{"id":781,"date":"2012-03-30T18:31:14","date_gmt":"2012-03-31T00:31:14","guid":{"rendered":"http:\/\/livros.in.blog.br\/?p=781"},"modified":"2012-03-30T18:31:14","modified_gmt":"2012-03-31T00:31:14","slug":"dia-29","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nalua.in\/blog\/dia-29\/","title":{"rendered":"Dia 29"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"text-decoration: underline;\"><strong>Dia 29 \u00e2\u20ac\u201d Um livro que algu\u00e9m leu pra voc\u00ea<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Barrabas, P\u00ed\u00a4r Lagerkvitz . L\u00e1 nos idos dos anos 90, um namorado leu esse livro pra mim. Eu nunca tinha ouvido falar desse autor, e gostei muito do livro. O livro em quest\u00e3o acabou <em>quedando<\/em>&#8211;<em>se<\/em> comigo.<br \/>\nPelo jeito n\u00e3o tem at\u00e9 hoje tradu\u00e7\u00e3o em portugu\u00eas, mas n\u00e3o investiguei a fundo ainda.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/nalu.files.wordpress.com\/2012\/03\/barrabasb.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-853\" title=\"barrabasb\" src=\"http:\/\/livros.nalu.in\/wp-content\/uploads\/2012\/03\/barrabasb-195x300.jpg\" alt=\"\" width=\"195\" height=\"300\" \/><\/a>BARRABAS<br \/>\nFormato: Livro<br \/>\nAutor: LAGERKVIST, PAR<br \/>\nEditora: ENCUENTRO<br \/>\nAssunto: LITERATURA ESTRANGEIRA<br \/>\nISBN: 8474908736<br \/>\nISBN-13: 9788474908732<br \/>\nIdioma: espanhol<br \/>\nEncaderna\u00e7\u00e3o: Brochura<br \/>\nEdi\u00e7\u00e3o: 1\u00aa<br \/>\nAno de Lan\u00e7amento: 2007<br \/>\nN\u00famero de p\u00e1ginas: 118<br \/>\nBarrab\u00e1s, s\u00ed\u00admbolo do homem moderno<br \/>\n&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">=====<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>(Aten\u00e7\u00e3o: a sinopse tem spoiler)<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O romance do sueco Fabian P\u00ed\u00a4r Lagerkvist, Barrab\u00e1s, que ganhou o pr\u00eamio Nobel de Literatura em 1952, descreve de maneira sugestiva a dial\u00e9tica que acompanha todo o desenvolvimento da sociedade moderna, entre uma postura religiosa e uma racionalista. A obra apresenta Barrab\u00e1s, uma figura marginal nos Evangelhos, preso nas masmorras do imp\u00e9rio romano, condenado \u00ed\u00a0 morte e inesperadamente libertado pelo clamor popular, que o preferiu a Jesus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As personagens s\u00e3o dos prim\u00f3rdios do cristianismo, mas as quest\u00f5es levantadas s\u00e3o tipicamente modernas e a narrativa introduz o leitor no \u00e2mago do drama da liberdade diante do Mist\u00e9rio. O romance confirma a tese de Oct\u00e1vio Paz, de 1984, segundo a qual a literatura do s\u00e9culo passado, muitas vezes irreligiosa e secularizada, n\u00e3o consegue se afastar do mist\u00e9rio, antes permanece a ele vinculada, como eixo de uma inevit\u00e1vel problem\u00e1tica, com a qual o homem do s\u00e9culo XX se v\u00ea impelido a confrontar-se, mesmo que de maneira irreverente ou blasfema.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lagerkvist (1952) apresenta o drama de Barrab\u00e1s com uma linguagem simples e direta, numa sobriedade elegante, deixando entrever, por tr\u00e1s das cenas descritas, situa\u00e7\u00f5es e posturas nas quais o leitor pode-se reconhecer. O romance, escrito como anota\u00e7\u00f5es sucintas dos acontecimentos relatados, deixa amplos espa\u00e7os para que o leitor, movido por discretas sugest\u00f5es, se envolva com a problem\u00e1tica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Barrab\u00e1s \u00e9 apresentado como um bandido, violento e admirador da for\u00e7a, parricida, cioso de sua autonomia. Ele tem sua vida salva gra\u00e7as a Jesus, pois Pilatos o libertou em lugar do carpinteiro nazareno. Barrab\u00e1s vive por causa de um outro que morreu em seu lugar e ele n\u00e3o sabe por qu\u00ea. Experimenta uma irresist\u00ed\u00advel urg\u00eancia de compreender quem \u00e9 esse por obra do qual est\u00e1 vivo, procurando compreend\u00ea-lo no horizonte explicativo de seu mundo, a partir dos crit\u00e9rios e dos valores com os quais est\u00e1 familiarizado. Ele \u00e9 s\u00ed\u00admbolo do homem moderno, com o qual guarda muitas semelhan\u00e7as: este tamb\u00e9m \u00e9 violento, pois construiu a civiliza\u00e7\u00e3o da qual se gloria ao clamor dos canh\u00f5es, e \u00e9 parricida, tendo eliminado o Pai do seu horizonte. O homem moderno reconhece no cristianismo a fonte dos valores que impuseram ao mundo a sua cultura e, como Barrab\u00e1s, tem necessidade de compreender a origem da qual recebeu tudo o que tem de mais precioso. Procura enquadrar a tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3 nos esquemas da racionalidade iluminista mas, ao fazer isso, perde a possibilidade de abrir um verdadeiro di\u00e1logo com essa realidade [1] .<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sabendo que Jesus tinha dito que iria ressuscitar ao terceiro dia, o personagem de Lagerkvist se posta perto do t\u00famulo para ver o que iria acontecer. De repente, um clar\u00e3o deixa-o quase cego por alguns momentos. Em seguida, ele v\u00ea o t\u00famulo vazio e encontra uma mulher que exulta de alegria, afirmando que Jesus ressuscitou. De in\u00ed\u00adcio, ele pensa que est\u00e1 diante de uma situa\u00e7\u00e3o extraordin\u00e1ria, que poderia explicar o que aconteceu nos \u00faltimos dias. Mas, logo em seguida, ele pondera que sua vista ficou ofuscada porque tinha permanecido muito tempo na escurid\u00e3o da pris\u00e3o e a primeira luz do dia certamente devia ter produzido aquela cegueira moment\u00e2nea. E, regozijando-se interiormente por constatar que tudo estava dentro dos padr\u00f5es da normalidade com os quais estava familiarizado, sentiu pena da mulher que, na sua simplicidade, estava alegre por algo irreal, quase certamente fruto de sua imagina\u00e7\u00e3o, sugestionada pelos acontecimentos dos dias anteriores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todo o romance \u00e9 um cont\u00ed\u00adnuo suceder-se de idas e vindas entre uma irresist\u00ed\u00advel exig\u00eancia de saber se Jesus \u00e9 realmente o Filho de Deus e a confirma\u00e7\u00e3o de que tudo corre de acordo com as leis da natureza e segundo as regras do poder. A cada p\u00e1gina, ele parece atra\u00ed\u00addo a juntar-se \u00ed\u00a0quelas pessoas que conviveram com Jesus e que s\u00e3o estranhamente fascinantes, mas acaba por prevalecer a dist\u00e2ncia, sugerida pela vis\u00e3o da realidade \u00ed\u00a0 qual est\u00e1 acostumado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Barrab\u00e1s entrevista L\u00e1zaro, que Jesus ressuscitara, mas n\u00e3o se persuade da divindade do Mestre. A exalta\u00e7\u00e3o da humildade e da miseric\u00f3rdia feita pelos crist\u00e3os provoca sentimentos de repulsa num homem como ele, admirador da for\u00e7a e da viol\u00eancia. As circunst\u00e2ncias o levam a uma mina do imp\u00e9rio romano, onde deve trabalhar amarrado com uma corrente de ferro a um escravo que era disc\u00ed\u00adpulo de Jesus. Barrab\u00e1s fica impressionado pela transforma\u00e7\u00e3o que observa no rosto do companheiro de desventura quando reza ajoelhado; ele admira a for\u00e7a interior que v\u00ea emanar desse homem que parece falar com Deus. Era uma for\u00e7a que Barrab\u00e1s desconhecia e queria para si. Risca o s\u00ed\u00admbolo de Cristo no verso da placa de identifica\u00e7\u00e3o dos escravos, como estava na placa do amigo, mas n\u00e3o consegue rezar e chega a considerar tudo uma ilus\u00e3o, toma as dist\u00e2ncias tamb\u00e9m desse companheiro e, por fim, o denuncia. \u00c9 levado a Roma e quando ouve dizer que os crist\u00e3os est\u00e3o tocando fogo na cidade, fica entusiasmado. Quem sabe, eles deram o passo para rebelar-se \u00ed\u00a0 prepot\u00eancia romana e usar a viol\u00eancia para defender-se. Agora, sim, tem algo em comum com essas pessoas e pode fazer parte desse grupo. Ele tamb\u00e9m, ent\u00e3o, come\u00e7a a atear fogo \u00ed\u00a0 cidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O romance termina com Barrab\u00e1s na pris\u00e3o, junto com os crist\u00e3os. Sofre a maior decep\u00e7\u00e3o quando descobre que os crist\u00e3os negam sua responsabilidade pelo inc\u00eandio. O entusiasmo dele devia-se a um equ\u00ed\u00advoco. Eles o reconheceram; a maioria olhava para ele com certa hostilidade, porque o amado Mestre morrera em lugar dele. Ele fica afastado de todos, solit\u00e1rio. Estranhamente, hist\u00f3rias e temperamentos t\u00e3o distintos continuam entrela\u00e7ando-se. Apesar de todas as diferen\u00e7as, a Barrab\u00e1s e aos crist\u00e3os \u00e9 reservado um destino semelhante. Com efeito, no final, ele tamb\u00e9m \u00e9 crucificado. A cena guarda uma impressionante proximidade e, ao mesmo tempo, a maior dist\u00e2ncia com o que acontecera com Jesus em Jerusal\u00e9m: no alto da cruz, ao dar o \u00faltimo suspiro, Barrab\u00e1s grita: &#8220;Nas tuas m\u00e3os entrego o meu esp\u00ed\u00adrito&#8221;, que s\u00e3o palavras quase id\u00eanticas \u00ed\u00a0s pronunciadas por Jesus. Mas o autor marca a diferen\u00e7a dizendo que Barrab\u00e1s emitiu o seu grito &#8220;dirigindo-se \u00ed\u00a0s trevas&#8221; e n\u00e3o &#8220;ao Pai&#8221; como fizera Jesus [2] . Na forma como Barrab\u00e1s encerra sua aventura terrena, pode-se reconhecer uma alus\u00e3o ao niilismo, que emerge como a \u00faltima meta para a qual o homem moderno se encaminha.<\/p>\n<div id=\"-chrome-auto-translate-plugin-dialog\" style=\"opacity: 1 !important; background-image: initial !important; background-attachment: initial !important; background-origin: initial !important; background-clip: initial !important; background-color: transparent !important; position: absolute !important; top: 0; left: 0; overflow-x: visible !important; overflow-y: visible !important; z-index: 999999 !important; text-align: left !important; display: none; background-position: initial initial !important; background-repeat: initial initial !important; padding: 0!important; margin: 0!important;\">\n<div style=\"max-width: 300px !important; color: #fafafa !important; opacity: .8 !important; border-color: #000000!important; border-width: 0!important; -webkit-border-radius: 10px !important; background-color: #363636 !important; font-size: 16px !important; padding: 8px!important; overflow: visible !important; background-image: -webkit-gradient(linear,left top,right bottom,color-stop(0%,#000),color-stop(50%,#363636),color-stop(100%,#000)); z-index: 999999 !important; text-align: left !important;\"><\/div>\n<p><img decoding=\"async\" style=\"position: absolute !important; z-index: -1 !important; right: 1px !important; top: -20px !important; cursor: pointer !important; -webkit-border-radius: 20px; background-color: rgba(200,200,200,0.3) !important; padding: 3px 5px 0!important; margin: 0!important;\" src=\"http:\/\/www.google.com\/uds\/css\/small-logo.png\" alt=\"\" \/>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dia 29 \u00e2\u20ac\u201d Um livro que algu\u00e9m leu pra voc\u00ea Barrabas, P\u00ed\u00a4r Lagerkvitz . 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