{"id":982,"date":"2006-01-19T15:08:00","date_gmt":"2006-01-19T15:08:00","guid":{"rendered":"http:\/\/nalu.wordpress.com\/2006\/01\/19\/escolhendo-refletir"},"modified":"2006-01-19T15:08:00","modified_gmt":"2006-01-19T15:08:00","slug":"escolhendo-refletir","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nalua.in\/blog\/escolhendo-refletir\/","title":{"rendered":"Escolhendo Refletir"},"content":{"rendered":"<p align=\"center\">****************************************<\/p>\n<p align=\"center\"><font face=\"georgia\" color=\"#1D4D8D\" size=\"3\"><b>Escolhendo Refletir<br \/><\/b><br \/><\/font><\/p>\n<p align=\"justify\">Ontem eu estava lendo a edi\u00e7\u00e3o de novembro da Revista Bons Fluidos. Tem dois artigos interessantes, um do Rubem Alves, que faz uma brincadeira com aquele poema <i>Instantes<\/i> (que muita gente acha que \u00e9 do Jorge Luis Borges, mas que n\u00e3o se tem certeza da autoria, atribui-se a uma estadunidense chamada Nadine Stein) em que ele diz que viveria sua vida de novo como ela foi vivida, que sua trajet\u00f3ria foi feita pelo que ele planejou e tamb\u00e9m pelo que ele n\u00e3o planejou, que o fato de seus planos muitas vezes n\u00e3o terem dado certo fez com que ele chegasse onde chegou, e por a\u00ed\u00ad vai&#8230;E um outro artigo falando sobre o quanto ser\u00ed\u00adamos livres para mudar de rumo a qualquer momento, e que come\u00e7a falando do Eterno Retorno, (um conceito que o fil\u00f3sofo alem\u00e3o Friedrich Nietzche desenvolveu t\u00e3o bem, e que grosso modo diz o seguinte: a nossa vida repetir-se-\u00e1 eternamente, cada instante vai ser repetido e repetido infinitamente, seria a sina humana, ter cada minuto de sua vida numa eterna repeti\u00e7\u00e3o. Est\u00e1 l\u00e1 na revista). <\/p>\n<p>Obviamente os dois textos falam sobre nossas escolhas. Escolher parece f\u00e1cil, mas eu particularmente acho bastante dif\u00ed\u00adcil. E \u00e9 engra\u00e7ado, \u00e9 estranho, perceber como somos presas de nossas escolhas e sequer temos coragem de admitir isso, sempre preferindo culpar qualquer coisa. O que n\u00e3o \u00e9 novidade, mas nem por isso deixa de acontecer a toda hora. <\/p>\n<p>Em um dado momento do meu passado eu escolhi me afundar na comida, eu escolhi deixar que esse prazer fosse maior que o prazer de ser visualmente admirada, de ser tida como algu\u00e9m com for\u00e7a de vontade, etc., deixei pra tr\u00e1s essas alternativas e me entreguei ao prazer moment\u00e2neo e sensorial de comer. Como tamb\u00e9m num momento bem mais long\u00ed\u00adnquo da minha vida eu escolhi fumar. E hoje, com 30 quilos acima do meu peso inicial de adulta, e tendo fumado por uns 16 anos estou aqui sofrendo as conseq\u00ed\u00bc\u00eancias dessas duas escolhas que na verdade nem pensei para fazer e foram acontecendo devagar trazendo essa conseq\u00ed\u00bc\u00eancia que eu n\u00e3o imaginava o tamanho. <\/p>\n<p>E fiquei pensando, essa vida \u00e9 t\u00e3o inesperada, temos t\u00e3o pouco controle do seu rumo, n\u00e3o sabemos nada de nada de nada, somos simples e arrogantes poeira das estrelas, e achamos que somos grandes coisa. N\u00e3o, n\u00e3o somos, e nesta vida pelo menos n\u00e3o saberemos o que somos nem para onde vamos. <\/p>\n<p>Ent\u00e3o o que isso quer dizer? Quer dizer que, enquanto n\u00e3o sabemos o nosso rumo real, o sentido da exist\u00eancia e a resposta para essas perguntas metaf\u00ed\u00adsicas que todos j\u00e1 nos fizemos em algum momento (nem que seja na inf\u00e2ncia), tem uma pequena, <b>mas n\u00e3o pouco importante<\/b> parcela de fatos da vida que podemos controlar. Fatos para os quais temos uma m\u00ed\u00adnima autonomia de escolha, e entre esses fatos est\u00e1 a decis\u00e3o de n\u00e3o se afundar na comida e de n\u00e3o fumar, por exemplo. E sendo assim, porque ent\u00e3o nos deixamos ainda levar pela mar\u00e9 e nem esse pequeno direito de escolha exercemos?  <\/p>\n<p>Claro que eu sei, existem raz\u00f5es outras e incontrol\u00e1veis, imponder\u00e1veis e etc., atr\u00e1s de cada passo nosso, mas eu n\u00e3o estou falando dessa dimens\u00e3o. Eu estou falando da parte que realmente <u>podemos escolher<\/u> e sabemos que controlamos e assumimos fazer dessa ou de outra forma. <\/p>\n<p>Ent\u00e3o, j\u00e1 temos t\u00e3o pouco controle real da vida, porque n\u00e3o come\u00e7ar a exercer o direito de escolha e escolher caminhos menos tortuosos dessa vez? Como sempre eu sei que \u00e9 f\u00e1cil falar e nem t\u00e3o f\u00e1cil fazer, mas eu penso que somos seres dotados de RAZ\u00ed\u0192O, essa coisa bonita que nos difere dos animais, e podemos come\u00e7ar pensando, refletindo sobre isso. Acho que refletir tamb\u00e9m \u00e9 uma escolha. <\/p>\n<p>E \u00e9 uma escolha muito importante, talvez <b>a mais importante<\/b> de todas, j\u00e1 que nos leva a quase tudo o mais. E quer reflitamos ou n\u00e3o seremos sempre presa dessa escolha. <\/p>\n<p>Assim, acho que esse post cumpriu seu objetivo que era o de fazer com que eu exercesse meu pequeno direito de refletir sobre coisas que me afetam de muito perto. Dentre elas a pr\u00f3pria Reflex\u00e3o. Era isso. <\/p>\n<p align=\"center\">****************************************<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>**************************************** Escolhendo Refletir Ontem eu estava lendo a edi\u00e7\u00e3o de novembro da Revista Bons Fluidos. 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