{"id":254,"date":"2007-08-30T12:09:31","date_gmt":"2007-08-30T15:09:31","guid":{"rendered":"http:\/\/nalu.in\/254"},"modified":"2007-08-30T12:09:31","modified_gmt":"2007-08-30T15:09:31","slug":"sobre-maes-e-filhas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nalua.in\/blog\/sobre-maes-e-filhas\/","title":{"rendered":"sobre m\u00e3es e filhas"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 1.3em; color: #000000; font-family: georgia;\"><strong><br \/>\n<a href=\"http:\/\/nalu.in\/wp-content\/uploads\/2007\/08\/brancadeneve3.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright  wp-image-2381\" src=\"http:\/\/nalu.in\/wp-content\/uploads\/2007\/08\/brancadeneve3.jpg\" alt=\"brancadeneve3\" width=\"301\" height=\"301\" srcset=\"https:\/\/nalua.in\/blog\/wp-content\/uploads\/2007\/08\/brancadeneve3.jpg 406w, https:\/\/nalua.in\/blog\/wp-content\/uploads\/2007\/08\/brancadeneve3-300x300.jpg 300w, https:\/\/nalua.in\/blog\/wp-content\/uploads\/2007\/08\/brancadeneve3-150x150.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 301px) 100vw, 301px\" \/><\/a>Sobre m\u00e3es e filhas(os)<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-size: 1.2em; color: #000000; font-family: georgia;\"><em>Rubem Alves<\/em><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 1.29em; color: #000000; font-family: georgia;\">Para falar sobre a rela\u00e7\u00e3o entre m\u00e3es e filhas(os), sugiro que leiam algumas das terr\u00ed\u00adveis est\u00f3rias dos irm\u00e3os Grimm, em especial a &#8220;Branca de Neve&#8221; e a &#8220;Cinderela&#8221;. Os contadores de est\u00f3rias daqueles tempos, para n\u00e3o provocarem a ira das m\u00e3es, que se julgavam sempre boas e justas, falavam de &#8220;madrastas&#8221;.<\/span><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 1.29em; color: #000000; font-family: georgia;\">Mas as madrastas, na realidade, eram as m\u00e3es. A complica\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es entre m\u00e3es e filhas e entre pais e filhos (a est\u00f3ria de Jo\u00e3o e o p\u00e9 de feij\u00e3o: o gigante, que possu\u00ed\u00ada a harpa encantada e a galinha dos ovos de ouro, \u00e9 o s\u00ed\u00admbolo do pai cruel, que o filho acaba por matar) \u00e9 muito, muito antiga. Nas est\u00f3rias antigas, as m\u00e3es e os pais s\u00e3o sempre os vil\u00f5es. E \u00e9 prov\u00e1vel que fosse assim mesmo, naqueles tempos. Mas hoje as coisas s\u00e3o diferentes e as est\u00f3rias teriam de ser reescritas, para fazer justi\u00e7a \u00ed\u00a0 complexidade da situa\u00e7\u00e3o. Se a sua filha (seu filho) \u00e9 adolescente, a solu\u00e7\u00e3o \u00e9 muito simples.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 1.29em; color: #000000; font-family: georgia;\">Para se lidar com adolescentes s\u00f3 h\u00e1 duas regras &#8211; tudo dependendo apenas de voc\u00ea. Primeira regra: <em>&#8220;N\u00e3o fa\u00e7a coisa alguma. Tudo o que voc\u00ea fizer estar\u00e1 errado&#8221;<\/em>. Aceitem essa dura realidade: n\u00f3s, pais, somos impotentes diante dos filhos adolescentes. N\u00e3o h\u00e1 formas de convenc\u00ea-los a seguir os caminhos que julgamos os melhores. O que caracteriza a psicologia do adolescente s\u00e3o duas coisas: primeiro, a sua determina\u00e7\u00e3o de afirmar sua identidade, por oposi\u00e7\u00e3o \u00ed\u00a0 m\u00e3e ou ao pai. Mais importante que fazer a coisa certa \u00e9 fazer a coisa que n\u00e3o \u00e9 aquilo que a m\u00e3e e o pai desejam. Assim, se voc\u00ea tem um conselho s\u00e1bio a dar, n\u00e3o o d\u00ea. Cale-se. Porque se voc\u00ea o der, sua filha (seu filho) ser\u00e1 obrigada(o) a fazer o contr\u00e1rio. Segundo: sua fidelidade irrestrita \u00ed\u00a0 turma. O adolescente ainda n\u00e3o possui um centro pr\u00f3prio. Sua identidade se encontra na sua turma. Ele far\u00e1 o que a turma faz: ouvir\u00e1 as m\u00fasicas que a turma ouve, usar\u00e1 as roupas que a turma usa, ir\u00e1 aos lugares aonde a turma vai, pensar\u00e1 os pensamentos que a turma pensa. N\u00e3o h\u00e1 nada que se possa fazer. N\u00e3o caia na tolice de tentar dialogar. Os adolescentes sabem que di\u00e1logo \u00e9 artif\u00ed\u00adcio dos pais para convenc\u00ea-los a fazerem o que eles, pais, desejam.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 1.29em; color: #000000; font-family: georgia;\">Assim, a \u00fanica posi\u00e7\u00e3o s\u00e1bia \u00e9 adotar a postura a que o tao\u00ed\u00adsmo d\u00e1 o nome de wu-wei: refrear o impulso de fazer (e que fatal) e simplesmente n\u00e3o fazer nada.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 1.29em; color: #000000; font-family: georgia;\">A segunda regra, que n\u00e3o necessita de explica\u00e7\u00f5es, \u00e9: <em>&#8220;Fique por perto para catar os cacos, se for poss\u00ed\u00advel&#8221;<\/em>. Felizmente, na grande maioria dos casos, essa doen\u00e7a se cura por si mesma, como caxumba ou resfriado.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 1.29em; color: #000000; font-family: georgia;\">Mas h\u00e1 os outros casos, amargos, azedos, cortantes, das rela\u00e7\u00f5es entre m\u00e3es velhas e suas filhas adultas (seus filhos adultos). Quando estar junto e conversar j\u00e1 n\u00e3o d\u00e1 prazer. Quando o estar junto significa tens\u00e3o e irrita\u00e7\u00e3o. Quando a felicidade vem quando se d\u00e3o os beijinhos de praxe da despedida. As duas partes s\u00e3o culpadas. De um lado os filhos querem mudar os pais, seus h\u00e1bitos, suas opini\u00f5es. Que os filhos se esque\u00e7am disto.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 1.29em; color: #000000; font-family: georgia;\">A norma \u00e9 que os pais sejam irreform\u00e1veis. Mudar, nesse ponto da vida, \u00e9 reconhecer que a vida foi um equ\u00ed\u00advoco. E isso \u00e9 muito duro. Se os filhos desejam ter boas rela\u00e7\u00f5es com os pais, ou\u00e7am o que eles t\u00eam a dizer e entrem no jogo, numa boa. Do outro lado, os pais n\u00e3o aceitam que os filhos tenham atingido a sua independ\u00eancia e tenham id\u00e9ias pr\u00f3prias &#8211; e ficam tentando fazer com os filhos aquilo que os filhos tentam fazer com eles: mudar.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 1.29em; color: #000000; font-family: georgia;\">\u00c9 o caso da m\u00e3e que vai visitar a filha e desanda a administrar a casa e a dar ordens para a cozinheira&#8230; O segredo das boas rela\u00e7\u00f5es \u00e9 n\u00e3o jogar t\u00eanis. Jogar s\u00f3 frescobol&#8230;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"font-size: 0.75em; color: #000000; font-family: georgia;\">In: ALVES, Rubem. <em>Coisas do Amor<\/em>. S\u00e3o Paulo, 2002.Ed. Paulus<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sobre m\u00e3es e filhas(os) Rubem Alves &nbsp; Para falar sobre a rela\u00e7\u00e3o entre m\u00e3es e filhas(os), sugiro que leiam algumas das terr\u00ed\u00adveis est\u00f3rias dos irm\u00e3os Grimm, em especial a &#8220;Branca de Neve&#8221; e a &#8220;Cinderela&#8221;. Os contadores de est\u00f3rias daqueles tempos, para n\u00e3o provocarem a ira das m\u00e3es, que se julgavam sempre boas e justas, &hellip; <a href=\"https:\/\/nalua.in\/blog\/sobre-maes-e-filhas\/\" class=\"more-link\">Continuar lendo <span class=\"screen-reader-text\">sobre m\u00e3es e filhas<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[67],"tags":[],"class_list":["post-254","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-poesia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/nalua.in\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/254","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/nalua.in\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/nalua.in\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nalua.in\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nalua.in\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=254"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/nalua.in\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/254\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/nalua.in\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=254"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/nalua.in\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=254"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/nalua.in\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=254"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}