{"id":2169,"date":"2013-10-14T18:35:09","date_gmt":"2013-10-14T23:35:09","guid":{"rendered":"http:\/\/nalua.com.br\/?p=224"},"modified":"2013-10-14T18:35:09","modified_gmt":"2013-10-14T23:35:09","slug":"22-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nalua.in\/blog\/22-2\/","title":{"rendered":"22"},"content":{"rendered":"<div>\n<h1>Por que Perdemos o Foco<\/h1>\n<p><span style=\"line-height: 1.6;\">Escrito por\u00c2\u00a0\u00c2\u00a0<\/span><a style=\"line-height: 1.6;\" href=\"http:\/\/www.tdah.org.br\/br\/textos\/textos\/itemlist\/user\/62-abda.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">ABDA<\/a>\n<\/div>\n<div>\n<p align=\"justify\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft\" style=\"line-height: 1.6;\" src=\"http:\/\/www.tdah.org.br\/images\/stories\/site\/reportagens\/report2001.jpg\" alt=\"report2001\" width=\"300\" height=\"237\" \/><b>A rotina tumultuada do ambiente de trabalho leva cada vez mais pessoas a apresentar os sintomas do D\u00e9ficit de Aten\u00e7\u00e3o e Hiperatividade \u2013 a nova doen\u00e7a do s\u00e9culo da informa\u00e7\u00e3o<\/b><\/p>\n<p align=\"justify\">Durante muito tempo, acreditou-se que o Transtorno do D\u00e9ficit de Aten\u00e7\u00e3o e Hiperatividade (ou simplesmente TDAH, como preferem os m\u00e9dicos) era um problema de crian\u00e7as. Poucas vezes, o dist\u00farbio dos pequenos chegava a preocupar os pais. Achava-se que, na pior das hip\u00f3teses, aquele t\u00ed\u00adpico moleque irrequieto, que nunca se contentava com um \u00fanico brinquedo, se tornaria uma pessoa &#8220;normal&#8221; t\u00e3o logo lhe brotassem os primeiros fios de barba. Mas um levantamento recente publicado nos Estados Unidos mostra que a coisa n\u00e3o \u00e9 assim t\u00e3o simples. Conhecido como National Comorbidity Survey \u2013 Replication (NCS-R, ou &#8220;Pesquisa Nacional de Comorbidades&#8221;) e divulgado oficialmente em maio \u00faltimo, o estudo analisou nada menos que 9 mil americanos ao longo de dois anos. E concluiu: cada vez mais, o TDAH \u00e9 um problema de adultos \u2013 algo capaz de arruinar a auto-estima, as rela\u00e7\u00f5es afetivas e principalmente o seu desempenho profissional.<\/p>\n<p>\u00c2\u00a0<!--more--><\/p>\n<p align=\"justify\">Tamb\u00e9m conhecido como DDA, o d\u00e9ficit de aten\u00e7\u00e3o e hiperatividade \u00e9 conseq\u00ed\u00bc\u00eancia de um defeito gen\u00e9tico que prejudica o funcionamento da regi\u00e3o pr\u00e9-frontal do c\u00e9rebro, respons\u00e1vel por regular os impulsos e filtrar as informa\u00e7\u00f5es que a mente processa. As pessoas ficam desprovidas dessa esp\u00e9cie de v\u00e1lvula cerebral e, assim, come\u00e7am a apresentar alguns tra\u00e7os particulares de comportamento. Os mais freq\u00ed\u00bcentes s\u00e3o a dificuldade de organiza\u00e7\u00e3o e concentra\u00e7\u00e3o (tendem a fazer v\u00e1rias coisas ao mesmo tempo), impulsividade nas rela\u00e7\u00f5es pessoais e, em muitos casos, a hiperatividade \u2013 que pode ser traduzida como uma necessidade irresist\u00ed\u00advel de movimento. Historicamente, achava-se que esse dist\u00farbio atingia entre 1,5% e 3% da popula\u00e7\u00e3o adulta. A nova pesquisa, por\u00e9m, revelou que a percentagem pode ser maior. Ao todo, 4,4% dos adultos sofrem de TDAH nos Estados Unidos. Parece pouco, mas o \u00ed\u00adndice \u00e9 considerado bastante alto para os padr\u00f5es da psiquiatria. E tende a ser igualmente alto em outros pa\u00ed\u00adses, incluindo-se a\u00ed\u00ad o Brasil. &#8220;Isso significa que o TDAH, hoje, \u00e9 uma das disfun\u00e7\u00f5es neurol\u00f3gicas mais comuns entre os adultos e, portanto, uma das mais freq\u00ed\u00bcentes no ambiente de trabalho&#8221;,\u00c2\u00a0<span style=\"line-height: 1.6;\">explica a AMANH\u00ed\u0192 o professor Ronald Kessler, do Departamento de Medicina da Universidade de Harvard e principal coordenador da NCS-R.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\">Uma olhar atento sobre a pesquisa de Kessler ajuda a entender o impacto que o TDAH pode ter na trajet\u00f3ria profissional de um indiv\u00ed\u00adduo. Conforme o levantamento, as pessoas que sofrem desse mal s\u00e3o altamente suscet\u00ed\u00adveis a outros dist\u00farbios neuropsicol\u00f3gicos \u2013 chamados &#8220;comorbidades&#8221;. A dificuldade de avan\u00e7ar na carreira e os fracassos freq\u00ed\u00bcentes na lida corporativa, por exemplo, fazem com que os portadores tenham seis vezes mais chances de desenvolver algum tipo de comportamento compulsivo, como o v\u00ed\u00adcio em jogo ou bulimia. Al\u00e9m disso, eles abusam mais de subst\u00e2ncias como \u00e1lcool, maconha e coca\u00ed\u00adna e apresentam o triplo de problemas relacionados \u00ed\u00a0 ansiedade, como alergias, urtic\u00e1rias etc. O pr\u00f3prio desempenho no trabalho acaba sendo afetado. Analisando pacientes diagnosticados com TDAH, Kessler observou que muitos deles (15,8% do grupo) passavam a maior parte do tempo ausentes de seu papel no emprego, na sociedade ou mesmo na fam\u00ed\u00adlia. Entre as pessoas consideradas saud\u00e1veis, apenas 6% se desviavam de suas obriga\u00e7\u00f5es. &#8220;Se somarmos todos os preju\u00ed\u00adzos relacionados \u00ed\u00a0 doen\u00e7a, desde as dificuldades de aprendizado at\u00e9 os custos com planos de sa\u00fade, veremos que seu impacto \u00e9 enorme&#8221;, constata Kessler.<\/p>\n<p align=\"justify\">O publicit\u00e1rio ga\u00facho Rafael (o nome \u00e9 fict\u00ed\u00adcio), de 25 anos, \u00e9 uma das pessoas que passaram a vida carregando esses e outros problemas. Ele s\u00f3 foi saber que sofria de TDAH aos 21 anos, por insist\u00eancia do pai \u2013 que, meses antes, descobrira-se portador do dist\u00farbio. Ao longo da vida, Rafael sempre tivera dificuldades para se concentrar e para manter a organiza\u00e7\u00e3o. Ainda mais trabalhando em um ambiente ca\u00f3tico por natureza, como as ag\u00eancias de publicidade. &#8220;H\u00e1 uma tend\u00eancia de come\u00e7ar 2 mil coisas diferentes e n\u00e3o terminar nenhuma delas. Os colegas de trabalho come\u00e7am a te ver como um irrespons\u00e1vel, que embarca em tudo que \u00e9 projeto, mas nunca leva nada at\u00e9 o fim&#8221;, descreve o jovem. Al\u00e9m disso, como muitos outros casos de TDAH, Rafael criou uma indesej\u00e1vel mania. &#8220;Eu mentia compulsivamente.&#8221; Para contornar o problema, o publicit\u00e1rio procurou ajuda m\u00e9dica e iniciou uma terapia. Hoje, mant\u00e9m-se na linha usando medicamentos espec\u00ed\u00adficos para esse transtorno, \u00ed\u00a0 base de Metilfenidato (um estimulante que &#8220;ativa&#8221; os filtros cerebrais). Conhecido pelos pouqu\u00ed\u00adssimos efeitos colaterais, o rem\u00e9dio tem sido de boa ajuda. &#8220;Para mim, foi a solu\u00e7\u00e3o ideal&#8221;, alegra-se.<\/p>\n<p align=\"justify\"><b>Gen\u00e9tica n\u00e3o \u00e9 tudo<\/b>\u00c2\u00a0\u2013 H\u00e1, contudo, uma importante pergunta que as estat\u00ed\u00adsticas de Kessler n\u00e3o chegam a responder: j\u00e1 que o TDAH \u00e9 um problema de origem gen\u00e9tica \u2013 e, portanto, s\u00f3 pode ser passado de pai para filho \u2013, como\u00c2\u00a0<span style=\"line-height: 1.6;\">explicar o fato de que o n\u00famero de diagn\u00f3sticos vem crescendo? H\u00e1 duas teses aceitas. Uma delas \u00e9 de que o dist\u00farbio simplesmente tem sido mais detectado pelos m\u00e9dicos. &#8220;H\u00e1 cerca de 20 anos, acreditava-se que esse problema desaparecia com a idade. Ou ent\u00e3o as pessoas achavam que o sujeito era avoado mesmo, e a\u00ed\u00ad sequer procuravam ajuda&#8221;, recorda o psiquiatra Mario Louz\u00e3, coordenador do Projeto de D\u00e9ficit de Aten\u00e7\u00e3o e Hiperatividade no Adulto do Hospital das Cl\u00ed\u00adnicas de S\u00e3o Paulo. Hoje, \u00e9 ineg\u00e1vel que esse quadro mudou. O transtorno \u00e9 facilmente reconhecido pelos especialistas, e seu tratamento, em geral, exige apenas medica\u00e7\u00e3o e algum tempo de terapia. J\u00e1 a outra hip\u00f3tese \u00e9 bem mais pol\u00eamica: esse aparente &#8220;surto&#8221; de TDAH seria nada menos do que um reflexo da rotina t\u00f3xica que muitas pessoas enfrentam, atualmente, no local de trabalho. As demandas do escrit\u00f3rio (reuni\u00f5es, telefonemas, ac\u00famulo de tarefas e pepinos de \u00faltima hora), somadas \u00ed\u00a0s tecnologias da era da informa\u00e7\u00e3o (celular, e-mails, teleconfer\u00eancias e outras), estariam gerando uma dose insuport\u00e1vel de est\u00ed\u00admulos para o c\u00e9rebro humano. Resultado: mesmo aquelas pessoas que n\u00e3o t\u00eam nenhuma predisposi\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica para o TDAH estariam desenvolvendo os sintomas dessa patologia.<\/span><\/p>\n<p><b>Os excessos do ambiente de trabalho fazem at\u00e9 mesmo as pessoas saud\u00e1veis apresentarem os sintomas t\u00ed\u00adpicos do d\u00e9ficit de aten\u00e7\u00e3o e hiperatividade<\/b><\/p>\n<p align=\"justify\">N\u00e3o \u00e9 por acaso que o c\u00e9lebre psiquiatra Edward Hallowell, autor de Tend\u00eancia \u00ed\u00a0 Distra\u00e7\u00e3o \u2013 considerado um cl\u00e1ssico sobre TDAH para leigos \u2013, criou o termo &#8220;Caracter\u00ed\u00adstica de D\u00e9ficit de Aten\u00e7\u00e3o&#8221;, ou CDA. A express\u00e3o designa as pessoas que apresentam os sintomas e sofrem os mesmos preju\u00ed\u00adzos no dia-a-dia, mas clinicamente n\u00e3o t\u00eam o transtorno. &#8220;Muitos indiv\u00ed\u00adduos saud\u00e1veis agem como se tivessem TDAH diante dos est\u00ed\u00admulos e demandas do trabalho. Ou seja, demonstram incapacidade de hierarquizar tarefas e id\u00e9ias, sofrem de altos n\u00ed\u00adveis de ansiedade e perdem muito da capacidade de intera\u00e7\u00e3o social&#8221;, analisa Hallowell, em entrevista a AMANH\u00ed\u0192. Em resumo, todo o mundo est\u00e1 sujeito a passar pelas atrapalha\u00e7\u00f5es que, aparentemente, s\u00f3 os portadores de TDAH enfrentavam at\u00e9 agora. Essa, ali\u00e1s, \u00e9 uma das observa\u00e7\u00f5es que Hallowell faz em seu novo livro, Delivery from Distraction, que dever\u00e1 ser lan\u00e7ado nos Estados Unidos, em dezembro deste ano. AMANH\u00ed\u0192 antecipa com exclusividade um pequeno trecho da obra (veja<span style=\"line-height: 1.6;\">\u00c2\u00a0o quadro &#8220;Dois lados de uma s\u00ed\u00adndrome&#8221; no final da mat\u00e9ria).<\/span><\/p>\n<p>O pr\u00f3prio Hallowell lembra, por\u00e9m, que a CDA n\u00e3o \u00e9 uma doen\u00e7a. &#8220;Ela pode ser considerada um mal comum, o jeito normal de ser nas empresas atuais. Somente o TDAH merece acompanhamento cl\u00ed\u00adnico e medica\u00e7\u00e3o&#8221;, esclarece. Em caso de d\u00favidas, acrescenta ele, a melhor sa\u00ed\u00adda ainda \u00e9 procurar a opini\u00e3o de um especialista. Foi o que fez o jornalista Lu\u00ed\u00ads Nassif, colunista do jornal Folha de S\u00e3o Paulo. Estressado e com alguns dificuldades de mem\u00f3ria e de concentra\u00e7\u00e3o, Nassif estava convencido de que tinha TDAH. &#8220;Cometi a asneira de ler um livro aventureiro que listava um conjunto de caracter\u00ed\u00adsticas da s\u00ed\u00adndrome e resolvi tirar a limpo&#8221;, relata. Chegando ao m\u00e9dico, o diagn\u00f3stico foi at\u00e9 r\u00e1pido: Nassif n\u00e3o tinha qualquer problema dessa esp\u00e9cie. Tudo n\u00e3o passava de estresse. &#8220;A verdade \u00e9 que hoje n\u00f3s temos muito mais motivos para desviar nossa aten\u00e7\u00e3o&#8221;, opina o jornalista.<br \/>\nUma pista para quem desconfia que sofre do dist\u00farbio \u00e9 o hist\u00f3rico pessoal. \u00c9 simplesmente imposs\u00ed\u00advel que algu\u00e9m desenvolva o d\u00e9ficit de aten\u00e7\u00e3o ao longo da vida. Para que a doen\u00e7a realmente exista, \u00e9 preciso que seus sintomas fa\u00e7am parte da personalidade desde a inf\u00e2ncia. E mais: que em algum momento tenham gerado preju\u00ed\u00adzos concretos para a sa\u00fade do portador. &#8220;Na pr\u00e1tica, as caracter\u00ed\u00adsticas do TDAH est\u00e3o presentes em quase todas as pessoas, em maior ou menor grau. Mas o que realmente sinaliza a exist\u00eancia do transtorno \u00e9 o fato de essas caracter\u00ed\u00adsticas afetarem o funcionamento do indiv\u00ed\u00adduo, seja na escola, no emprego ou em casa&#8221;, alerta o psiquiatra Lu\u00ed\u00ads Augusto Rohde, coordenador geral do Programa de D\u00e9ficit de Aten\u00e7\u00e3o e Hiperatividade do Hospital de Cl\u00ed\u00adnicas de Porto Alegre. Recentemente, a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade desenvolveu um pequeno question\u00e1rio que ajuda a diagnosticar o TDAH. Auto-aplic\u00e1vel, a tabela indica se a pessoa tem chances de ser portadora \u2013 caso em que deve procurar um m\u00e9dico \u2013 ou se \u00e9 apenas mais uma v\u00ed\u00adtima do fluxo de informa\u00e7\u00f5es que inunda o ambiente de trabalho.<br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.tdah.org.br\/images\/stories\/site\/reportagens\/report2002.jpg\" alt=\"report2002\" width=\"202\" height=\"325\" \/><br \/>\n<b>Doen\u00e7a da informa\u00e7\u00e3o<\/b>\u00c2\u00a0\u2013 N\u00e3o \u00e9 de hoje que o ambiente corporativo serve de tubo de ensaio para algumas patologias da mente. Primeiro, foi o estresse e seus derivados, frutos da press\u00e3o por produtividade e resultados a qualquer custo. Depois, veio a depress\u00e3o, resultado de uma cultura mal\u00e9fica na qual o reconhecimento e a realiza\u00e7\u00e3o pessoal ficavam sempre em segundo plano. Agora, parece ser a vez das &#8220;doen\u00e7as da informa\u00e7\u00e3o&#8221;, entre as quais se enquadra o d\u00e9ficit de aten\u00e7\u00e3o e hiperatividade. &#8220;As empresas exigem que estejamos sempre atualizados, acumulando novos conhecimentos em nosso of\u00ed\u00adcio&#8221;, percebe o consultor Ryon Braga, presidente da consultoria Hoper Educacional, do Rio de Janeiro. &#8220;S\u00f3 que isso gera uma ansiedade muito grande. Porque, apesar de toda a press\u00e3o, n\u00e3o existe a menor chance de uma pessoa absorver todos os dados que s\u00e3o gerados em cada disciplina&#8221;, argumenta. Conforme Braga, a busca desenfreada por atualiza\u00e7\u00e3o pode levar a um quadro conhecido como &#8220;s\u00ed\u00adndrome da ansiedade da informa\u00e7\u00e3o&#8221;. N\u00e3o se trata de uma doen\u00e7a, e sim de uma esp\u00e9cie de fadiga \u2013 geralmente ocasionada pela descoberta de que, bem, n\u00e3o h\u00e1 como ler todos os livros, revistas e jornais que se empilham no canto da mesa. Os sintomas dessa s\u00ed\u00adndrome s\u00e3o parecidos com os do TDAH: dificuldades de organiza\u00e7\u00e3o, lapsos moment\u00e2neos de mem\u00f3ria, estresse e uma sensa\u00e7\u00e3o inc\u00f4moda de frustra\u00e7\u00e3o ao final de cada dia de trabalho. &#8220;\u00c9 a neurose do s\u00e9culo 21&#8221;, define Braga.<\/p>\n<p align=\"justify\">Tal como o estresse, o TDAH traz embutido diversos malef\u00ed\u00adcios secund\u00e1rios que podem arruinar uma carreira. Um deles \u00e9 a impulsividade \u2013 uma tend\u00eancia trai\u00e7oeira de falar ou fazer a primeira coisa que vem \u00ed\u00a0 cabe\u00e7a e s\u00f3 depois pensar a respeito. &#8220;Outro defeito muito observado \u00e9 a procrastina\u00e7\u00e3o&#8221;, acrescenta Rohde, do Hospital de Cl\u00ed\u00adnicas de Porto Alegre. Juntos, esses dois problemas d\u00e3o origem a um c\u00ed\u00adrculo vicioso. Devido \u00ed\u00a0 impulsividade e ao h\u00e1bito de deixar tudo para depois, as pessoas com TDAH come\u00e7am a vivenciar uma s\u00e9rie de situa\u00e7\u00f5es conflituosas. S\u00e3o desde prazos estourados at\u00e9 brigas ocasionadas por um coment\u00e1rio fora de hora. Isso sem contar o mart\u00ed\u00adrio que \u00e9 focar a aten\u00e7\u00e3o em uma determinada tarefa por um per\u00ed\u00adodo prolongado. No final das contas, os problemas geram ansiedade, que ent\u00e3o gera novos problemas. Foi o que aconteceu com a carioca Paula Prata, de 37 anos. Atualmente trabalhando como analista de sistemas, Paula passou a maior parte da vida enfrentando um percal\u00e7o atr\u00e1s do outro por causa do d\u00e9ficit de aten\u00e7\u00e3o. J\u00e1 na escola, era cobrada pela distra\u00e7\u00e3o e aparente falta de aplica\u00e7\u00e3o nas aulas. A press\u00e3o culminou num problema nervoso \u2013 uma alergia que durou nada menos que 20 anos. &#8220;Eu ficava inchada. A pele co\u00e7ava tanto que, \u00ed\u00a0s vezes, eu chegava a desmaiar&#8221;, relata. Paula lembra que teve diversos problemas no trabalho e na vida pessoal. At\u00e9 estudar para um concurso era complicado. &#8220;Voc\u00ea estuda um monte, vira a noite, perde o fim de semana. A\u00ed\u00ad chega na hora, e aquilo tudo desaparece da sua cabe\u00e7a. D\u00e1 uma frustra\u00e7\u00e3o muito grande, \u00e9 algo que nos destr\u00f3i&#8221;, desabafa. De qualquer forma, Paula conseguiu construir uma carreira s\u00f3lida. Formou-se em Matem\u00e1tica, est\u00e1 empregada e, desde o ano passado, trata devidamente o TDAH. &#8220;Meu caso at\u00e9 que foi f\u00e1cil. Tem pessoas que ficam no meio do caminho.&#8221;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"justify\">A boa not\u00ed\u00adcia \u00e9 que os efeitos colaterais do TDAH podem ser atenuados \u2013 embora n\u00e3o eliminados \u2013 a partir de mudan\u00e7as sutis na forma de lidar com o trabalho. &#8220;J\u00e1 vi muitas pessoas se revelarem ainda mais eficientes na profiss\u00e3o do que aquelas que n\u00e3o t\u00eam esse dist\u00farbio&#8221;, relata a AMANH\u00ed\u0192 a americana Wilma Fellmann, especialista em aconselhamento de carreira para adolescentes e adultos que sofrem de TDAH. A chave, garante ela, \u00e9 identificar os talentos e defeitos do indiv\u00ed\u00adduo que tem o transtorno. E, com base nisso, tomar as decis\u00f5es que parecem mais promissoras para sua carreira. &#8220;Vale lembrar que algumas caracter\u00ed\u00adsticas t\u00ed\u00adpicas do transtorno ficam menos evidentes em determinadas profiss\u00f5es&#8221;, enfatiza Wilma. Al\u00e9m disso, alguns psiquiatras recomendam que o paciente arranje uma esp\u00e9cie de &#8220;anjo da guarda&#8221; no escrit\u00f3rio. Trata-se de algu\u00e9m que possa atuar como um secret\u00e1rio honor\u00e1rio, ajudando o portador a se organizar e a lembrar de compromissos ou datas importantes. &#8220;O portador de TDAH tem todas as condi\u00e7\u00f5es de ocupar cargos de alta responsabilidade e de crescer na carreira. Mas isso ser\u00e1 muito mais dif\u00ed\u00adcil se ele n\u00e3o puder contar com uma excelente secret\u00e1ria&#8221;, comenta Enio Roberto de Andrade, presidente da Associa\u00e7\u00e3o de Apoio ao Transtorno de D\u00e9ficit de Aten\u00e7\u00e3o \/ Hiperatividade (Atodah), em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p align=\"justify\">\u00c2\u00a0<b>Apesar dos problemas, os funcion\u00e1rios com d\u00e9ficit de aten\u00e7\u00e3o podem avan\u00e7ar normalmente na carreira com a ajuda de medica\u00e7\u00e3o \u2013 e uma excelente secret\u00e1ria<\/b><\/p>\n<p align=\"justify\">Al\u00e9m disso, est\u00e1 mais do que comprovado que os indiv\u00ed\u00adduos com TDAH s\u00e3o capazes de manter um n\u00ed\u00advel de concentra\u00e7\u00e3o fora do comum \u2013 hiperfoco \u2013 naquelas tarefas que lhes proporcionam prazer ou desafios. Um exemplo \u00e9 o porto-alegrense Juliano Colombo, de 24 anos. Hiperativo assumido, ele demorou at\u00e9 encontrar uma atividade que satisfizesse sua necessidade de agita\u00e7\u00e3o. &#8220;Na universidade, comecei fazendo Engenharia. Mas logo tive de largar porque o curso era muito regrado. Ao mesmo tempo, passei por quatro empregos diferentes em que a rotina era extremamente burocr\u00e1tica, com baixa criatividade. N\u00e3o fiquei mais do que seis meses em cada um deles&#8221;, conta. Hoje, Juliano trabalha na equipe de vendas de uma empresa de tecnologia na capital ga\u00facha. Assim, consegue saciar pelo menos uma parte do desejo de movimento. &#8220;Todo dia \u00e9 um dia diferente. Estou quase o tempo todo na rua, visitando clientes, conhecendo pessoas novas&#8221;, entusiasma-se. E ainda alia o trabalho \u00ed\u00a0 paix\u00e3o por computadores, que traz desde a inf\u00e2ncia. &#8220;Descobri que n\u00e3o adiantava negar minhas caracter\u00ed\u00adsticas&#8221;, conclui.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"justify\">A prop\u00f3sito, um dos pontos que mais geram discuss\u00e3o entre os psiquiatras \u00e9 a possibilidade de o TDAH ter efeitos colaterais &#8220;positivos&#8221;. Ainda hoje, h\u00e1 quem garanta que as pessoas afetadas pelo dist\u00farbio s\u00e3o geralmente inteligentes e muito, muito criativas. A tese \u00e9 de que o turbilh\u00e3o que a todo momento passa por suas cabe\u00e7as poderia facilitar, por exemplo, a livre associa\u00e7\u00e3o de id\u00e9ias \u2013 requisito t\u00ed\u00adpico dos processos criativos e reuni\u00f5es de brainstorming. S\u00e3o famosas, ali\u00e1s, as listas de &#8220;vantagens e desvantagens&#8221; que o transtorno gera no emprego e na vida pessoal.<\/p>\n<p align=\"justify\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.tdah.org.br\/images\/stories\/site\/reportagens\/report2003.jpg\" alt=\"report2003\" width=\"300\" height=\"237\" \/><\/p>\n<p><b>O c\u00e9rebro no limite<\/b>\u00c2\u00a0\u2013 As pr\u00f3prias empresas podem dar uma m\u00e3ozinha para os profissionais que t\u00eam (ou aparentam ter) d\u00e9ficit de aten\u00e7\u00e3o e hiperatividade. Isso pode ser feito utilizando-se as regras b\u00e1sicas de planejamento e execu\u00e7\u00e3o de projetos, como definir metas claras, prazos exeq\u00ed\u00bc\u00ed\u00adveis, delimitar bem as tarefas etc. Um cuidado importante \u00e9 saber dosar a press\u00e3o por resultados. Devido a suas pr\u00f3prias dificuldades, muitos dos portadores do dist\u00farbio passam a inf\u00e2ncia inteira ouvindo cr\u00ed\u00adticas de professores e, n\u00e3o raro, dos pr\u00f3prios pais. Por isso, eles costumam reagir muito mal a cobran\u00e7as. Muitos, por exemplo, at\u00e9 pioram de desempenho quando submetidos \u00ed\u00a0 press\u00e3o. &#8220;Como qualquer pessoa, o trabalhador com TDAH lida melhor com os est\u00ed\u00admulos do que com a repreens\u00e3o. \u00c9 necess\u00e1rio valorizar esse lado&#8221;, aconselha S\u00e9rgio Bourbon, representante da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de D\u00e9ficit de Aten\u00e7\u00e3o (ABDA), entidade que divulga informa\u00e7\u00f5es e promove eventos relacionados ao assunto, entre eles o Congresso Internacional ABDA 2004.<\/p>\n<p align=\"justify\">Segundo Edward Hallowell, as empresas precisam criar um ambiente favor\u00e1vel ao funcionamento do c\u00e9rebro. S\u00f3 assim, as mentes ter\u00e3o condi\u00e7\u00f5es de funcionar em m\u00e1xima rota\u00e7\u00e3o \u2013 ainda que algumas delas tenham l\u00e1 suas limita\u00e7\u00f5es. &#8220;O desafio \u00e9 n\u00e3o cometer os erros que estimulam o aparecimento da Caracter\u00ed\u00adstica do D\u00e9ficit de Aten\u00e7\u00e3o&#8221;, resume Hallowell. Um desses erros, por exemplo, \u00e9 promover uma cultura organizacional que valoriza a velocidade acima de tudo. Outro pecado capital \u00e9 ignorar o estresse que eventualmente surge durante o expediente. Por fim, deve-se evitar que a corrida por produtividade sobrecarregue as pessoas com tarefas e responsabilidades que, na verdade, n\u00e3o t\u00eam como ser realizadas no prazo. &#8220;N\u00e3o se pode agir como se a capacidade do c\u00e9rebro fosse ilimitada&#8221;, prega Hallowell. Pelo contr\u00e1rio, \u00e9 necess\u00e1rio reconhecer esses limites. E respeit\u00e1-los.<\/p>\n<p>Essa reportagem foi retirada da revista Amanh\u00e3 (<a href=\"http:\/\/amanha.terra.com.br\/edicoes\/201\/capa01.asp\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/amanha.terra.com.br\/edicoes\/201\/capa01.asp<\/a>)<\/p>\n<p align=\"left\"><b>Dois lados de uma s\u00ed\u00adndrome<\/b><\/p>\n<p>Se o assunto \u00e9 TDAH, poucas pessoas s\u00e3o t\u00e3o lembradas quanto Edward Halowell, autor do best-seller Tend\u00eancia \u00ed\u00a0 Distra\u00e7\u00e3o. O livro foi o primeiro a revelar para leigos as causas, conseq\u00ed\u00bc\u00eancias e os tratamentos do d\u00e9ficit de aten\u00e7\u00e3o. Agora, dez anos mais tarde, Hallowell prepara o lan\u00e7amento de sua segunda obra: Delivery from Distraction (algo como &#8220;Causado pela Distra\u00e7\u00e3o&#8221;). O livro dever\u00e1 chegar \u00ed\u00a0s bancas dos EUA em dezembro deste ano. AMANH\u00ed\u0192 teve acesso a um trecho do texto e reproduz, com exclusividade, um dos pontos mais curiosos &#8211; em que Hallowell enumera os diferenciais e os problemas dos portadores de TDAH. Em tempo: a maioria dos psiquiatras brasileiros sustenta que o dist\u00farbio s\u00f3 traz preju\u00ed\u00adzos.<br \/>\n&nbsp;<\/p>\n<table border=\"0\" width=\"100%\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"10\">\n<tbody>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"50%\"><strong>DIFERENCIAIS<\/strong>&#8211; T\u00eam muitos talentos criativos, que geralmente n\u00e3o aparecem at\u00e9 que o TDAH seja tratado- Demonstram ter pensamento original, &#8220;fora da caixa&#8221;- Tendem a adotar um jeito diferente de encarar a pr\u00f3pria vida. Costumam ser imprevis\u00ed\u00adveis na maneira como abordam diferentes assuntos- Persist\u00eancia e resili\u00eancia s\u00e3o suas caracter\u00ed\u00adsticas marcantes &#8211; mas, cuidado, \u00ed\u00a0s vezes podem parecer cabe\u00e7as-duras<br \/>\n&#8211; S\u00e3o geralmente muito afetivos e de comportamento generoso<br \/>\n&#8211; S\u00e3o altamente intuitivos<br \/>\n&#8211; Com freq\u00ed\u00bc\u00eancia, demonstram ter uma intelig\u00eancia acima da m\u00e9dia<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"50%\"><strong>PROBLEMAS<\/strong>&#8211; Grande dificuldade para transformar suas grandes id\u00e9ias em a\u00e7\u00e3o verdadeira- Problemas para se fazer entender ou explicar seus pontos de vista- Falta cr\u00f4nica de iniciativa- Humor vol\u00favel, da raiva para a tristeza rapidamente<br \/>\n&#8211; Pouca ou nenhuma toler\u00e2ncia \u00ed\u00a0 frustra\u00e7\u00e3o<br \/>\n&#8211; Problemas com organiza\u00e7\u00e3o e gerenciamento do tempo<br \/>\n&#8211; Necessidade incessante de adrenalina. Inconscientemente, podem provocar conflitos apenas para satisfazer essa necessidade de est\u00ed\u00admulo<br \/>\n&#8211; Tend\u00eancia ao isolamento e \u00ed\u00a0 solid\u00e3o<br \/>\n&#8211; Raramente conseguem aprender com os pr\u00f3prios erros<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>&nbsp;<br \/>\n<em>Fonte:<\/em>\u00c2\u00a0Delivery from Distraction, novo livro de Edward Hallowell\n<\/div>\n<p><!--more--><br \/>\n<!--more--><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por que Perdemos o Foco Escrito por\u00c2\u00a0\u00c2\u00a0ABDA A rotina tumultuada do ambiente de trabalho leva cada vez mais pessoas a apresentar os sintomas do D\u00e9ficit de Aten\u00e7\u00e3o e Hiperatividade \u2013 a nova doen\u00e7a do s\u00e9culo da informa\u00e7\u00e3o Durante muito tempo, acreditou-se que o Transtorno do D\u00e9ficit de Aten\u00e7\u00e3o e Hiperatividade (ou simplesmente TDAH, como preferem &hellip; <a href=\"https:\/\/nalua.in\/blog\/22-2\/\" class=\"more-link\">Continuar lendo <span class=\"screen-reader-text\">22<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[11],"tags":[],"class_list":["post-2169","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/nalua.in\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2169","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/nalua.in\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/nalua.in\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nalua.in\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nalua.in\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2169"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/nalua.in\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2169\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/nalua.in\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2169"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/nalua.in\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2169"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/nalua.in\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2169"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}