{"id":1091,"date":"2007-04-24T19:21:00","date_gmt":"2007-04-25T01:21:00","guid":{"rendered":"http:\/\/livros.in.blog.br\/2007\/uma-historia-do-feminismo-no-brasil\/"},"modified":"2007-04-24T19:21:00","modified_gmt":"2007-04-25T01:21:00","slug":"uma-historia-do-feminismo-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nalua.in\/blog\/uma-historia-do-feminismo-no-brasil\/","title":{"rendered":"Uma hist\u00f3ria do feminismo no Brasil"},"content":{"rendered":"<div><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright\" src=\"http:\/\/oslivros.files.wordpress.com\/2007\/11\/histfembrasil.jpg\" alt=\"\" width=\"150\" height=\"215\" align=\"right\" \/><strong>Uma Hist\u00f3ria do Feminismo no Brasil<\/strong><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\nC\u00e9li Regina Jardim Pinto,<br \/>\nEd. Funda\u00e7\u00e3o Perseu Abramo, 2003.<br \/>\npor Rafael Evangelista<br \/>\n<em>Em um pa\u00ed\u00ads como o Brasil, com problemas sociais extremamente graves, h\u00e1 espa\u00e7o para que o movimento feminista tenha destaque na luta pol\u00ed\u00adtica, ou sua causa fica subordinada \u00ed\u00a0 resolu\u00e7\u00e3o das quest\u00f5es &#8220;emergenciais&#8221;? Depois da leitura de Uma hist\u00f3ria do feminismo no Brasil, a resposta para essa pergunta parece ser obviamente positiva. Ao levantar bandeiras como o direito ao voto e \u00ed\u00a0 elei\u00e7\u00e3o, \u00ed\u00a0 igualdade de sal\u00e1rios perante aos homens e \u00ed\u00a0 prote\u00e7\u00e3o contra os abusos no ambiente de trabalho (como o ass\u00e9dio sexual), o movimento feminista tem contribu\u00ed\u00addo sistematicamente para tornar o Brasil um pa\u00ed\u00ads mais democr\u00e1tico, superando sua origem autorit\u00e1ria e olig\u00e1rquica.<\/em><br \/>\n<em> <!--more--><\/em><br \/>\n<em> Esse dilema, a op\u00e7\u00e3o entre quest\u00f5es sociais mais gerais ou os problemas espec\u00ed\u00adficos das mulheres, no entanto, acompanhou boa parte da hist\u00f3ria do movimento feminista no Brasil. \u00c9 o que mostra a autora C\u00e9li Regina Jardim Pinto ao contar essa hist\u00f3ria, costurada a partir de diversas outras obras que retratam momentos hist\u00f3ricos particulares do feminismo brasileiro.<\/em><br \/>\n<em>A autora divide o livro, e a hist\u00f3ria do feminismo, em quatro per\u00ed\u00adodos principais: do fim do s\u00e9culo XIX at\u00e9 a d\u00e9cada de 30, quando a principal bandeira era o sufr\u00e1gio feminino; do \u00e1pice da ditadura at\u00e9 o processo de redemocratiza\u00e7\u00e3o; o per\u00ed\u00adodo da Constituinte; e as perspectivas abertas pelos anos 90.<\/em><br \/>\n<em>Filha de Adolfo Lutz e com boa circula\u00e7\u00e3o entre a elite econ\u00f4mica e pol\u00ed\u00adtica, a moderada Bertha Lutz foi a principal l\u00ed\u00adder feminista at\u00e9 a d\u00e9cada de 30. Por meio de sua Federa\u00e7\u00e3o Brasileira para o Progresso Feminino, ela foi uma das principais articuladoras da press\u00e3o pol\u00ed\u00adtica pelo sufr\u00e1gio. Segundo a autora, ela reuniu tr\u00eas condi\u00e7\u00f5es fundamentais que a levaram a ser uma das principais l\u00ed\u00adderes. Ela tinha condi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas, pois vinha de uma fam\u00ed\u00adlia de elite; condi\u00e7\u00f5es culturais dos pais, que lhe davam liberdade; e condi\u00e7\u00f5es profissionais, pois era uma das raras cientistas que trabalhavam no servi\u00e7o p\u00fablico.<\/em><br \/>\n<em>Mas a luta no in\u00ed\u00adcio do s\u00e9culo XX n\u00e3o se reduziu ao sufr\u00e1gio e a Bertha Lutz. C\u00e9li Pinto registra tamb\u00e9m a atua\u00e7\u00e3o das feministas no meio do movimento anarquista e oper\u00e1rio e nas diversas publica\u00e7\u00f5es do fim do s\u00e9culo XIX e in\u00ed\u00adcio do s\u00e9culo XX. Estas j\u00e1 lidavam com o dilema sobre a relev\u00e2ncia da quest\u00e3o feminista frente \u00ed\u00a0s lutas de classe. As mulheres mais ligadas ao movimentos oper\u00e1rio ainda colocavam como central a explora\u00e7\u00e3o do trabalho. Mas outras, ligadas a publica\u00e7\u00f5es independentes, j\u00e1 v\u00eaem a explora\u00e7\u00e3o da mulher como derivada da posi\u00e7\u00e3o dominante do homem, que se interessaria em deix\u00e1-las \u00ed\u00a0 margem do espa\u00e7o p\u00fablico.<\/em><br \/>\n<em>Logo ap\u00f3s a revolu\u00e7\u00e3o de 30 e da conquista do sufr\u00e1gio feminino, o que se v\u00ea \u00e9 um grande hiato que durar\u00e1 at\u00e9 o fim da d\u00e9cada de 60. A autora v\u00ea esse per\u00ed\u00adodo como um refluxo para o feminismo. A discuss\u00e3o pol\u00ed\u00adtica foi muito pautada pela luta socialista, &#8220;n\u00e3o havendo espa\u00e7o para lutas, chamadas na \u00e9poca de particularistas&#8221;.<\/em><br \/>\n<em>Quando a efervesc\u00eancia mundial em torno das liberdades civis e da igualdade de direitos chega a seu \u00e1pice, no final da d\u00e9cada de 60, encontra um Brasil oprimido pelo regime militar. Ao final da d\u00e9cada de 70, o movimento feminista se torna uma das vozes mais importantes na luta pela anistia. O ex\u00ed\u00adlio tamb\u00e9m acaba por influenciar o feminismo no Brasil, ao colocar as feministas em contato com a Europa e os Estados Unidos.<\/em><br \/>\n<em>J\u00e1 no per\u00ed\u00adodo posterior, na redemocratiza\u00e7\u00e3o, a quest\u00e3o passa a ser aderir ou n\u00e3o aos espa\u00e7os pol\u00ed\u00adticos leg\u00ed\u00adtimos alcan\u00e7ados pela via eleitoral. Nesse per\u00ed\u00adodo se destacam a atua\u00e7\u00e3o do Conselho Nacional do Direito da Mulher (CNDM), criado pelo governo federal, e a forte press\u00e3o feita junto \u00ed\u00a0 assembl\u00e9ia constituinte, que resultou em grandes avan\u00e7os.<\/em><br \/>\n<em>A partir da d\u00e9cada de 90, a autora identifica uma transforma\u00e7\u00e3o do feminismo no Brasil. As quest\u00f5es passam a ser incorporadas pela sociedade, que n\u00e3o tolera mais preconceitos de g\u00eanero e cor. Ao mesmo tempo, por meio das ONGs, a atua\u00e7\u00e3o do movimento se especializa em determinadas quest\u00f5es, como a da sa\u00fade, da viol\u00eancia e do racismo.<\/em><br \/>\n<em>Uma hist\u00f3ria do feminismo no Brasil \u00e9 um documento interessante principalmente pelo seu car\u00e1ter panor\u00e2mico. Por meio dele, \u00e9 poss\u00ed\u00advel perceber o fortalecimento gradual do movimento feminista, partindo da conquista de direitos mais b\u00e1sicos, como votar e ser votada, at\u00e9 vit\u00f3rias que continuam a ser amea\u00e7adas, como o direito ao aborto em caso de estupro e de risco de vida. Desde o fim do s\u00e9culo passado at\u00e9 hoje, ao lutar por causas \u00ed\u00a0s vezes tomadas como laterais, o movimento contribui decisivamente para que os direitos daqueles que est\u00e3o em posi\u00e7\u00f5es sociais desfavor\u00e1veis sejam ampliados e respeitados.<\/em><br \/>\n<em>fonte: http:\/\/www.comciencia.br\/resenhas\/mulheres\/feminismo.htm<\/em>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma Hist\u00f3ria do Feminismo no Brasil C\u00e9li Regina Jardim Pinto, Ed. 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