{"id":984,"date":"2006-01-14T22:37:00","date_gmt":"2006-01-14T22:37:00","guid":{"rendered":"http:\/\/nalu.wordpress.com\/2006\/01\/14\/desamparo"},"modified":"2006-01-14T22:37:00","modified_gmt":"2006-01-14T22:37:00","slug":"desamparo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nalua.in\/blog\/desamparo\/","title":{"rendered":"Desamparo"},"content":{"rendered":"<p align=\"center\">****************************************<br \/><font face=\"georgia\" color=\"#1D4D8D\" size=\"3\"><b>Desamparo<\/b><\/font><\/p>\n<p align=\"justify\">O que acontece com o v\u00ed\u00adcio de comer eu acho que \u00e9 parecido com o que acontece com o v\u00ed\u00adcio de fumar. Al\u00e9m da oralidade, os dois acabam mexendo numa estrutura que \u00e9 muito vital para n\u00f3s, que \u00e9 a sensa\u00e7\u00e3o, consciente ou n\u00e3o, do desamparo em que n\u00f3s seres humanos vivemos. Tentamos compensar essa sensa\u00e7\u00e3o dolorosa de abandono e desamparo (que eu acredito ter origem no nascimento) naquilo que mais rapidamente alivia a sensa\u00e7\u00e3o torturante de ter abandonado o prazer da vida uterina. Acho que por isso muitos v\u00ed\u00adcios s\u00e3o orais, j\u00e1 que aprendemos cedo na vida a aliviar essa dor do abandono do ventre materno com algo que se coloca na boca, o seio materno, a mamadeira,a chupeta, o dedo, etc. <\/p>\n<p>Mas pouca coisa nos salva do p\u00e2nico (do ponto de vista do beb\u00ea que est\u00e1 para nascer) que provavelmente \u00e9 o parto, o nascer, o rompimento da liga\u00e7\u00e3o mais simbi\u00f3tica e satisfat\u00f3ria que jamais teremos na vida.<\/p>\n<p>E fumar tanto quanto comer parecem aliviar essa sensa\u00e7\u00e3o dolorosa. Mas eu acho que isso \u00e9 engano, a gente fuma, bebe, come, e o desamparo, o abandono continua ali, n\u00e3o vai embora. Da\u00ed\u00ad a gente vicia e come\u00e7a a comer, fumar ou beber para matar outra dor, e mais uma falta, a falta que faz pra gente aquele objeto do v\u00ed\u00adcio. <\/p>\n<p>Mas o x da quest\u00e3o, (que n\u00e3o \u00e9 muita novidade, mas que eu preciso dizer em voz alta para acreditar), que custa a entrar de fato nas nossas lindas cabecinhas, \u00e9 que nada, nada que esteja ou que venha do exterior vai aliviar essa sensa\u00e7\u00e3o de dor, de abandono e desamparo que s\u00e3o caracter\u00ed\u00adsticos da condi\u00e7\u00e3o humana, (e que o tempo todo fingimos n\u00e3o perceber nos entupindo de depend\u00eancias). E n\u00e3o fumar nem me afundar tanto na comida, n\u00e3o aliviaram esse abandono nem um pouco. <\/p>\n<p>Mas a constata\u00e7\u00e3o de que o nirvana s\u00f3 pode ser encontrado dentro de mim e em mais lugar nenhum desse mund\u00e3o enorme de Deus ajuda. Acho que assim me sinto menos desamparada, j\u00e1 que n\u00e3o vou me privar da minha pr\u00f3pria companhia. Saber que \u00e9 nela que est\u00e1 a salva\u00e7\u00e3o \u00e9 um fardo que \u00e1s vezes pesa, mas tamb\u00e9m \u00e9 um al\u00ed\u00advio quase lancinante, pois me diz que eu j\u00e1 n\u00e3o dependerei de nada nem de ningu\u00e9m. <\/p>\n<p>Apesar do que falar \u00e9 bem mais f\u00e1cil&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>****************************************Desamparo O que acontece com o v\u00ed\u00adcio de comer eu acho que \u00e9 parecido com o que acontece com o v\u00ed\u00adcio de fumar. Al\u00e9m da oralidade, os dois acabam mexendo numa estrutura que \u00e9 muito vital para n\u00f3s, que \u00e9 a sensa\u00e7\u00e3o, consciente ou n\u00e3o, do desamparo em que n\u00f3s seres humanos vivemos. Tentamos compensar &hellip; <a href=\"https:\/\/nalua.in\/blog\/desamparo\/\" class=\"more-link\">Continuar lendo <span class=\"screen-reader-text\">Desamparo<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[24],"tags":[],"class_list":["post-984","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-eu"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/nalua.in\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/984","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/nalua.in\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/nalua.in\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nalua.in\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nalua.in\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=984"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/nalua.in\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/984\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/nalua.in\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=984"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/nalua.in\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=984"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/nalua.in\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=984"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}