{"id":212,"date":"2007-05-23T20:50:11","date_gmt":"2007-05-23T23:50:11","guid":{"rendered":"http:\/\/nalu.in\/212"},"modified":"2007-05-23T20:50:11","modified_gmt":"2007-05-23T23:50:11","slug":"kansas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nalua.in\/blog\/kansas\/","title":{"rendered":"kansas"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"display: inline; float: right; margin-bottom: 10px; margin-left: 10px; width: 200px; height: 298px; border: #000000 0px solid;\" src=\"http:\/\/www.figurasnalu.blogger.com.br\/oz.jpg\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"298\" \/><br \/>\nEsses dias eu vi o filme M\u00e1gico de Oz, faz parte do meu projeto de assistir aos filmes cl\u00e1ssicos. J\u00e1 deu pra perceber o quanto eu gosto disso n\u00e9? Listinha de cem melhores, top dez de todos os tempos melhores do mundo, coisa e tal, gosto mesmo, apesar de. Mas vou falar de outra coisa. Pois \u00e9. Vi o filme e gostei, achei engra\u00e7adinho, faz jus a ser um cl\u00e1ssico mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A\u00ed\u00ad hoje por causa de uma conversa que rolou l\u00e1 no boteco do blog <a href=\"http:\/\/mothern.blogspot.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Mothern<\/a>, sobre os defeitos que todos n\u00f3s apresentamos depois que casamos, a vida em comum, o encanto que passa, etc, eu lembrei de um trecho de um livro que tinha lido. Achei coincid\u00eancia as tr\u00eas coisas me aparecerem juntas, o filme, o livro (que fala sobre o m\u00e1gico de oz e nossas expectativas) e a conversa no Buteco (ali\u00e1s minha vida anda uma sucess\u00e3o de sincronias que est\u00e1 at\u00e9 me assustando).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A\u00ed\u00ad resolvi colocar o trechinho do livro aqui. Mudei s\u00f3 a \u00faltima frase (a que n\u00e3o est\u00e1 em it\u00e1lico) para fazer sentido, pois o par\u00e1grafo continua, mas tem que ler o livro. Mas ta\u00ed\u00ad, \u00e9 legal.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8211;oOo&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8211;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\u00c2\u00a0<strong><em>&#8220;Voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 mais no Kansas*<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Eu sou o que chamam de terapeuta cognitivo-comportamental. O que isso significa em portugu\u00eas claro? Simplesmente isso: eu acredito que seres humanos nunca fazem nada espontaneamente. O pensamento sempre precede a a\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, para fazer mudan\u00e7as, voc\u00ea tem de mudar seus pensamentos antes. Parece simples? Bem, de certa forma \u00e9!<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Voc\u00ea se lembra da hist\u00f3ria O M\u00e1gico de Oz? O autor de Investment in Excellence [<\/em>Investimento em Excel\u00eancia<em>], Lou Tice, usa o enredo daquele filme como met\u00e1fora para fazer uma afirma\u00e7\u00e3o que eu gostaria de compartilhar com voc\u00ea. Na hist\u00f3ria, n\u00f3s conhecemos Dorothy, Tot\u00f3, o Espantalho, o Homem de Lata e o Le\u00e3o Covarde. Eles saem para visitar o M\u00e1gico que vive no Mundo de Oz. Passam por todo tipo de aventura, mas o objetivo de sua jornada \u00e9, essencialmente, tornarem-se <strong>mais dignos<\/strong>. Os outros v\u00eaem o M\u00e1gico como o todo-poderoso, que tem a habilidade para lhes dar o que precisam, o que tanto desejaram. Desse modo, \u00e9 uma grande decep\u00e7\u00e3o e uma grande surpresa quando Tot\u00f3 abre a cortina e tudo o que eles v\u00eaem \u00e9 um homenzinho comum puxando alavancas. Suas expectativas n\u00e3o s\u00e3o atendidas. N\u00e3o h\u00e1 nenhum m\u00e1gico no final das contas. Na verdade, na melhor das hip\u00f3teses, o m\u00e1gico \u00e9 neutro. Ele n\u00e3o \u00e9 mau. Ele n\u00e3o \u00e9 bom. Ele \u00e9 falso. Ponto final. Fim da hist\u00f3ria.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Dorothy, o Homem de Lata e os outros personagens podem ter acreditado no poder do M\u00e1gico, mas isso n\u00e3o fez esse poder se tornar real. Claro, tornou a vida mais f\u00e1cil por um tempo pensar que algu\u00e9m ou alguma coisa poderia fazer com que todos os problemas desaparecessem, que era poss\u00ed\u00advel viver feliz para sempre, mas n\u00e3o ajudou muito em circunst\u00e2ncias reais. Na pr\u00e1tica, o homenzinho com as alavancas n\u00e3o lhes conseguiu nada. O Le\u00e3o ainda precisava de coragem, e o Espantalho, de c\u00e9rebro. Dorothy continuava querendo ir para casa, e o Homem de Lata n\u00e3o conseguiu o cora\u00e7\u00e3o que queria. Acreditar e <strong>pensar<\/strong> que o M\u00e1gico tinha poder foi o que instigou a jornada do grupo. Em outras palavras, <strong>um pensamento<\/strong> (sobre o poder do M\u00e1gico) levou \u00ed\u00a0 <strong>a\u00e7\u00e3o<\/strong> (sair para encontrar o M\u00e1gico). Mas esse pensamento mal orientado tamb\u00e9m os levou a um beco sem sa\u00ed\u00adda.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Quando crian\u00e7as, fomos iludidos. Como Dorothy e seus amigos no mundo m\u00e1gico, nosso futuro nos foi mostrado como um mar de rosas. De romances a filmes e sonhos sobre o que quer\u00ed\u00adamos ser quando cresc\u00eassemos, achamos que, por meio de uma combina\u00e7\u00e3o de muito trabalho e boa sorte, conseguir\u00ed\u00adamos qualquer coisa. Quando nos perguntavam como quer\u00ed\u00adamos que nossas vidas fossem, respond\u00ed\u00adamos de acordo com o que acredit\u00e1vamos que nossas vidas poderiam ser. Respond\u00ed\u00adamos que quer\u00ed\u00adamos viver em um apartamento min\u00fasculo, arrastando-nos como coitados por dias e dias de trabalho em um lugar onde n\u00e3o ter\u00ed\u00adamos como crescer profissionalmente? N\u00e3o! Respond\u00ed\u00adamos dizendo que quer\u00ed\u00adamos experimentar a dor de romances fracassados, de doen\u00e7as e morte, de trai\u00e7\u00e3o, crise econ\u00f3mica ou as diversas pequenas decep\u00e7\u00f5es que enfrentamos todos os dias? Claro que n\u00e3o! Fal\u00e1vamos a verdade. Quer\u00ed\u00adamos ser bombeiros ou enfermeiras, casados, felizes e ricos quando cresc\u00eassemos.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Gostar\u00ed\u00adamos de uma casa com cerquinha branca. Quer\u00ed\u00adamos filhos, uma carreira de sucesso, um relacionamento gostoso, uma vida sexual divertida, comida de sobra e uma garagem para dois carros. Esses ideais eram sonhos e nunca os questionamos at\u00e9 que a <strong>desilus\u00e3o<\/strong> e o <strong>desencanto<\/strong> com as expectativas n\u00e3o atendidas come\u00e7aram, devagar, contudo sempre presentes, a acumular. Em outras palavras, come\u00e7amos a crescer. Pode ser dif\u00ed\u00adcil se conformar, mas, de muitas maneiras, crescer significa desapontar-se.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Pegue, por exemplo, uma crian\u00e7a de 13 anos. Escola, professores, pais, o clima &#8211; <strong>oh, vida<\/strong>! -, tudo \u00e9 visto como sendo completamente injusto. Por qu\u00ea? Geralmente, a crian\u00e7a de 13 anos est\u00e1 presenciando, em circunst\u00e2ncias muito reais, as barreiras que est\u00e3o mais altas, e que seus pais n\u00e3o conseguem solucionar tudo, n\u00e3o podem fazer tudo ficar bem. A crian\u00e7a expressa sua frustra\u00e7\u00e3o com a realidade, declarando que <strong>tudo e todos s\u00e3o injustos.<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Do primeiro brinquedo quebrado que n\u00e3o tem conserto ao primeiro gol que n\u00e3o fazemos, do primeiro amor n\u00e3o correspondido ao primeiro emprego que n\u00e3o conseguimos, todos n\u00f3s aprendemos lentamente que a vida n\u00e3o \u00e9 justa. Ainda assim, isso raramente acaba com nos-sas fantasias. O que \u00e9 uma fantasia? Em poucas palavras, \u00e9 uma expectativa irrealista, uma ideia ou ideal que n\u00e3o questionamos. E o &#8220;m\u00e1gico&#8221; que buscamos, acreditando sem pensar direito. Ironicamente, quando ficamos decepcionados, n\u00e3o abandonamos as fantasias. Muito pelo contr\u00e1rio, simplesmente a trocamos por outra. Trocamos a fantasia de uma vida adolescente perfeita pela dos anos futuros, independentes e divertidos que teremos quando chegarmos aos 20 e poucos anos. Quando mais uma vez nos desapontamos, passamos a acreditar que a vida familiar, com uma casa e crian\u00e7as, ir\u00e1 resolver nossos problemas, que a verdadeira felicidade pode ser encontrada l\u00e1. Em outras palavras, como Dorothy e seus amigos, trocamos um falso m\u00e1gico por outro. Acreditamos que conseguiremos uma carteira de motorista, que vamos nos formar, que vamos beber cerveja e que, de alguma forma, tudo vai dar certo.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Estamos certos? Voc\u00ea vai me dizer.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Quando o M\u00e1gico diz ao Espantalho: &#8220;Pelos poderes em mim investidos, dou-lhe este diploma &#8211; agora seja inteligente&#8221;; quando ele diz ao Le\u00e3o: &#8220;Pelos poderes em mim investidos, dou-lhe esta medalha de coragem &#8211; agora seja corajoso!&#8221;, funciona? Acontece? Talvez nos filmes, mas na vida real, quando somos proclamados adultos &#8211; &#8220;agora seja maduro!&#8221;-, ficamos perplexos, com o queixo ca\u00ed\u00addo e olhos bem abertos, balbuciando: &#8220;<strong>Como<\/strong>?&#8221;.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Nunca hav\u00ed\u00adamos sido adultos. Realmente n\u00e3o sabemos o que fazer. Toda nossa experi\u00eancia de vida anterior foi a de uma crian\u00e7a ou adolescente. Ainda estamos presos \u00ed\u00a0s fantasias que formamos enquanto cresc\u00ed\u00adamos. N\u00f3s n\u00e3o as substitu\u00ed\u00admos por nada novo. Ent\u00e3o, de alguma forma, de algum jeito, em algum lugar, apesar de toda a experi\u00eancia contr\u00e1ria, ainda esperamos que a vida seja justa.<br \/>\nA verdade \u00e9 que, assim como as ordens do M\u00e1gico de &#8220;Seja corajoso&#8221; e &#8220;Seja inteligente&#8221; foram arbitr\u00e1rias e rid\u00ed\u00adculas, as ordens do padre ou pastor de &#8220;Sejam casados&#8221;, depois da cerim\u00f3nia, s\u00e3o arbitr\u00e1rias e rid\u00ed\u00adculas tamb\u00e9m. Se voc\u00ea nunca foi casado antes, como sabe o que \u00e9 ser casado? Se seu casamento n\u00e3o deu certo uma vez, como se prevenir para que n\u00e3o aconte\u00e7a de novo?<br \/>\nVoc\u00ea n\u00e3o pode saber, automaticamente, como ser adulto ou casado, a menos que saiba o que esperar. Esperar perfei\u00e7\u00e3o, que sua vida seja como um filme, que seus sonhos de inf\u00e2ncia se realizem \u00e9 esperar &#8211; bem &#8211; por um desastre.<br \/>\nA chave \u00e9 reconhecer essas fantasias e substitu\u00ed\u00ad-las por expectativas realistas. E como fazer isso? Eu gostaria que a resposta fosse curta.&#8221;<\/em> Mas n\u00e3o \u00e9&#8230;<\/p>\n<hr \/>\n<p><span style=\"font-size: 12px;\">*<em>Kansas \u00e9 o Estado americano interiorano no qual ficava a fazenda dos tios de Dorothy, a personagem de O M\u00e1gico de Oz. Era l\u00e1 que ela morava quando foi levada por um tornado para o Mundo de Oz<\/em><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8211;oOo&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8211;<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/nalu.in\/meu-terapeuta-esta-me-deixando-maluco\/\">Do Livro &#8220;Meu Terapeuta est\u00e1 me deixando Maluco&#8221; de Mark Hillman<\/a><br \/>\n<a href=\"http:\/\/meditare.blogspot.com\/2007\/05\/358.html\">Para Refletir<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Esses dias eu vi o filme M\u00e1gico de Oz, faz parte do meu projeto de assistir aos filmes cl\u00e1ssicos. J\u00e1 deu pra perceber o quanto eu gosto disso n\u00e9? Listinha de cem melhores, top dez de todos os tempos melhores do mundo, coisa e tal, gosto mesmo, apesar de. 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