{"id":344,"date":"2007-12-31T13:27:24","date_gmt":"2007-12-31T15:27:24","guid":{"rendered":"http:\/\/levezadoser.blog.br\/passagem-do-ano\/"},"modified":"2007-12-31T13:27:24","modified_gmt":"2007-12-31T15:27:24","slug":"passagem-do-ano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nalua.in\/blog\/passagem-do-ano\/","title":{"rendered":"passagem do ano"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright\" src=\"http:\/\/levezadoser.blog.br\/arquivos\/2007\/12\/newyear.jpg\" alt=\"newyear.jpg\" width=\"252\" height=\"400\" \/>Adoro esse poema, adoro, adoro muito, mesmo que super batido. Gosto de ler para <span style=\"text-decoration: underline;\">me lembrar<\/span>.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">&#8212;<\/p>\n<p align=\"justify\"><em>O \u00faltimo dia do ano n\u00e3o \u00e9 o \u00faltimo dia do tempo.<\/em><\/p>\n<p align=\"justify\"><em>Outros dias vir\u00e3o e novas coxas e ventres te comunicar\u00e3o o calor da vida.<\/em><\/p>\n<p align=\"justify\"><em>Beijar\u00e1s bocas, rasgar\u00e1s pap\u00e9is, far\u00e1s viagens e tantas celebra\u00e7\u00f5es de anivers\u00e1rio, formatura, promo\u00e7\u00e3o, gl\u00f3ria, doce morte com sinfonia e coral, que o tempo ficar\u00e1 repleto e n\u00e3o ouvir\u00e1s o clamor, os irrepar\u00e1veis uivos do lobo, na solid\u00e3o.<\/em><!--more--><\/p>\n<p align=\"justify\"><em>O \u00faltimo dia do tempo n\u00e3o \u00e9 o \u00faltimo dia de tudo.<\/em><\/p>\n<p align=\"justify\"><em>Fica sempre uma franja de vida onde se sentam dois homens.<\/em><\/p>\n<p align=\"justify\"><em>Um homem e seu contr\u00e1rio, uma mulher e seu p\u00e9, um corpo e sua mem\u00f3ria, um olho e seu brilho, uma voz e seu eco, e quem sabe at\u00e9 se Deus\u00e2\u20ac\u00a6 Recebe com simplicidade este presente do acaso. Mereceste viver mais um ano.<\/em><\/p>\n<p align=\"justify\"><em>Desejarias viver sempre e esgotar a borra dos s\u00e9culos. Teu pai morreu, teu av\u00f4 tamb\u00e9m.<\/em><\/p>\n<p align=\"justify\"><em>Em ti mesmo muita coisa j\u00e1 expirou, outras espreitam a morte, mas est\u00e1s vivo.<\/em><\/p>\n<p align=\"justify\"><em>Ainda uma vez est\u00e1s vivo, e de copo na m\u00e3o esperas amanhecer. O recurso de se embriagar.<\/em><\/p>\n<p align=\"justify\"><em>O recurso da dan\u00e7a e do grito, o recurso da bola colorida, o recurso de Kant e da poesia, todos eles\u00e2\u20ac\u00a6 e nenhum resolve.<\/em><\/p>\n<p align=\"justify\"><em>Surge a manh\u00e3 de um novo ano. As coisas est\u00e3o limpas, ordenadas. O corpo gasto renova-se em espuma.<\/em><\/p>\n<p align=\"justify\"><em>Todos os sentidos alerta funcionam. A boca est\u00e1 comendo vida. A boca est\u00e1 entupida de vida.<\/em><\/p>\n<p align=\"justify\"><em>A vida escorre da boca, lambuza as m\u00e3os, a cal\u00e7ada. A vida \u00e9 gorda, oleosa, mortal, sub-rept\u00ed\u00adcia.<\/em><\/p>\n<p align=\"right\"><i>Carlos Drummond de Andrade<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Adoro esse poema, adoro, adoro muito, mesmo que super batido. Gosto de ler para me lembrar. &#8212; O \u00faltimo dia do ano n\u00e3o \u00e9 o \u00faltimo dia do tempo. Outros dias vir\u00e3o e novas coxas e ventres te comunicar\u00e3o o calor da vida. Beijar\u00e1s bocas, rasgar\u00e1s pap\u00e9is, far\u00e1s viagens e tantas celebra\u00e7\u00f5es de anivers\u00e1rio, formatura, &hellip; <a href=\"https:\/\/nalua.in\/blog\/passagem-do-ano\/\" class=\"more-link\">Continuar lendo <span class=\"screen-reader-text\">passagem do ano<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[59],"tags":[],"class_list":["post-344","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-outrem"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/nalua.in\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/344","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/nalua.in\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/nalua.in\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nalua.in\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nalua.in\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=344"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/nalua.in\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/344\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/nalua.in\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=344"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/nalua.in\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=344"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/nalua.in\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=344"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}