br \/>\n<em>Quando chegarmos a isso<\/em><br \/>\n<em>N\u00f3s, este povo, neste corpo caprichoso e flutuante<\/em><br \/>\n<em>Criado nesta terra, desta terra<\/em><br \/>\n<em>Temos o poder de criar para essa terra<\/em><br \/>\n<em>Um ambiente em que cada homem e cada mulher<\/em><br \/>\n<em>Possa viver livremente sem beatices<\/em><br \/>\n<em>Sem medos paralisantes<\/em><br \/>\n<em>Quando chegarmos a isso<\/em><br \/>\n<em>Devemos confessar que somos o poss\u00edvel<\/em><br \/>\n<em>Que somos o milagre, a verdadeira maravilha deste mundo<\/em><br \/>\n<em>Quando, e s\u00f3 quando,<\/em><br \/>\n<em>Chegarmos a isso.<\/em><br \/>\n~~<br \/>\nTradu\u00e7\u00e3o de Lubi Prates<br \/>\nPoema inspirado por \u201cP\u00e1lido Ponto Azul\u201d, de Carl Sagan. In: Poesia Completa, Astral Cultural, 2020.<br \/>\n===<br \/>\n\u266b Terra, do Caetano Veloso tamb\u00e9m combina com o esp\u00edrito de hoje.<\/p>\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-35-1\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"http:\/\/nalu.in\/nalua\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Terra.mp3?_=1\" \/><a href=\"http:\/\/nalu.in\/nalua\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Terra.mp3\">http:\/\/nalu.in\/nalua\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Terra.mp3<\/a><\/audio>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje, aqui no hemisf\u00e9rio sul \u00e9 solst\u00edcio de inverno. Isso \u00e9 suficiente para me deixar contente; \u00e9 a promessa de dias mais suaves. Pensar no solst\u00edcio me lembra de pensar nas estrelas, na imensid\u00e3o do universo; e que quanto mais o mundo se mostra imenso, menores ficamos n\u00f3s. Pensar na vastid\u00e3o do universo \u00e0s vezes &hellip; <\/p>\n<p class=\"link-more\"><a href=\"https:\/\/nalua.in\/cartas\/2022\/03\/21\/21-de-marco\/\" class=\"more-link\">Continue lendo<span class=\"screen-reader-text\"> &#8220;21 de mar\u00e7o&#8221;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-35","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sentido","entry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/nalua.in\/cartas\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/nalua.in\/cartas\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/nalua.in\/cartas\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nalua.in\/cartas\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nalua.in\/cartas\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=35"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/nalua.in\/cartas\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/nalua.in\/cartas\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=35"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/nalua.in\/cartas\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=35"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/nalua.in\/cartas\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=35"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}