{"id":213,"date":"2007-05-25T09:24:01","date_gmt":"2007-05-25T12:24:01","guid":{"rendered":"http:\/\/nalu.in\/213"},"modified":"2007-05-25T09:24:01","modified_gmt":"2007-05-25T12:24:01","slug":"sotaque-mineiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nalua.in\/blog\/sotaque-mineiro\/","title":{"rendered":"sotaque mineiro"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"http:\/\/nalu.in\/wp-content\/uploads\/2007\/05\/paodequeijo.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft  wp-image-2261\" src=\"http:\/\/nalu.in\/wp-content\/uploads\/2007\/05\/paodequeijo.jpg\" alt=\"paodequeijo\" width=\"290\" height=\"127\" srcset=\"https:\/\/nalua.in\/blog\/wp-content\/uploads\/2007\/05\/paodequeijo.jpg 480w, https:\/\/nalua.in\/blog\/wp-content\/uploads\/2007\/05\/paodequeijo-300x131.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 290px) 100vw, 290px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-size: 20px;\"><strong>Sotaque mineiro: \u00e9 ilegal, imoral ou engorda?<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"font-size: 12px;\">Felipe Peixoto Braga Netto<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"font-size: 12px;\">&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;-<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">\n<p style=\"text-align: center;\"><em>&#8220;Minas n\u00e3o \u00e9 palavra montanhosa.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em> \u00c9 palavra abissal. Minas \u00e9 dentro<br \/>\nE fundo&#8221;<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Carlos Drummond de Andrade<\/em><\/p>\n<p>\u00c2\u00a0Gente, simplificar \u00e9 um pecado. Se a vida n\u00e3o fosse t\u00e3o corrida, se n\u00e3o tivesse tanta conta para pagar, tantos processos &#8211; oh sina &#8211; para analisar, eu fundaria um partido cuja luta seria descobrir as falas de cada regi\u00e3o do Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cad\u00ea os ling\u00ed\u00bcistas deste pa\u00ed\u00ads? Sinto falta de um tratado geral das sotaques brasileiros. N\u00e3o h\u00e1 nada que me fascine mais. Como \u00e9 que as montanhas, matas ou mares influem tanto, e determinam a cad\u00eancia e a sonoridade das palavras?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 um absurdo. Existem livros sobre tudo; n\u00e3o tem (ou n\u00e3o conhe\u00e7o) um sobre o falar ing\u00eanuo deste povo doce. Escritores, \u00f4 de casa, cad\u00ea voc\u00eas? Escrevam sobre isto, se j\u00e1 escreveram me mandem, que espero ansioso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um simples&#8221; mas&#8221; \u00e9 uma coisa no Rio Grande do Sul. \u00c9 tudo menos um &#8220;mas&#8221; nordestino, por exemplo. O sotaque das mineiras deveria ser ilegal, imoral ou engordar. Porque, se tudo que \u00e9 bom tem um desses horr\u00ed\u00adveis efeitos colaterais, como \u00e9 que o falar, sensual e lindo (das mineiras) ficou de fora?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Porque, Deus, que sotaque! Mineira devia nascer com tarja preta avisando: ouvi-la faz mal \u00ed\u00a0 sa\u00fade. Se uma mineira, falando mansinho, me pedir para assinar um contrato doando tudo que tenho, sou capaz de perguntar: s\u00f3 isso? Assino achando que ela me faz um favor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu sou suspeit\u00ed\u00adssimo. Confesso: esse sotaque me desarma. Certa vez quase propus casamento a uma menina que me ligou por engano, s\u00f3 pelo sotaque.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas, se o sotaque desarma, as express\u00f5es s\u00e3o um cap\u00ed\u00adtulo \u00ed\u00a0 parte. N\u00e3o vou exagerar, dizendo que a gente n\u00e3o se entende&#8230; Mas que \u00e9 algo delicioso descobrir, aos poucos, as express\u00f5es daqui, ah isso \u00e9&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os mineiros t\u00eam um \u00f3dio mortal das palavras completas. Preferem, sabe-se l\u00e1 por que, abandon\u00e1-las no meio do caminho (n\u00e3o dizem: pode parar, dizem: &#8220;p\u00f3 parar&#8221;. N\u00e3o dizem: onde eu estou?, dizem: &#8220;\u00f4nd\u00f4t\u00f4?&#8221;). Parece que as palavras, para os mineiros, s\u00e3o como aqueles chatos que pedem carona. Quando voc\u00ea percebe a roubada, prefere deix\u00e1-los no caminho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os n\u00e3o-mineiros, ignorantes nas coisas de Minas, sup\u00f5em, precipitada e levianamente, que os mineiros vivem &#8211; ling\u00ed\u00bcisticamente falando &#8211; apenas de uais, trens e s\u00f4s. Digo-lhes que n\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mineiro n\u00e3o fala que o sujeito \u00e9 competente em tal ou qual atividade. Fala que ele \u00e9 bom de servi\u00e7o. Pouco importa que seja um juiz, um jogador de futebol ou um ator de filme porn\u00f4. Se der no couro &#8211; metaforicamente falando, claro &#8211; ele \u00e9 bom de servi\u00e7o. Faz sentido&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mineiras n\u00e3o usam o famos\u00ed\u00adssimo tudo bem. Sempre que duas mineiras se encontram, uma delas h\u00e1 de perguntar pra outra: &#8220;c\u00ea t\u00e1 boa?&#8221; Para mim, isso \u00e9 pleonasmo. Perguntar para uma mineira se ela t\u00e1 boa, \u00e9 como perguntar a um peixe se ele sabe nadar. Desnecess\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 outras. Vamos supor que voc\u00ea esteja tendo um caso com uma mulher casada. Um amigo seu, se for mineiro, vai chegar e dizer: &#8211; Mexe com isso n\u00e3o, s\u00f4 (leia-se: sai dessa, \u00e9 fria, etc).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O verbo &#8220;mexer&#8221;, para os mineiros, tem os mais amplos significados. Quer dizer, por exemplo, trabalhar. Se lhe perguntarem com o que voc\u00ea mexe, n\u00e3o fique ofendido. Querem saber o seu of\u00ed\u00adcio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os mineiros tamb\u00e9m n\u00e3o gostam do verbo conseguir. Aqui ningu\u00e9m consegue nada. Voc\u00ea n\u00e3o d\u00e1 conta. S\u00f4c\u00ea (se voc\u00ea) acha que n\u00e3o vai chegar a tempo, voc\u00ea liga e diz:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Aqui, n\u00e3o vou dar conta de chegar na hora, n\u00e3o, s\u00f4.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse &#8220;aqui&#8221; \u00e9 outro que s\u00f3 tem aqui. \u00c9 antecedente obrigat\u00f3rio, sob pena de puni\u00e7\u00e3o p\u00fablica, de qualquer frase. \u00c9 mais usada, no entanto, quando voc\u00ea quer falar e n\u00e3o est\u00e3o lhe dando muita aten\u00e7\u00e3o: \u00e9 uma forma de dizer, ol\u00e1, me escutem, por favor. \u00c9 a \u00faltima inst\u00e2ncia antes de jogar um p\u00e3o de queijo na cabe\u00e7a do interlocutor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mineiras n\u00e3o dizem &#8220;apaixonado por&#8221;. Dizem, sabe-se l\u00e1 por que, &#8220;apaixonado com&#8221;. Soa engra\u00e7ado aos ouvidos forasteiros. Ouve-se a toda hora: &#8220;Ah, eu apaixonei com ele&#8230;&#8221;. Ou: &#8220;sou doida com ele&#8221; (ele, no caso, pode ser voc\u00ea, um carro, um cachorro). Elas vivem apaixonadas com alguma coisa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Que os mineiros n\u00e3o acabam as palavras, todo mundo sabe. \u00c9 um tal de bonitim, fechadim, e por a\u00ed\u00ad vai. J\u00e1 me acostumei a ouvir: &#8220;E a\u00ed\u00ad, v\u00e3o?&#8221;. Traduzo: &#8220;E a\u00ed\u00ad, vamos?&#8221;. N\u00e3o caia na besteira de esperar um &#8220;vamos&#8221; completo de uma mineira. N\u00e3o ouvir\u00e1 nunca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na verdade, o mineiro \u00e9 o baiano ling\u00ed\u00bc\u00ed\u00adstico. A pregui\u00e7a chegou aqui e armou rede. O mineiro n\u00e3o pronuncia uma palavra completa nem com uma arma apontada para a cabe\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu preciso avisar \u00ed\u00a0 l\u00ed\u00adngua portuguesa que gosto muito dela, mas prefiro, com todo respeito, a mineira. Nada pessoal. Aqui certas regras n\u00e3o entram. S\u00e3o barradas pelas montanhas. Por exemplo: em Minas, se voc\u00ea quiser falar que precisa ir a um lugar, vai dizer:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Eu preciso de ir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Onde os mineiros arrumaram esse &#8220;de&#8221;, a\u00ed\u00ad no meio, \u00e9 uma boa pergunta. S\u00f3 n\u00e3o me perguntem. Mas que ele existe, existe. Asseguro que sim, com escritura lavrada em cart\u00f3rio. Deixa eu repetir, porque \u00e9 importante. Aqui em Minas ningu\u00e9m precisa ir a lugar nenhum. Entendam&#8230; Voc\u00ea n\u00e3o precisa ir, voc\u00ea &#8220;precisa de ir&#8221;. Voc\u00ea n\u00e3o precisa viajar, voc\u00ea &#8220;precisa de viajar&#8221;. Se voc\u00ea chamar sua filha para acompanh\u00e1-la ao supermercado, ela reclamar\u00e1:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Ah, m\u00e3e, eu preciso de ir?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No supermercado, o mineiro n\u00e3o faz muitas compras, ele compra um tanto de coisa. O supermercado n\u00e3o estar\u00e1 lotado, ele ter\u00e1 um tanto de gente. Se a fila do caixa n\u00e3o anda, \u00e9 porque est\u00e1 agarrando l\u00e1 na frente. Entendeu? Deus, tenho que explicar tudo. N\u00e3o vou ficar procurando sin\u00f4nimo, que diabo. E n\u00e3o digo mais nada, leitor, voc\u00ea est\u00e1 agarrando meu texto. Agarrar \u00e9 agarrar, ora!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se, saindo do supermercado, a mineirinha vir um mendigo e ficar com pena, suspirar\u00e1:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Ai, gente, que d\u00f3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 prov\u00e1vel que a essa altura o leitor j\u00e1 esteja apaixonado pelas mineiras. Eu aviso que v\u00e1 se apaixonar na China, que l\u00e1 est\u00e1 sobrando gente. E n\u00e3o vem ca\u00e7ar confus\u00e3o pro meu lado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Porque, devo dizer, mineiro n\u00e3o arruma briga, mineiro &#8220;ca\u00e7a confus\u00e3o&#8221;. Se voc\u00ea quiser dizer que tal sujeito \u00e9 arruaceiro, \u00e9 melhor falar, para se fazer entendido, que ele &#8220;vive ca\u00e7ando confus\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para uma mineira falar do meu desempenho sexual, ou dizer que algo \u00e9 muit\u00ed\u00adssimo bom (acho que d\u00e1 na mesma), ela, se for jovem, vai gritar: &#8220;\u00ed\u201d, \u00e9 sem no\u00e7\u00e3o&#8221;. Entendeu, leitora? \u00c9 sem no\u00e7\u00e3o! Voc\u00ea n\u00e3o tem, leitora, id\u00e9ia do tanto de bom que \u00e9. S\u00f3 n\u00e3o esque\u00e7a, por favor, o &#8220;\u00ed\u201d&#8221; no come\u00e7o, porque sem ele n\u00e3o d\u00e1 para dar no\u00e7\u00e3o do tanto que algo \u00e9 sem no\u00e7\u00e3o, entendeu?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ou\u00e7o a leitora chiar:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Capaz&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Voc\u00eas j\u00e1 ouviram esse &#8220;capaz&#8221;? \u00c9 lindo. Quer dizer o qu\u00ea? Sei l\u00e1, quer dizer &#8220;t\u00e1 f\u00e1cil que eu fa\u00e7a isso&#8221;, com algumas toneladas de ironia. Gente, ando um p\u00e9ssimo tradutor. Se voc\u00ea prop\u00f5e a sua namorada um sexo a tr\u00eas (com as amigas dela), provavelmente ouvir\u00e1 um &#8220;capaz&#8230;&#8221; como resposta. Se, em vingan\u00e7a contra a recusa, voc\u00ea amea\u00e7ar casar com a Gisele Bundchen, ela dir\u00e1: &#8220;\u00f4 d\u00f3 d\u00f4c\u00ea&#8221;. Entendeu agora?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o? Deixa para l\u00e1. \u00c9 parecido com o &#8220;nem&#8230;&#8221;. J\u00e1 ouviu o &#8220;nem&#8230;&#8221;? Completo ele fica:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Ah, nem&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que significa? Significa, amigo leitor, que a mineira que o pronunciou n\u00e3o far\u00e1 o que voc\u00ea prop\u00f4s de jeito nenhum. Mas de jeito nenhum. Voc\u00ea diz: &#8220;Meu amor, c\u00ea anima de comer um tropeiro no Mineir\u00e3o?&#8221;. Resposta: &#8220;nem&#8230;&#8221; Ainda n\u00e3o entendeu? Uai, nem \u00e9 nem. Leitor, voc\u00ea \u00e9 meio burrinho ou \u00e9 impress\u00e3o?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A prop\u00f3sito, um mineiro n\u00e3o pergunta: &#8220;voc\u00ea n\u00e3o vai?&#8221;. A pergunta, mineiramente falando, seria: &#8220;c\u00ea n\u00e3o anima de ir&#8221;? T\u00e3o simples. O resto do Brasil complica tudo. \u00c9, u\u00e9, c\u00eas d\u00e3o umas volta pra falar os trem&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Certa vez pedi um exemplo e a interlocutora pensou alto:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Voc\u00ea quer que eu &#8220;dou&#8221; um exemplo&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu sei, eu sei, a gram\u00e1tica n\u00e3o tolera esses abusos mineiros de conjuga\u00e7\u00e3o. Mas que s\u00e3o uma gracinha, ah isso l\u00e1 s\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ei, leitor, p\u00e1ra de babar. Que coisa feia. Olha o papel todo molhado. Chega, n\u00e3o conto mais nada. Est\u00e1 bem, est\u00e1 bem, mas se comporte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Falando em &#8220;ei&#8230;&#8221;. As mineiras falam assim, usando, curiosamente, o &#8220;ei&#8221; no lugar do &#8220;oi&#8221;. Voc\u00ea liga, e elas atendem lindamente: &#8220;eiiii!!!&#8221;, com muitos pontos de exclama\u00e7\u00e3o, a depender da saudade&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tem tantos outros&#8230; O plural, ent\u00e3o, \u00e9 um problema. Um lindo problema, mas um problema. Sou, n\u00e3o nego, suspeito. Minha inclina\u00e7\u00e3o \u00e9 para perdoar, com louvor, os deslizes vocabulares das mineiras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ali\u00e1s, deslizes nada. S\u00f3 porque aqui a l\u00ed\u00adngua \u00e9 outra, n\u00e3o quer dizer que a oficial esteja com a raz\u00e3o. Se voc\u00ea, em conversa, falar:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Ah, fui l\u00e1 comprar umas coisas&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Que&#8217; s coisa? &#8211; ela retrucar\u00e1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Acreditam? O plural d\u00e1 um pulo. Sai das coisas e vai para o que.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ouvi de uma menina culta um &#8220;pelas metade&#8221;, no lugar de &#8220;pela metade&#8221;. E se voc\u00ea acusar injustamente uma mineira, ela, chorosa, confidenciar\u00e1:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Ele p\u00f4s a culpa &#8220;ni mim&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A conjuga\u00e7\u00e3o dos verbos tem l\u00e1 seus mist\u00e9rios, em Minas&#8230; Ontem, uma senhora docemente me consolou: &#8220;preocupa n\u00e3o, bobo!&#8221;. E meus ouvidos, j\u00e1 acostumados \u00ed\u00a0s ing\u00eanuas conjuga\u00e7\u00f5es mineiras. nem se espantam. Talvez se espantassem se ouvissem um: &#8220;n\u00e3o se preocupe&#8221;, ou algo assim. A f\u00f3rmula mineira \u00e9 sint\u00e9tica. e diz tudo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">At\u00e9 o tchau. em Minas. \u00e9 personalizado. Ningu\u00e9m diz tchau pura e simplesmente. Aqui se diz: &#8220;tchau pro c\u00ea&#8221;, &#8220;tchau pro c\u00eas&#8221;. \u00c9 \u00fatil deixar claro o destinat\u00e1rio do tchau. O tchau, minha filha, \u00e9 pr\u00f4c\u00ea, n\u00e3o \u00e9 pra outra entendeu?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deve haver, por certo, outras express\u00f5es&#8230; A minha mem\u00f3ria (que n\u00e3o ajuda muito) trouxe essas por enquanto. Estou, claro, aberto a sugest\u00f5es. Como \u00e9 uma pesquisa emp\u00ed\u00adrica, umas volunt\u00e1rias ajudariam&#8230; Exig\u00eancia: ser mineira. Conversando com ling\u00ed\u00bcistas, fui informado: \u00e9 prudente que tenham cabelos pretos, espessos e lisos, aquela pele bem branquinha&#8230; Tudo, naturalmente, em nome da ci\u00eancia. Bem, eu me explico: \u00e9 que, caracter\u00ed\u00adsticas \u00ed\u00a0 parte, as conforma\u00e7\u00f5es f\u00ed\u00adsicas influem no timbre e som da voz, e eu n\u00e3o posso, em honrados assuntos mineiros, correr o risco de ser inexato, entendem?<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-size: 12px;\">&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;o0o&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12px;\"><em><strong>Felipe Peixoto Braga Netto<\/strong> (1973) afirma que n\u00e3o \u00e9 jornalista, n\u00e3o \u00e9 publicit\u00e1rio, nunca publicou cr\u00f4nicas ou contos, n\u00e3o \u00e9, enfim, literariamente falando, muita coisa, segundo suas palavras. Mora em Belo Horizonte e ama Minas Gerais. Ele diz que nunca publicou nada, mas a cr\u00f4nica que apresentamos foi extra\u00ed\u00adda do livro &#8220;As coisas simp\u00e1ticas da vida&#8221;, Landy Editora, S\u00e3o Paulo (SP) &#8211; 2005, p\u00e1g. 82.<\/em><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-size: 12px;\">&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;o0o&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12px;\">Fonte: http:\/\/www.releituras.com\/ne_fpbnetto_sotaque.asp<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Visite: <a href=\"http:\/\/descubraminas.com.br\">http:\/\/descubraminas.com.br<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/nalu.blog.br\/minas.htm\">Leia<\/a>. <a href=\"http:\/\/nalu.blog.br\/clubedaesquina.htm\">Veja<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sotaque mineiro: \u00e9 ilegal, imoral ou engorda? Felipe Peixoto Braga Netto &#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;- &#8220;Minas n\u00e3o \u00e9 palavra montanhosa. \u00c9 palavra abissal. Minas \u00e9 dentro E fundo&#8221; Carlos Drummond de Andrade \u00c2\u00a0Gente, simplificar \u00e9 um pecado. Se a vida n\u00e3o fosse t\u00e3o corrida, se n\u00e3o tivesse tanta conta para pagar, tantos processos &#8211; oh sina &#8211; para &hellip; <a href=\"https:\/\/nalua.in\/blog\/sotaque-mineiro\/\" class=\"more-link\">Continuar lendo <span class=\"screen-reader-text\">sotaque mineiro<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[60],"tags":[],"class_list":["post-213","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-outros"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/nalua.in\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/213","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/nalua.in\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/nalua.in\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nalua.in\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nalua.in\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=213"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/nalua.in\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/213\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/nalua.in\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=213"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/nalua.in\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=213"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/nalua.in\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=213"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}